Rio - Leona Cavalli voltará aos palcos cariocas com o espetáculo inédito "Elogio da Loucura", que estreia nesta quinta-feira (28) no Centro Cultural Banco do Brasil, no Centro. Baseado no ensaio do filósofo holandês Erasmo de Rotterdam, o texto é uma adaptação realizada pela artista em parceria com o diretor Eduardo Figueiredo.
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"Já fizemos alguns espetáculos juntos, sempre com muito sucesso. Nesse, nos apaixonamos pelo texto, inédito no teatro brasileiro, mas era o momento da pandemia e resolvemos fazer antes uma apresentação no circuito online, com a intenção de sentir como seria a receptividade da plateia. Para nossa grata surpresa, foi uma das peças mais vistas daquele período. Decidimos montar e tem sido uma 'loucura' como as pessoas embarcam na historia", recorda.
A atriz de 56 anos afirma que transformar um clássico filosófico em linguagem teatral foi um grande desafio, mas que desde a primeira leitura da enxergou a Loucura como uma personagem em potencial. "É impressionante como a peça se comunica com qualquer pessoa, de diversas idades, em todos os lugares. Realmente a loucura é popular, está em todas as pessoas e em todas as relações. Por isso é importante ser repensada, integrada e celebrada!".
Interpretar a própria Loucura exige uma entrega distante da construção de personagens mais realistas. "Ela não se apresenta como um ser humano louco, como outros personagens que conhecemos; mas de uma maneira completamente diferente, como uma deusa, lúcida, irônica e provocadora, que nos leva a reconhecer a loucura do mundo", analisa.
Leona revela que algumas reflexões de Erasmo de Rotterdam atravessaram o processo de criação do espetáculo e permaneceram ecoando durante a construção da personagem. Entre elas, uma ganhou significado pessoal ao longo da montagem. "O delírio dos que amam é o mais feliz de todos; quem ama não vive em si mesmo, mas inteiramente naquilo que ama".
A artista destaca que um dos aspectos mais impactantes de "Elogio da Loucura" é justamente a capacidade de dialogar com questões extremamente atuais, apesar de ter sido escrito há séculos. "O texto é totalmente contemporâneo, é impressionante sua atualidade. Fala da loucura nas amizades, nos casamentos, na política, na arte, na igreja, e até nas guerras feitas em nome de Deus...", detalha.
Segundo a atriz, a singularidade da obra de Erasmo está na maneira como a loucura é compreendida para além do sentido de doença ou descontrole. "O que torna o texto único é mostrar a loucura não como um desequilíbrio gerador de sofrimento; mas como um aspecto natural e presente na estrutura humana, quando aceito e integrado, pode se transformar em sabedoria e caminho de felicidade".
O humor e a ironia são elementos centrais não apenas da encenação, mas também ferramenta potente de crítica social e abertura de pensamento. "Rir ainda é o melhor remédio! Amplia horizontes e abre novas perspectivas. Como dizia Oswald de Andrade: 'A alegria é a prova dos 9'. Afinal, a única coisa que não muda na vida é a mudança constante...", diz.
Para completar o espetáculo, a trilha sonora é executada por Daniel Líbano e César LiRa, o que amplia a experiência sensorial do público. "A trilha, composta pelo grande Guga Stroeter, é feita por músicos ao vivo, com percussão e violoncelo, trazendo melodias e toques que evocam o profano e o sagrado, permeando a peça toda", ressalta.
Prestes a estrear, Leona relata que a expectativa com a personagem é estabelecer uma conexão direta com os espectadores ao longo da temporada do espetáculo. "O que amo é criar cumplicidade com o público! Descobrirmos juntos as loucuras nossas de cada dia", afirma.
Serviço
"Elogio da Loucura" Temporada: 28 de maio a 28 de junho Quando: Quinta a sábado, 19h; Domingo, 18h Local: Centro Cultural Banco do Brasil Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 - Centro Ingresso: a partir de R$ 15 (meia-entrada) Classificação: 16 anos