Rita Cadillac vive cartomante em série de TV

Ex-chacrete diz viver um momento especial. 'É um sentimento de vitória', celebra

Por Gabriel Sobreira

Rita Cadillac
Rita Cadillac -

Acostumada a fazer participações pontuais em séries e demais programas de TV, Rita Cadillac vive um momento especial na carreira. Recentemente, ela gravou um piloto como cartomante trambiqueira em 'Salve-se Quem Puder', série que tem no elenco Lucélia Santos e é negociada com um canal por assinatura. E, aos 64 anos, ela surge nua como uma das protagonistas de 'Luz Del Fuego', peça em cartaz até outubro em São Paulo.

"É claro que é difícil (ficar nua), mas já estou acostumada, que nem me incomodo. Não liguei (para ficar nua) porque a peça pede. Ela (Luz Del Fuego) tinha uma colônia de nudismo, andava nua e as minhas cenas se passam na ilha. Nada de ter que emagrecer. Na época, as mulheres eram mais rechonchudinhas, não eram magras", conta a atriz, que interpreta a fase envelhecida, triste e decadente da dançarina, naturista, atriz, escritora, feminista e defensora do sexo livre Dora Vivacqua (1917-1967), que ficou conhecida como Luz Del Fuego. "Estou querendo levar o espetáculo para o Rio. Muitos fãs pedem. E não apenas no Rio, mas em várias capitais também. Tem que perguntar ao Julio (Kadetti, autor da produção)", desconversa, aos risos.

CONVITE

Quando Kadetti procurou Rita com a ideia da peça, a dançarina ficou surpresa. "Eu falei: 'você está louco? Tem certeza?'. Como ele disse que sim, eu topei. Foi a primeira vez que subi no palco de teatro, uma coisa totalmente diferente do que já fiz na minha vida. Bateu receio, medo. Pensei: 'será que tenho capacidade para isso?'. Mas depois encarei", lembra.

SUPERAÇÃO

Luz Del Fuego era natural de Cachoeiro de Itapemirim (ES) e vinha de uma família abastada. Ela fugiu para o Rio de Janeiro depois de ser violentada pelo cunhado e ser internada como louca. No Rio, ela ganha notoriedade e defende causas como aborto, homossexualidade, nudismo e liberdade sexual.

"Ela foi uma mulher bem à frente do tempo dela, enfrentou a sociedade, brigou com a família tradicional. Me vejo parecida com ela em algumas partes, de brigar com a vida para ser feliz, o fato de ser bailarina. Só não tinha a cobra (Luz Del Fuego amestrava serpentes), tudo bem. Defender a liberdade sexual das mulheres sempre foi muito a minha praia também", analisa Rita.

ENFRENTAMENTO

O espetáculo conta com a participação do novelista Aguinaldo Silva. Ele conheceu pessoalmente Luz Del Fuego e gravou previamente áudios para a peça, que mostra não apenas a história da artista, mas a relação dela com quem influenciou direta ou indiretamente em suas ações. Além disso, a produção retrata o fim trágico da atriz, que sendo feroz combatente da ditadura militar, refugiou-se em sua colônia de nudismo na Ilha do Sol, em São Gonçalo, e foi assassinada de forma misteriosa.

Para Rita, tanto viver Luz Del Fuego quanto a cartomante na série de TV só evidencia um momento especial em sua carreira. "Estão me vendo como atriz", comemora ela. "É um sentimento de vitória", vibra a intérprete que, para fazer bonito no palco, ensaiou por mais de um mês e meio.

NOVELA

Já teve vontade de desistir da carreira artística? "Várias vezes pensei em sair do holofote. Quando fiz os filmes adultos, foi uma reviravolta. Foi o contrário, porque eu pensei que ia acontecer uma coisa e acabou dando uma reviravolta na minha vida", lembra ela, que é rápida em dizer o que ainda falta fazer. "Falta uma personagem em uma novela, inteira. Estou torcendo. Quem sabe o Aguinaldo Silva (que escreve 'O Sétimo Guardião', novela das 21h, que estreia em novembro, na Globo) lembra de mim?", sonha ela, aos risos.

Galeria de Fotos

Rita Cadillac Lucas Ávila/Divulgação
À esq., Rita Cadillac como a cartomante trambiqueira na série 'Salve-se Quem Puder'; acima, com o autor Aguinaldo Silva, e com Lucélia Santos e Julio Kadetti. Abaixo, à esq., a atriz na peça 'Luz Del Fuego' Reprodução
Aguinaldo Silva e Rita Cadillac Divulgação
Rita Cadillac no espetáculo 'Luz Del Fuego' Divulgação
Rita Cadillac Lucas Ávila/Divulgação
Lucélia Santos, Julio Kadetti e Rita Cadillac Reprodução

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