Depois do sucesso de O Sol, Vitor Kley mistura violões e batidas eletrônicas em Morena

Apoiado inicialmente por Bruno (da dupla com Marrone) e Armandinho, Vitor Kley tem hoje o irmão Bruno como empresário e segue a onda acústica que conquista fãs na música pop nacional. "Mas os remixes dos DJs abrem muitas portas", diz

Por RICARDO SCHOTT

Vitor Kley lança música nova
Vitor Kley lança música nova -

Rio - O número de Vitor Kley é 37.943.076. Calma: não é telefone do rapaz. É, tudo somado, o número de vezes que o grande hit do novo astro pop, 'O Sol', lançado no ano passado, foi executado no Spotify. E isso contando o original e os remixes da canção. No YouTube, já foram mais de 40 milhões de visualizações, além da divulgação de famosos como Neymar nas redes sociais. E 'Morena', parceria de Vitor com o DJ Bruno Martini, saiu no começo do mês e já está em 177 mil visualizações (além das mais de 450 mil audições em streaming). Será que vem mais um sucesso por aí, Vitor?

"Os números são uma consequência da galera que ouve, né? Eu faço a música e ela não pertence mais a mim. Fico feliz que tenham gostado", brinca Vitor, 23 anos, gaúcho de Porto Alegre que passou parte da infância em Novo Hamburgo e, aos 11, foi para Balneário Camboriú. "Fiz 'O Sol' em 2016 e desde cedo ficou claro para mim que ela era uma música especial. Se todo mundo curtiu, só tenho mesmo é que agradecer".

Vitor surge numa época em que a música acústica, de violão e ukelele, pronta para ser cantada numa rodinha (à beira da praia, talvez) está fazendo bastante sucesso. Até mesmo a música sertaneja deu um abraço nessa mistura, por intermédio de artistas como Lauana Prado e Matheus & Kauan. E nomes como Vitor, Gabiel Elias, Melim e, de certa forma, Anavitória seguem à frente do som predominantemente desplugado.

"Poxa, verdade, é um momento, né? Os caras do Melim são meus brothers. As pessoas têm fases, a música é muito ligada aos nossos sentimentos. Não é sempre que a gente tá feliz, todo mundo tem seus momentos de melancolia. E nesse momento tá todo mundo contente", conta Vitor. Lançando uma música ao lado de um DJ, ele conta que a dualidade dia-noite tem favorecido suas músicas. "As baladas estão 'pegando' muito, com certeza. Mas os remixes abriram muitas portas pra 'O Sol'. Como a galera tá saindo muito à noite, eles ouvem a música nas pistas".

DEZ ANOS

Em Balneário Camboriú, Vitor começou a se envolver com música. "Minha mãe tem o ouvido muito musical. Sempre tocou piano, violão, me ensinou dois acordes. Acabou me botando em escola de música. Viram que eu gostava de escrever, de botar meus sentimentos para fora. Depois meu pai me deu uma guitarra. Ele escutava muito Supertramp, minha mãe sempre ouviu Queen, meu irmão sempre escutou bandas internacionais", conta Vitor, que fez a primeira música aos 10 anos. E cita Chorão, do Charlie Brown Jr., como influência. "Fui a shows e vi muito DVD deles. O Chorão cantava o que vivia".

A primeira chance na música veio pouco depois disso. Aos 13, bem antes de 'O Sol', ele gravou seu primeiro disco, 'Eclipse Solar', com ajuda de Bruno (da dupla com Marrone) e a produção de Deio Tambasco, além de participações de nomes como Dudu Borges (produtor e arranjador ligado ao sertanejo). Não chegou a acontecer. "O Bruno falou para um amigo do meu pai: 'Investe nesse moleque que ele vai dar certo'", conta Kley. Não era um disco sertanejo, mesmo com Bruno dando apoio.

"Pode ser que tivesse um pezinho lá, meu som era até bem diferente. Mas sempre fui do pop rock. Não queria nada muito diferente disso. O Bruno foi meio que o conselheiro, ficou dando o caminho de onde me levar. Eu era muito novo, também", conta o cantor, que pouco depois disso, aos 15 anos, começou a tocar em bares, na noite.

PAIXÃO DE MOLEQUE

Nessa época, o cantor de reggae sulista Armandinho, do hit 'Desenho de Deus', viu Kley tocando ao vivo e produziu seu segundo disco, 'Luz a Brilhar' (2012). "Fiquei cerca de quatro anos tocando com ele e ficou disso uma grande amizade. Depois disso fiquei um mais um ano independente, e participei de uma coletânea do selo Midas Music", conta, sobre a gravadora do produtor Rick Bonadio.

A essa altura, Vitor descobriu que o empresário ideal estava do seu lado o tempo todo e era o irmão, Bruno. "Foi ele quem mandou o meu material pro Midas. Gravei uma música autoral na coletânea e o Rick me chamou para conversar. Veio 'O Sol' e depois veio 'Armas A Nosso Favor'. E estamos aí até hoje", brinca Vitor.

A letra de 'Morena' fala de uma "paixão de moleque" de um garoto da Zona Oeste de São Paulo por uma menina da Zona Sul carioca. "É uma coisa do cotidiano mesmo. O Rick e o Helinho (o músico e diretor de marketing Helio Leite) me botaram em contato com o Bruno Martini. Muita gente o conhece só como DJ, mas Bruno é um grande produtor. Falo sempre que ele é um geniozinho", brinca Vitor.

A agenda movimentada de Kley tem deixado pouco tempo para o lazer. "Sempre adorei praia, ficar só de bermudão e óculos escuros. É meu estilo de vida, tenho até saudade disso", conta o músico. E para namorar, tem dado tempo? "Tô solteiro, vivendo uma fase legal e aproveitando a vida", diz.

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Vitor Kley lança música nova Divulgação
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