Rio - Dona de um sotaque incrivelmente carioca, a bela Raquel Tavares, 29 anos, precisa sempre explicar mais de uma vez que, sim, é uma fadista. E que nasceu em Lisboa, no bairro do Alfama. “Mas consigo falar em português de Portugal também, quer ver?”, brinca ela, que encerra hoje a segunda edição do Festival de Fado, às 18h na Cidade das Artes. E, para comprovar, solta meia dúzia de frases com acento.
Como várias novelas brasileiras passam em Portugal, ela garante que o sotaque carioca é aprendido rapidinho por quem mora lá. “Muitos acham que as fadistas são idosas e de bigode. Como também acham que o fado é triste. Ele é como o samba: tem a ver com a festa, é feito do povo para o povo. E as cantoras tradicionais de Portugal, como a Amália Rodrigues, eram mulheres lindas, divas”.
Raquel conheceu o Rio apenas em 2012. E, após seis duradouras visitas, já se considera meio carioca. “Na primeira vez, chorei para ir embora. Foi quase um desmame. Hoje, se alguém fala que o Rio é perigoso, eu brigo!”, conta. Adotou uma família da Barra da Tijuca e, além de frequentar o bairro, vai ao Salgueiro, à Lapa. Aprendeu a tocar pandeiro, tornou-se fã de Clara Nunes e de Chico Buarque (“Se eu o conhecer pessoalmente, vou enfartar”, brinca). Mais: fez uma música em parceria com Xande de Pilares (‘Aceita’, que já está sendo cantada em shows por ambos) e já foi desafiada pelo novo amigo num duelo de versos, típico de sambistas. “Perdi, claro, né? Mas o Xande me deu uma dica, que é a de sempre pensar na última coisa que vou falar, porque aí aparecem as rimas”, ensina ela. Que, por sinal, namora um cavaquinista — o nome não revela nem por um prato de feijoada, uma de suas comidas preferidas no Rio.






