Chitãozinho e Xororó trazem turnê 'Evidências' de volta ao Rio de Janeiro - Divulgação/Paolo Paes
Chitãozinho e Xororó trazem turnê 'Evidências' de volta ao Rio de JaneiroDivulgação/Paolo Paes
Por RICARDO SCHOTT

'Evidências' era a última música de uma fita que o compositor José Augusto (um dos autores da música, ao lado de Paulo Sérgio Valle) entregou a Chitãozinho e Xororó, no comecinho dos anos 1990. A dupla ouviu numa viagem de carro, indo para São Paulo, e amou a faixa, gravada anteriormente pelo irmão do compositor Michael Sullivan, Leonardo. Atualmente, a canção é o carro-chefe da turnê 'Evidências', que a dupla traz ao Vivo Rio hoje e amanhã.

Só no Spotify, 'Evidências' está rankeada junto com ela própria, em duas versões diferentes - curiosamente, a balada 'Sinônimos', lançada em 2004, está em primeiro lugar na plataforma, atualmente. A dupla agradece a preferência. "Ficamos muito felizes em ver que nosso trabalho vem sendo reconhecido mais a cada dia", avalia Xororó, que recentemente deu toda força do mundo para que a dupla formada por seus filhos, Sandy & Junior, retornasse para uma turnê que vem batendo recordes de bilheteria, de notícias nos sites e de memes.

"Fiquei surpreso quando os meninos me contaram. Como fã, também queria muito isso. Desde a separação, em 2007, ouça cobranças pela volta deles por todo lugar que passo com shows. Comentei algumas vezes e, em uma dessas, eles disseram 'Por que não, pai?'. Então ouviram os parceiros, que também já tinham me procurado, até que todos os pontos se juntaram e o projeto ganhou força", afirma o cantor.

Trinta anos

2019 marca trinta anos de uma enorme mudança na vida da dupla. Em 1989, Chitãozinho e Xororó vinham de grandes sucessos na gravadora Copacabana, e migraram para a multinacional Philips (com as mudanças e fusões do mercado, hoje as duas empresas atendem pelo nome de Universal Music). Por lá, gravaram 'Meninos do Brasil', que vinha com clássicos como a faixa-título, 'Nascemos Para Cantar' e 'No Rancho Fundo' (o clássico de Ary Barroso).

"Nossa maior lembrança foi de ter trabalhado com grandes nomes da produção musical na época e que nos deram todas as condições e suporte para fazer um disco, que acabando se tornando um clássico. Tudo foi maravilhoso. Foi no estreia no Rio de Janeiro, numa gravadora multinacional e que ia nos projetar pelo país. Foram momentos muito bonitos, que jamais iremos esquecer", recorda Chitãozinho.

Poucos anos antes disso, o estilo musical defendido pela dupla não era considerado chique o suficiente para merecer grandes produções. "Vivemos uma época de muito preconceito com o sertanejo. As músicas do gênero não tocavam na rádio, não tinha espaço na mídia, e nós tivemos a honra de quebrar essas barreiras com 'Fio de Cabelo', em 1982. O número de shows também aumentou significativamente", recorda Xororó.

'Evidências' veio apenas em 'Cowboy do Asfalto', disco seguinte, de 1990. Os fãs da música vão se espantar, mas ela não era a grande aposta do álbum. Tanto a dupla quanto a gravadora esperavam um grande sucesso da regravação de 'Nuvem de Lágrimas', que havia sido cantada anteriormente por Fafá de Belém com participação dos dois irmãos - a versão da cantora fez parte da trilha sonora da novela 'Barriga de Aluguel' (1990).

"De 'Evidências', nós já gostávamos. Ela emocionou todo mundo no estúdio. Mas pelo fato dela ser mais pop, não achávamos que faria tanto sucesso. E aos poucos foi ganhando seu espaço e acabou se tornando esse fenômeno musical até hoje na nossa carreira", conta Chitãozinho.

Quando a gente ama...

Em meio a outros clássicos do repertório da dupla, 'Fio de Cabelo', por sinal, ocupa lugar de honra. E não vai ficar de fora dos shows do Vivo Rio. "Ela foi um divisor de águas na nossa carreira. Com ela rompemos barreiras do preconceito com o sertanejo, fomos projetados como artistas nacionais e tudo isso representou também um marco na história da música sertaneja. Temos muito orgulho disso!", alegra-se Xororó.

Vivo Rio. Avenida Infante Dom Henrique 85, Parque do Flamengo (2272-2901). Hoje, às 22h. Amanhã, às 21h. R$ 220 a R$ 400 (estudantes e maiores de 65 anos pagam meia-entrada).

 

 

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