Bia Willcox: Sobre os amores líquidos (e que rodem os pratinhos)

Em tempo líquidos, de amores mais líquidos ainda não se devem colocar todos os ovos na mesma cesta

Por daniela.lima

Rio - Em tempo líquidos, de amores mais líquidos ainda (querido Bauman, nunca te vi, sempre te amei), não se devem colocar todos os ovos na mesma cesta. Não que eu necessariamente concorde. Mas é o que parece.

Bia Willcox%3A Sobre os amores líquidos (e que rodem os pratinhos)Divulgação

Relacionamentos poliformes, voláteis e multifacetados (falo aqui dos jovens relacionamentos ou dos relacionamentos de jovens, poupando os que já colecionam algumas bodas). Tudo azeitado pelo Whatsapp, Facebook e facilitadores afins. Esforço mínimo ao alcance dos dedos. Resultado máximo.

Flerte, sedução, conquista, construção de uma relação, declaração de amor, DR, omissão de informação, disfarces, tesão, emojis, mentiras e verdades, rupturas e reconciliações — tudo ali nos chats do mundo online, em meio a fotos, registros e citações.

Em tempos de liquidez afetiva, é tão fácil acabar quanto começar um namoro ou mesmo um casamento.
Os laços afetivos são frágeis, sujeitos a abalos rotineiros que outrora não acabavam com o amor de nenhum casal.

Junte-se a isso o fato de que, se é amor somente até o segundo aviso (Bauman de novo, pode conferir no Google), é preciso (será mesmo?) se preparar pro “inverno”, ou seja, guardar algumas cartas na manga pra quando o amor se for.

Relacionamentos hoje vão e vêm com a mesma presteza das conexões de wi-fi. E se chegarem os dias difíceis de fim é preciso estar pronto pra não se afetar demais.

Ai de quem sofrer por muito tempo por um fim de namoro ou casamento. Vai ter sempre um amigo ou parente tratando de acabar com isso num happy hour, balada ou viagem “pra esquecer” e “partir pra outra” na velocidade do teclar do celular.

Daí a analogia da cesta de ovos. O que mais se vê hoje é a paquera virtual. O gracejo, o elogio e as minimensagens sedutoras. Ovos bem distribuídos entre cestas de diferentes cores e tamanhos. Meio como se tentassem dar o troco por antecipação.

É mais ou menos assim: namore, deixe-se apaixonar, mas nunca deixe de equilibrar seus pratinhos. Afinal, nunca se sabe o dia de amanhã. Concordando ou não, é assim pra muitos.

E que rodem os pratinhos. Até o segundo aviso.

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