Neste ano, a agremiação sai às ruas nos dias 14 e 17 de fevereiro, na Rua Gomes CarneiroReprodução

Rio – Um dos blocos mais tradicionais do Carnaval carioca, a Banda de Ipanema chega a 2026 celebrando um marco histórico: 60 desfiles desde sua primeira apresentação, em 1965. Neste ano, a agremiação sai às ruas nos dias 14 e 17 de fevereiro, na Rua Gomes Carneiro, no quarteirão da praia, em Ipanema, Zona Sul.

Conhecida pela diversidade musical, a Banda de Ipanema vai reunir músicos que interpretam marchinhas, sambas, frevos, bossa nova, maxixe e outros ritmos tradicionais. A qualidade sonora é garantida por três maestros profissionais que fazem parte da história do bloco.
À frente da agremiação, o presidente Cláudio Pinheiro fala sobre o significado da trajetória do desfile e o papel que ele desempenhou ao longo das décadas.

"Sinto a banda como componente fundamental no processo de recuperação do carnaval de rua na Zona Sul e na cidade do Rio de Janeiro. Hoje, destaca-se mais ainda o papel da Banda para a história recreativa, histórica e cultural da cidade. Falta ainda, a meu ver, reconhecimento oficial, mais forte, desse mérito", afirmou.

Neste ano, os homenageados serão a sambista Tia Surica, matriarca da Portela, e o escritor e jornalista Ruy Castro, membro da Academia Brasileira de Letras, que desfilarão em carro aberto.

Ruy Castro destacou a importância da homenagem: "A banda já me homenageou uma vez, indo tocar o Hino do Flamengo na minha festa de 60 anos no Marimbás. Ser homenageado novamente por ela no Carnaval é demais", comentou.

Sobre os blocos de rua, o escritor comentou sobre o papel histórico do desfile: "Quando os blocos estavam abandonando as ruas do Rio nos anos 60, a Banda de Ipanema surgiu para manter o Carnaval vivo. Hoje, se os blocos tomam a cidade, é porque a Banda nunca deixou a peteca cair."

Tia Surica também celebrou o reconhecimento. "Estou muito satisfeita por estar recebendo flores em vida. Estou muito lisonjeada. Agradeço muito à Banda de Ipanema", disse a sambista.

História do bloco

Fundado em 1965, o Bloco de Ipanema reuniu cerca de 10 mil pessoas em Ipanema, mesmo em plena ditadura militar, período em que havia restrições a grandes aglomerações.

No primeiro desfile, os membros usavam terno e gravata, tocavam instrumentos quebrados e contrataram uma banda de verdade. Seu lema era 'Yolhesman Crisbelles', frase que até hoje é a abre-alas dos desfiles e foi tirada da pregação de um homem que vendia Bíblias na Central do Brasil.

Em plena ditadura, os militares pensavam que se tratava de uma crítica ao regime, mas, na verdade, a frase não significava absolutamente nada.

A ideia surgiu anos antes, após fundadores assistirem a um desfile da Philarmônica Em Boca Dura, em Ubá (MG). Liderados por Albino Pinheiro, Ferdy Carneiro, Jaguar e Ziraldo, os integrantes deram início a um bloco que ajudaria a manter vivo o Carnaval de rua no Rio. Hoje, a agremiação é presidida por Cláudio Pinheiro, irmão de Albino Pinheiro.

A Banda de Ipanema foi declarada oficialmente Patrimônio Cultural da cidade do Rio de Janeiro, o primeiro bem imaterial contemplado com esse reconhecimento, em 2004. Este ano, o bloco passou a integrar a Liga Zé Pereira.

Programação

14 de fevereiro (sábado)
Concentração: 15h
Saída: 17h

17 de fevereiro (terça-feira de Carnaval)
Concentração: 15h
Saída: 17h

Local: Rua Gomes Carneiro, Ipanema

Camisas da Banda de Ipanema à venda no Zig Zag (Rua Prudente de Morais, 10) e no Gelú - depósito de bebidas (Rua Teixeira de Melo, 31, loja G).