Vila Isabel levará para a Sapucaí instrumentos da época de Heitor dos Prazeres, homenageado no enredoDivulgação

A Unidos de Vila Isabel levará para o desfile na Marquês de Sapucaí, na terça-feira (17), três instrumentos que remetem diretamente à época de Heitor dos Prazeres: o ganzá, o agogô e o tamborim quadrado. Os instrumentos integrarão oficialmente a bateria da escola e serão inseridos em momentos específicos do samba, reforçando a proposta estética e histórica do desfile.
Com o enredo 'Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África', assinado pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinícius Natal, a Unidos de Vila Isabel propõe uma celebração da ancestralidade africana, dos fundamentos do samba e da trajetória de Heitor dos Prazeres, ícone da cultura popular brasileira e personagem central na consolidação da identidade do samba carioca.

A iniciativa de usar estes instrumentos nasceu a partir das pesquisas realizadas pelo mestre de bateria Macaco Branco e sua assistente, Thalita Santos, durante o processo de imersão no universo do multiartista. A proposta não será apresentada como número especial, mas incorporada à formação tradicional da bateria.

Thalita diz que a ideia surgiu após visitar uma exposição dedicada à trajetória de Heitor dos Prazeres. “Quando o enredo foi lançado, veio imediatamente à minha cabeça a imagem daquela exposição, especialmente o tamborim quadrado. Em vários quadros do Heitor aparecem sambistas com ele nas mãos. Aquilo ficou muito forte para mim”, afirma.

A partir daí, a dupla iniciou a busca por quem pudesse produzir os instrumentos com fidelidade histórica. O responsável foi o luthier Samuel, de Minas Gerais, especializado na confecção artesanal de instrumentos tradicionais.

"Ele já produz pandeiros sem tirante, aquela peça de metal que prende e afina a pele. Antigamente não existia isso. A afinação era feita no fogo, porque a pele era de couro. Os ritmistas, inclusive, levavam papel de jornal no bolso para aquecer o couro e evitar que o instrumento desafinasse durante o desfile. Era algo muito raiz”, completou a assistente de bateria.