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Michael Sullivan retorna com repertório infantil em novo CD

Coautor de ‘He-Man’ (do verso ao lado), Michael Sullivan marcou as vidas de vários novos nomes com suas músicas. “O Belutti (da dupla com Marcos) tem o Castelo de Grayskull em casa até hoje. Mandou até foto pra mim!”

Por karilayn.areias

Rio - Os anos 1980 não teriam sido os mesmos sem Michael Sullivan — e, justiça seja feita, sem seu ex-parceiro Paulo Massadas também não. Especialmente para as crianças da época, já que boa parte do material que compunham ia para os cantores infantis da década. E esse repertório renasce agora no CD ‘Carrossel de Esperança’, que traz clássicos seus interpretados por Thaeme & Thiago (‘Pra Ver Se Cola’), Dream Team do Passinho (‘Parabéns da Xuxa’), Marcos & Belutti (‘He-Man’) e um time de cantores gospel, com Pregador Luo, Daniela Araújo, Regis Danese e a mulher Anayle Sullivan em ‘Amigos do Peito’ (gravada originalmente pelos Trapalhões e tema do ‘Criança Esperança’).

Michael Sullivan Divulgação

“Tem gente que me fala que, quando era criança, não tinha dinheiro para comprar um brinquedo, mas ouviu ‘Lua de Cristal’ (o hit da Xuxa, dos versos “tudo o que eu quiser/o cara lá de cima vai me dar”) e isso deu mais esperança. E dá esperança não só para a criança, dá para o adulto também”, conta o cidadão Ivanilton de Sousa Lima, 40 anos de carreira, que adotou o nome artístico Michael Sullivan em 1976, ao gravar o hit ‘My Life’, em inglês.

Sullivan revela que até hoje, em shows, essas músicas são pedidas por gente que está com 40 anos — e que os filhos dessa geração ainda curtem as canções. “Pode ser numa festa agropecuária, num lugar fechado, ou numa festa no meio da rua, sempre pedem”, diz. Existe alguma explicação para o sucesso?

“A vida é muito difícil. Neste país, mais ainda. Você se forma, vai à luta em busca de emprego. Antes, você se perguntava: ‘O que eu vou ser quando crescer?’. É uma pergunta muito forte para a criança, para o adolescente. E depois disso, vem o: ‘O que vai ser de mim agora?’”, teoriza, recorrendo à letra de ‘Uni-Duni-Tê’, sucesso composto por eles e gravado pelo Trem da Alegria (e não resgatado para o novo disco) para exemplificar.

“‘Eu quis saber da minha estrela guia/onde andaria o meu sonho encantado’. Era um tema infantil, ou adolescente, mas com melodia adulta. Se você escutar como criança uma música dessas, mesmo sendo adulto e bem sucedido, a música entra como um foguete no coração, e você volta a todos os seus sonhos de criança”, teoriza. “Nos anos 1980, as crianças adoravam e os pais também. O segredo é que você tem um copo vazio e pode enchê-lo com guaraná, champanhe. E a gente enchia o copo de emoção”.

ETERNAS CRIANÇAS

A lista de convidados ainda traz Michel Teló com ‘Carrossel de Esperança’, Bruno do Sorriso Maroto com ‘Sonho de Amor’, Buchecha com ‘Brincar de Índio’, Lexa e MC Guimê com ‘Certo Ou Errado’, Solange Almeida com ‘Iô-Iô’ e o próprio Michael Sullivan dividindo os vocais com Thiaguinho em ‘É De Chocolate’. Uma turma que cresceu ouvindo todo esse repertório.

“Imagina, o Belutti me disse que até hoje tem o Castelo de Grayskull (do desenho ‘He-Man’) montado na casa dele, e que ninguém nem mexe. Me mandou até foto!”, conta Sullivan. “Thaeme e Thiago me lembraram Amanda e Juninho Bill (do Trem da Alegria). Ludmilla me emocionou muito. Vejo todos como crianças cantando, porque ainda são crianças”, conta. “O Dream Team do Passinho sabe tudo do Michael Jackson, da era da Motown. Dançaram iguais a eles. Era como se eu visse as Paquitas ali na minha frente de novo. E ainda teve o Thiaguinho cantando ‘É de Chocolate’, que foi a primeira canção infantil que eu fiz. Botava meus filhos para dormir com ela”.

DISCO DA XUXA

Entre os principais artistas infantis a lançarem músicas de Sullivan estavam Trem da Alegria, Patricia Marx (que veio do Trem) e Xuxa — o repertório do novo CD veio em grande parte dos discos deles. Foi o auge da parceria de Sullivan e Massadas, que durou até os anos 1990. Até então, Sullivan tinha sido de bandas como Fevers e Renato & Seus Blue Caps, fizera carreira solo e passara vários anos tocando em bailes.

“O baile era pop, a gente tinha que tocar de tudo. Sou um cara da MPB pop, da música infantil pop. Tinha que tocar no baile uma rodada de música infantil, porque o adulto adorava”, conta ele, que continua acompanhando a carreira de Patricia e de Xuxa — a primeira, hoje mais ligada ao pop eletrônico, e a segunda, refazendo-se após a ida para a Record TV. “A Patricia depois apostou no repertório adulto, se perdeu um pouco, mas é um nome nacional até hoje. E a Xuxa, se gravar um disco hoje, vende para todo mundo. Ela faz sucesso quando ela quiser”. 

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