Vem aí a 23ª edição do Anima Mundi

Maior festival de animação da América Latina conta com mais de 450 filmes e oficinas gratuitas

Por daniela.lima

Rio - O Anima Mundi ganha casa nova em sua 23ª edição, que começa amanhã: a Cidade das Artes, na Barra — onde as sessões de longas e várias atividades são gratuitas. “Lá é um mundo. O lugar oferece toda a estrutura que precisamos. Só montamos a tela e o projetor”, explica Aída Queiroz, uma das quatro idealizadoras do festival de filmes de animação, o maior da América Latina. Com a nova sede já em ordem para receber o público até o dia 15, ela vai logo ao que interessa: o que será visto nos telões dos seis pontos de exibição do evento — Cidade das Artes, Cine Odeon, Auditório do BNDES, Maison de France, Oi Futuro e Ponto Cine. 

O longa-metragem ‘Sound of the Sea’ está entre as atrações do festivalDivulgação


“Olha esse, que lindo... Olha aquele, que incrível...”, se empolga a idealizadora, com seu sotaque mineiro. Entre os 450 curtas e os oito longas, existem os mais variados temas e técnicas. Mas um assunto foi, disparado, o que mais chamou a atenção dos curadores. “Filmes de todos os países que recebemos (foram 40 no total) falavam sobre a conectividade”, diz Aída.

Alguns abordam o tema de forma engraçada, como o curta americano ‘Aria For a Cow’, de Dan Lund. No desenho, uma vaca chama a atenção de um menino que vive com um fone no ouvido, desligado de tudo, para a importância do que está ao seu redor. Já o israelense ‘Luma’, de Carmel Ben Ami e Sohini Tal, retrata a comunicação virtual prevalecendo sobre a física.

“Com as novas tecnologias, até a forma de se relacionar mudou. A gente tem que prestar atenção nisso para não se perder”, alerta Aída, que também enxerga o lado bom do avanço. “É muito doido como tudo está acontecendo. Em 50 anos, fomos do rádio a válvula à impressora 3D. Sou fascinada por isso!”, exclama ela, lembrando da animação francesa dentro da seleção, ‘Chase Me’, de Gilles-Alexandre Deschaud — um clipe musical todo feito em stop motion, com bonecos criados a partir de uma impressora 3D.

A menina dos olhos do festival são os curtas. Mas os longas estão cada vez mais presentes na programação. Este ano, pré-estreias como ‘O Pequeno Príncipe’, exibido no último Festival de Cannes, são destaques. “Outra coisa muito legal, que sempre fazemos, é trazer profissionais de renome”, ressalta Aída. Não à toa, o diretor de ‘O Pequeno’, Mark Osborne, estará presente, além de vários outros, como o brasileiro Rodrigo Gava, que lançará ‘Nalticus — A Primeira Aventura de Colombo’.

“Vimos vários filhotes nossos se tornando grandes animadores. Por isso é tão importante esse espaço. Nosso mercado está engatinhando ainda, mas crescendo. Isso é resultado de muito trabalho, ao longo de mais de duas décadas”, comemora. 

UM BOM FILHO À CASA TORNA

Quando o Anima Mundi começou, há 23 anos, a produção de filmes animados era irrisória no Brasil. Ao longo dos anos, o festival se tornou o maior do tipo na América Latina, além de impulsionar uma geração de profissionais no ramo. Um dos nomes que brotaram desta ninhada — carinhosamente chamados de ‘filhotes’ pela idealizadora Aída — é Pedro Ivo.

Nascido em Niterói, em 1986, ele cresceu participando das maratonas anuais do Anima Mundi. Por isso, esta edição é mais do que especial para ele, que lançará nela seu primeiro curta, ‘Vagabond’. “Era ainda a primeira edição, no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), e a mostra era bem pequena. Não foram os filmes que me marcaram tanto nessa época, mas sim as oficinas”, recorda ele, que emenda: “O festival foi minha primeira escola de animação.”

Com o tempo, ele foi criando uma rede de amigos nas edições do Anima. Além de fazer questão, mesmo que tímido, de conversar com os profissionais convidados, como Peter Lord ou o russo Alexander Petrov. Na hora de ingressar na faculdade, o jeito foi fazer Cinema, o curso mais similar à animação na época. Mas acabou na escola The Animation Workshop, na Dinamarca, onde ganhou uma bolsa de estudos e acaba de se formar.

Agora, o resultado dessa saga se materializa em ‘Vagabond’, no mesmo evento onde tudo começou. “Queria contar a história de um morador de rua chamado Dinim, que eu conheci na minha cidade natal”, diz ele sobre sua inspiração.

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