Sergio Guizé, Deborah Secco, Daniel Boaventura e Alessandra Negrini nos bastidores do filme 'Mulheres Alteradas' - Ariela Bueno/Divulgação
Sergio Guizé, Deborah Secco, Daniel Boaventura e Alessandra Negrini nos bastidores do filme 'Mulheres Alteradas'Ariela Bueno/Divulgação
Por Gabriel Sobreira

Rio - Deborah Secco é a vilã que arma todas para sabotar a mocinha na novela das 21h, 'Segundo Sol'. Alessandra Negrini vive a antagonista que tira a paz de todos os personagens ao seu bel-prazer em 'Orgulho e Paixão', a trama das 18h, da Globo. Juntas, as atrizes estrelam ao lado de Monica Iozzi e Maria Casadevall o filme 'Mulheres Alteradas', que chega aos cinemas na próxima quinta-feira.

"Alterada é a mulher em transformação. Não é uma mulher maluca. E tudo me altera. Estou em constante transformação. Somos máquinas de aprendizado. A única coisa, além da morte, de que eu tenho certeza é que vou passar o resto da minha vida aprendendo e mudando de opinião", destaca Deborah. "Toda mulher é alterada, somos alteradas pela lua, pelos hormônios, pelas situações. Somos permanentemente alteradas e sempre em transformação", acrescenta Alessandra.

O FILME

No longa dirigido por Luis Pinheiro, quatro mulheres passam cada uma à sua maneira por típicas crises existenciais. Marinati (Alessandra Negrini) é a que trabalha demais, Keka (Deborah Secco) é a que tenta salvar o casamento, Leandra (Maria Casadevall) é a que acha que nunca vai casar ou ser mãe, e Sônia (Monica Iozzi) é uma jovem mãe que acha que nunca mais vai aproveitar a vida.

Quando foi convidada para o projeto, Deborah Secco teve a possibilidade de escolher qual das quatro personagens ela gostaria de interpretar. "A Marinati é muito o que eu fui a vida inteira, workaholic que se apaixona, é um personagem maravilhoso, mas que quando se apaixona se ferra e aí evita, estraga a vida. É muito eu. Lugar comum. A Sônia era o lugar comum mais próximo porque eu estava ali vivendo a crise de achar que eu só ia ser mãe para o resto da minha vida, que eu não conseguiria mais sair de casa, me divertir e ser feliz", lembra a atriz.

TODAS EM UMA

"A Leandra eu tinha total identificação com a minha crise dos 30, antes de engravidar. Achei que errei no timing, que eu não ia casar, não ia ter filho. Eu já tinha passado por alguns casamentos falidos, mas ela vê a vida de forma muito diferente da minha. Nunca fui aquele tipo de pessoa que luta para o bem-estar do casamento. Quando começou a dar ruim, ok, deu ruim. Eu reclamava de tudo. Eu não sei terminar, era uma forma que eu dava para as pessoas se livrarem de mim, mas nem sempre funcionou. Aí, vi que a Keka era diferente de mim e optei por ela", explica Deborah, aos risos.

VIDA SEXUAL

Mãe da pequena Maria Flor, de 2 anos, fruto do casamento com o também ator Hugo Moura, Deborah fala que o drama da personagem Sônia (Monica Iozzi) que tem filhos pequenos e sem vida sexual ativa é um desafio. "(Sexo no casamento depois dos filhos) fica mais difícil, mas temos que criar condições propícias para isso. Porque as condições iniciais não são, é uma loucura, mas vamos criando, rodando pratinho", brinca.

COR-DE-ROSA

O caso da colega de cena, Alessandra Negrini, não foi muito diferente. "Me identifico com todas, já tive um pouquinho de cada uma", conta ela, que interpreta a Marinati. "Ela não escolhe entre a carreira e o amor. Tem uma hora que a coisa (amor) acontece, como acontece para todos. No auge da paixão ela só vê o mundo cor-de-rosa, fica apaixonada", entrega. "O público pode esperar risadas, coisas inacreditáveis que somos capazes de fazer por amor, cenas hilárias e surreais. Ela paga muito mico", acrescenta.

MAIS MULHERES

Em comum, as atrizes ressaltam o momento importante que a sétima arte passa com um filme protagonizado por mulheres e falando sobre assuntos de mulher. "É um grito feminista que a gente precisa nessa hora. Sofremos muito em busca de bons papéis femininos. Tem muito mais bons papéis para homens do que para mulheres. Os salários dos homens são melhores do que os nossos. Temos que lutar e nos unir. Acho que é o momento propício, tem o filme 'Oito Mulheres e o Segredo'. É o momento em que o mundo luta por essa causa feminista e estamos aqui fazendo a nossa parte", frisa.

"O mais importante é poder falar, dividir, estar junto. As mulheres hoje estão unidas. Isso é o que conta. Então, vamos falar de assunto de mulher, vamos discutir as nossas questões. Essa união é o que realmente traz a força. Espero que esse filme propicie que as mulheres riam de si mesmas, que percebam que todas vivem as mesmas coisas e que não estamos isoladas", torce Alessandra.

NOVELAS

Quando o assunto é a sua personagem Susana na novela 'Orgulho e Paixão', Alessandra Negrini é só elogios à trama e ao elenco. "Essa novela é uma delicia, muito bem escrita, dirigida. A Susana é muito gostosa de fazer porque tem muito estilo e muitas faces, ela não é óbvia e acho bem legal", comemora.

"Torço para ela aprontar até o fim da novela e se dar bem. No final, eu não sei o que vai acontecer, mas como a personagem é muito divertida e sai de todas as situações com muito bom humor, acho que até no final ela vai conseguir se safar. Tenho essa impressão", confidencia, aos risos.

Já Deborah conta que tem adorado a reação do público à sua vilã ("Amam odiá-la", diz a atriz). Nos próximos capítulos, a personagem Karola vibrará antes da hora por ter conseguido separar o filho, Valentim (Danilo Mesquita), da garota de programa Rosa (Leticia Colin). "Rosa vai ser uma pedra no sapato de Karola. Não quero isso (Rosa) para ele (Valentim). Queremos para os nossos filhos o melhor do mundo, não o que a gente viveu", justifica, com humor.

E qual a dica que daria para Karola? "Amor, larga desse homem (Beto, vivido por Emilio Dantas), pega o dinheiro e vá para fora do Brasil".

Você pode gostar
Comentários