Ricardo Cota: Festival de cinema contra a bomba atômica

Mais do que um festival, é um ato pela paz e que mostra a força conscientizadora do audiovisual

Por tabata.uchoa

Rio - Na mesma semana em que Irã e seis potências mundiais chegaram a um acordo nuclear histórico, o Rio de Janeiro abriga um Festival Internacional de Cinema voltado justamente para a conscientização dos efeitos nocivos da radioatividade no mundo. Trata-se do Uranium Film Festival, que reúne 19 filmes de dez países, entre curtas, médias e longas.

Registro de uma bomba atômica perdida do filme ‘Flecha Quebrada’Divulgação

Em sua quinta edição, o Uranium acontece na Cinemateca do Museu de Arte Moderna, no Aterro do Flamengo. De acordo com a organizadora do evento, Marcia Gomes, a cerimônia de abertura, que ocorre hoje às 15h, lembrará os 70 anos do lançamento da primeira bomba atômica, justamente no dia 16 de julho de 1945. “Ao contrário do que muitos pensam, a primeira bomba atômica não foi lançada em Hiroshima, mas sim em Trinity, Novo México, como teste do efeito nuclear na guerra”, registra Márcia.

O filme de abertura, ‘Hiroshima, Preces de uma Mãe’, é um documentário de 30 minutos que conclama à paz mundial a partir dos depoimentos de uma mãe sobrevivente da explosão nuclear. Às 17h, será exibido ‘11:02 de 1945 — Retratos de Nagasaki’, com a presença do diretor Roberto Fernandez. O título se refere à hora em que a bomba foi lançada em Nagasaki, e o filme conta com o depoimento de três sobreviventes que vieram morar no Brasil.

Amanhã, o dia será dedicado a uma reflexão sobre os efeitos nucleares provocados pelos acidentes de Chernobyl e Fukushima. Dentre os destaques, estão ‘Ordinary Lives’, de Taizo Yoshida, documentário que aborda a dificuldade de manter os habitantes de Fukushima longe das áreas de radioatividade, e ‘Inseparable’, série de ficção do ucraniano Vitaliy Vorobyov, premiada no Chicago International Film Festival Television Awards do ano passado, que aborda o impacto da tragédia nuclear de Chernobyl no cotidiano dos adolescentes locais.

No momento em que um novo acordo mundial obrigará o Irã a reduzir sua capacidade de produção de urânio em um terço, o Uranium Film Festival chega para reforçar a importância da atenção mundial para o tema. Mais do que um festival, é um ato pela paz e que mostra a força conscientizadora do audiovisual.
AÇÃO!

E a semana de boas novidades cinematográficas prossegue no Cine Joia, com a realização da Segunda Mostra Joias do Cinema Alemão, realizada em conjunto com o Instituto Goethe. De 16 a 22 de julho, serão exibidos sete filmes da mais recente safra da produção alemã. Uma boa dica é ‘Bornholmer Strasse’, comédia inusitada sobre dois guardiães do Muro de Berlim às vésperas da queda, em 1989. O Cine Joia fica na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 680, subsolo. Informações: 2236-5671.

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