Neste ano, a agremiação sai às ruas nos dias 14 e 17 de fevereiro, na Rua Gomes CarneiroReprodução

Rio – Considerado um dos blocos mais tradicionais do Carnaval carioca, a Banda de Ipanema vai celebrar 60 desfiles neste sábado (14), com concentração na Rua Gomes Carneiro, a partir das 15h. Na terça-feira (17), o cortejo acontece novamente pelas ruas de Ipanema.

Conhecida pela diversidade musical, a Banda promote sacudir o público com marchinhas, sambas, frevos, bossa nova e outros ritmos tradicionais. 
À frente da agremiação, o presidente Cláudio Pinheiro exalta a tradição musical da Banda de Ipanema. 
"Sinto a banda como componente fundamental no processo de recuperação do carnaval de rua na Zona Sul e na cidade do Rio. Hoje, destaca-se mais ainda o papel da Banda para a história recreativa, histórica e cultural da cidade. Falta ainda, a meu ver, reconhecimento oficial, mais forte, desse mérito", afirma.

Neste ano, os homenageados são Tia Surica, matriarca da Portela, e o escritor e jornalista Ruy Castro, membro da Academia Brasileira de Letras.

Ruy Castro destaca a importância da homenagem: "A Banda já me homenageou uma vez, indo tocar o Hino do Flamengo na minha festa de 60 anos no clube Marimbás. Ser homenageado novamente por ela no Carnaval é demais", comenta.

O escritor também destaca o papel da Banda de Ipanema no resgare da folia de rua. "Quando os blocos estavam abandonando as ruas do Rio nos anos 60, a Banda de Ipanema surgiu para manter o Carnaval vivo. Hoje, se os blocos tomam a cidade, é porque a Banda nunca deixou a peteca cair."

Tia Surica também celebra o reconhecimento. "Estou muito satisfeita por estar recebendo flores em vida. Estou muito lisonjeada", diz a sambista.

História 

Fundado em 1965, a Banda de Ipanema reuniu cerca de 10 mil pessoas no bairro, mesmo em plena ditadura militar, período em que havia restrições a grandes aglomerações.

No primeiro desfile, os membros usavam terno e gravata, tocavam instrumentos quebrados e contrataram uma banda de verdade. Seu lema era "Yolhesman Crisbelles", frase que até hoje é a abre-alas dos desfiles e foi tirada da pregação de um homem que vendia Bíblias na Central do Brasil.

Em plena ditadura, os militares pensavam que se tratava de uma crítica ao regime, mas, na verdade, a frase não significava absolutamente nada.

A ideia surgiu anos antes, após fundadores assistirem a um desfile da Philarmônica Em Boca Dura, em Ubá (MG). Liderados por Albino Pinheiro, Ferdy Carneiro, Jaguar e Ziraldo, os integrantes deram início ao um bloco que, mais tarde, viria fazer histórias.

A Banda de Ipanema foi declarada oficialmente Patrimônio Cultural da cidade do Rio de Janeiro, o primeiro bem imaterial contemplado com esse reconhecimento, em 2004. Este ano, o bloco passou a integrar a Liga Zé Pereira.

Programação

14 de fevereiro (sábado)
Concentração: 15h
Saída: 17h

17 de fevereiro (terça-feira de Carnaval)
Concentração: 15h
Saída: 17h

Local: Rua Gomes Carneiro, Ipanema


* Reportagem do estagiário Rodrigo Bresani, sob supervisão de Raphael Perucci