O novo álbum já está disponível nas plataformas digitais e resgata a essência das boas rodas da cidadeReprodução / Instagram
Curicica é como um sub-bairro de Jacarepaguá, nossa área de origem. O local é um bar que frequentamos, onde nos sentimos em casa, com clima de boteco, chope gelado e proximidade com o público. Por ser pequeno, trouxe de volta aquela sensação dos palcos próximos de 20 anos atrás. É nossa raiz: o bairro, os amigos, o lugar onde sempre estivemos. Ali está nossa identidade, nossa fonte e nosso conforto.
É o modo operante do Bom Gosto misturar referências antigas com novidades. Gostamos de resgatar nossa raiz, mas também de olhar para novos compositores. Se a música tem a ver com nossa identidade, gravamos, independente de ser recente ou de 30 anos atrás. Em alguns projetos há mais inéditas, em outros mais regravações, mas estamos sempre nessa órbita, ouvindo nossas referências e atentos aos novos sotaques.
Foi um dia inesquecível, um dos mais importantes da nossa vida e carreira. Alcione é uma grande referência, uma professora, uma estrela da música brasileira. Difícil até explicar o que sentimos naquele dia. Foi uma catarse, uma explosão de emoção que ficará guardada para sempre. Foi um presente de Deus para nós.
Como a presença da Alcione transformou a faixa e o projeto? E o que aprenderam com ela?
Ela transforma tudo. É um ser iluminado, diferenciado, que veio ao mundo para cantar. Só a presença já carrega sua história e sua carreira. Quando canta, é uma aula de interpretação, afinação e improvisação. Sua força e energia mudam completamente o ambiente. Sem ela, a música seria outra. Tivemos a bênção de ter Alcione transformando todo o projeto. Aprendemos muito sobre entrega, generosidade e respeito à música. A Alcione é gigante não só pelo talento, mas pela postura, pela humildade, pela forma como trata todo mundo. A gente saiu maior dessa experiência.
Mosquito, Jorge André, Carlos Caetano e Zé Roberto também participam do disco. O que motivou essas escolhas?
Todos eles fazem parte da nossa história como sambistas de alguma forma. São artistas que representam a tradição, a resistência e a qualidade do samba. E gostamos de cantar com gente assim, que nem a gente, que está antes de tudo, pelo samba.
Tem algum momento das gravações que consideram inesquecível?
Sim. Teve um momento em que todo mundo, músicos, participações, equipe e público, estava cantando junto, sem microfone, só no coro. A gente se olhou e percebeu que aquilo ali era exatamente o motivo de tudo existir. Foi arrepio do começo ao fim.
Qual música do álbum sintetiza o espírito atual do Bom Gosto?
A primeira faixa, "Tá Nas Mãos de Deus / Malandro Sou Eu", sintetiza muito bem. Fala de fé, de seguir em frente e de acreditar, refletindo exatamente a fase que vivemos hoje.
2025 foi um ano simbólico para o grupo. Como resumiriam este ano profissionalmente?
Foi um ano de celebração, fechamento de ciclo e também de recomeço. Intenso, cheio de trabalho, emoção e conquistas importantes.
O que o público pode esperar do Bom Gosto em 2026?





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