Araci Breckenfeld (alto) em 'Nabila': temas como amor e heroísmo - Daniel Barboza
Araci Breckenfeld (alto) em 'Nabila': temas como amor e heroísmoDaniel Barboza
Por BRUNNA CONDINI

Rio - Hoje se comemora o Dia dos Avós, bom para ficar mais perto dos que estão por aqui e de acessar as lembranças dos que já se foram. Em sua maioria, lembranças amorosas, imersas em afeto e aconchego. Como no espetáculo 'Nabila', em cartaz até 29 de julho, no Teatro Glauce Rocha, no Centro.

A peça exalta o arquétipo da mulher sábia, a figura feminina, que tanto pode ser a da mãe quanto a da avó, e traz para a cena assuntos como a morte, o amor e o heroísmo cotidiano da mulher comum.

A protagonista é uma avó (Nabila) vivida pela atriz Araci Breckenfeld, de apenas 32 anos. "Minha composição, assim como do elenco, Mariana Queiroz, Natally do Ó e Thiago Carvalho, do Carranca Coletivo, foi construída em cima de um processo colaborativo em que trouxemos muitas memórias familiares nossas e de pessoas que entrevistamos", detalha Araci.

"A escolha das diretoras Fernanda Báfica e Juracy de Oliveira foi pelo caminho de evitarmos uma composição de fora pra dentro e trabalharmos o corpo energético da personagem", completa.

MEMÓRIAS

O elenco vive a história de três gerações de uma família que se comunica através das mulheres, que passam adiante suas histórias. Tudo gira em torno de narrativas que inspiram. E Araci não para de ouvi-las, mesmo em cartaz.

Antes de cada sessão, ela faz uma performance na porta do teatro em que fica na calçada, sentada em uma cadeira antiga, com seu figurino de avó e uma plaquinha em que se lê: 'o que lembra da sua avó?'

"Tem sido surpreendente poder me emocionar com o público. A arte na rua tem dessas belezas", diz. "Teve um rapaz que andava na Avenida Rio Branco e gritou de longe: 'bolinho de chuva!'", conta, lembrando que ele se emocionou com a saudade da avó.

Araci salienta ainda o questionamento que a peça traz: Quem são as mulheres que habitam em você?

"Desejamos que as pessoas, ao verem 'Nabila', possam de alguma forma se conectar com as mulheres que as habitam. Convidamos a plateia a mergulhar conosco num mar de memórias e afeto pelas figuras femininas de nossas vidas. É urgente que a reconciliação do feminino e do masculino categorias que estão para além do ser homem ou ser mulher aconteça e se concretize no âmbito social, familiar, relacional, pessoal, psicológico", analisa a atriz, sobre o texto que propõe uma jornada pela memória coletiva.

E exalta sobre o 'heroísmo' feminino de cada dia. "São muitas as lutas, e as mulheres são heroínas até em ações corriqueiras, como andar na rua, vivendo constantemente o medo de integrar as estatísticas de estupro ou violência doméstica. Ou o medo de ter um salário menor só por ser mulher, ou o medo de ser julgada pela forma de se vestir ou se comportar", diz.

Você pode gostar
Comentários