Jéssica Ellen - Carolina Merat/Divulgação
Jéssica EllenCarolina Merat/Divulgação
Por Gabriel Sobreira

Rio - Filha de mãe carioca e pai paraibano; neta de avó baiana e avô mineiro. A atriz Jéssica Ellen sempre quis saber de onde veio a ancestralidade dela. Com o passar dos anos isso foi ficando ainda mais latente. Muitas perguntas, poucas respostas. E foi na música que ela encontrou como expressar esse sentimento, essa inquietude. Hoje, às 19h30, ela se apresenta no Teatro Rival, na Cinelândia, em seu primeiro show aberto ao público para o lançamento do álbum 'Sankofa' que na tradição africana significa a sabedoria de aprender com o passado para construir o futuro.

'SANKOFA'

Cada música tem uma propósito, inclusive a ordem no álbum. "Em 'Madá', que fiz para minha avó materna, Madalena, é fruto das histórias que ouvi de minha mãe sobre ela. 'Foguete' é a música que escolhi para falar sobre a presença da ausência paterna na minha criação. Em seguida, 'Didún Orin Pasè (Doce cantiga de ninar)', que fiz sobre meu encontro com o candomblé, abre o conjunto sobre a minha jornada individual. O CD acaba com uma grande homenagem aos erês, às crianças, com 'Jongo do Fogo', mostrando que a vida é um grande ciclo, iniciado com os mais velhos e que segue com os que vêm depois de nós", explica Jéssica, que assina a idealização e a direção artística do projeto. "Contei com a superajuda do Rafael dos Anjos, produtor e diretor musical do meu primeiro CD, e fez os arranjos mais lindos do mundo", derrete-se.

ESTILO

Como você classificaria o seu estilo? "De MPB, mas abraça outros ritmos. Quando pensei na ideia desse projeto, não queria me limitar. Tem coco, jongo, sambas", conta a atriz, que está reservada para 'Troia', novela das 21h escrita por Manuela Dias, que estreia no segundo semestre de 2019.

"Só sei que estou reservada, não sei nada da personagem. Eu também fiz 'Assédio' (minissérie). A minha personagem é Daiene. Ela sofre assédio do próprio patrão e acaba o denunciando. Quando ela sofre a violência, sai correndo da sala de consultório e volta para pegar a bolsa. Não pensa em emprego, filhos para criar, marido desempregado, age por impulso", adianta.

OBRA

Em maio, Jéssica investiu bastante suas economias e fez um show para familiares e amigos com presença de Taís Araújo e Lázaro Ramos. "Foi emocionante. Fiquei feliz e surpresa. Muita gente não sabe que eu canto. Estou com um projeto de um segundo disco para daqui a cinco anos", avisa ela, que ouve do público que se identifica com as histórias contadas em seu CD. "A fama e o destaque só são válidos se toco verdadeiramente as pessoas. Se conhecem a minha cara e querem ouvir o que tenho a dizer, tenho que acrescentar algo de positivo à humanidade. Na TV, faço personagens, idealizados por outros. Agora tenho uma obra minha, com que as pessoas se identificam e que deixarei no universo", frisa.

Toda essa preocupação foi levada até no material de divulgação do álbum. Na foto da capa do CD, Jéssica aparece nua em pose fetal. "Pedi para que a fotógrafa Lili Soares não usasse Photoshop. Ali estão minhas celulites e estrias, e o padrão de beleza é muito forte para as mulheres. Mas acho que o processo fala sobre o empoderamento. E quando vi o material, percebi que era isso mesmo que eu queria: questionar esse padrão de beleza e deixar o mais natural possível", defende.

TURNÊ

Quando o assunto é influência musical, Jéssica cresceu ouvindo dentro de casa divas como Whitney Houston, Alcione, Maria Bethânia e Clara Nunes, entre outras. "Para o disco, bebo muito da fonte da Mariene de Castro. Me identifico muito com o jeito que ela canta, a estudei bastante, sou fã. Sempre que a encontro, tieto e peço foto", confessa, aos risos.

Acostumada a fazer cenas de personagens cantando, a atriz afirma que é diferente quando se despe de qualquer papel e pode ser ela mesma. "A sensação é libertadora. Descobri uma segunda profissão", destaca. Tem planos de fazer turnê com o show? "Penso sim, mas tem que ganhar patrocínio. Mas vamos jogar para o universo, e tomara que venha. Axé", deseja.

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