Compositor carioca lança álbum com inspiração entre o Rio e o Nordeste

Cantor já fez parceria com Pedro Luís

Por clarissa.sardenberg

Rio - Rodrigo Maranhão é dos melhores compositores cariocas de sua geração — a mesma de Pedro Luís, com quem fez parcerias gravadas desde 1999. ‘Itinenário’, terceiro álbum de Maranhão, confirma a inspiração do artista, embora o disco seja ligeiramente inferior aos antecessores ‘Bordado’ (2007) e ‘Passageiro’ (2010).

Produzido pelo próprio Maranhão, sob a direção artística de João Mário Linhares, ‘Itinerário’ situa o cantor e compositor entre o Rio e o Nordeste ao longo das 12 músicas autorais do álbum, quase todas inéditas. Exceção é ‘Mantra’, parceria com Pedro Luís, já gravada por Maria Rita em 2005 em gravação escondida dentro do segundo álbum da cantora.

Inspirado compositor carioca%2C Rodrigo Maranhão se situa entre Rio e Nordeste no terceiro CD%2C ‘Itinerário’Divulgação

‘Fuzuê’, música que abre o disco, acerta o passo do samba de roda, embora a percussão de Pretinho da Serrinha dê o tradicional molho carioca ao tema que evoca o universo musical de pioneiros como o pianista e compositor Ernesto Nazareth (1863 - 1934). Parceria de Maranhão com PC Castilho, ‘Iara’ personifica carioca suburbana que cai no samba e vai a Madureira sem perder o rebolado. ‘Eu não sei seu telefone’ é típica canção de coração partido.

O ponto fraco de Maranhão é seu canto, eficaz, mas não envolvente e arrebatador como suas músicas. Tal deficiência fica evidente quando se ouve a voz sedutora do cantor português António Zambujo, convidado de ‘Madrugada’, música de lirismo que evoca serenatas do século XX.

Se o canto é meramente eficaz, o apuro instrumental de ‘Itinerário’ salta aos ouvidos por conta da maestria de músicos como Marcelo Caldi (sanfona e piano) e Nando Duarte (violão de sete cordas). Tanto que funciona a tática de tornar incidental e minimalista o canto de Maranhão em ‘Maré’, faixa de longas passagens instrumentais. ‘Maria da Graça’ revolve a raiz doída do samba-canção. Já ‘Chapeuzinho amarelo’ utiliza símbolos de história infantil para falar de amor à moda adulta. Siga o ‘Itinerário’ do artista...

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia