Estrelada por Chay Suede, peça será exibida no Teatro Casa Grande, de 15 de janeiro a 1º de marçoMayra Azzi / Divulgação

Rio – Chay Suede, de 33 anos, fará sua estreia nos palcos nesta quinta-feira (15) no Teatro Casa Grande, na Zona Sul do Rio, como protagonista do espetáculo "Peça infantil — A vida e as opiniões do Cavalheiro Roobertchay", que mistura realidade e ficção. Conhecido por trabalhos em novelas como "Mania de Você" (2024) e "Travessia (2022), da TV Globo, e "Rebelde" (2011), da Record, o artista vibra com o novo desafio profissional.
"Tenho experimentado sentimentos inéditos, realmente sentido coisas que nunca senti antes. A ansiedade vem envolvida em muitas outras sensações malucas e novas", comenta Chay. 
Inspirada em romances como "A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy" (Laurence Sterne) e "Memórias póstumas de Brás Cubas" (Machado de Assis), a produção recria a vida do artista, passando por acontecimentos da sua infância e adolescência de uma forma livre e nada infantil, apesar do que aponta o título, misturadas a referências de obras clássicas da literatura. 
"Os acontecimentos e experiências que o público vai poder acompanhar durante nossos 12 capítulos são dramaturgia do Caetano Galindo e do Felipe Hirsch, livremente inspirada em conversas que tivemos e nas fantasias que eles criaram a partir das coisas que contei. Essa peça também tem muito de outros autores, principalmente do Sterne. O título da peça é uma citação direta ao seu livro mais famoso", explica o ator. 
Chay descreve seu personagem, o Cavaleiro Roobertchay, como uma pessoa "fundamentalmente ingênua", na mesma medida que é confiante. "Há uma pureza infantil nesse personagem que eu acho bonita, uma ausência de cinismo e de ironia, que fazem com que ele, em alguns momentos, pareça alguém muito seguro de si, mas em outros momentos, se deixe quebrar diante do público. A maneira com a qual esse personagem conta as histórias sobre sua infância e adolescência, causa a sensação de que um pedaço importante dele ainda mora lá", acredita. 
De acordo com o artista, o espetáculo busca transformar os conceitos de biografia e autoficção. "Nada nesta peça é literalmente sobre mim ou sobre a minha infância. Tudo é sobre as experiências, e verdades e mentiras desse Cavalheiro Roobertchay, que é um personagem muito diferente de mim, apesar do nome, apesar de algumas das histórias dele serem também minhas e apesar de ele ser eu também".
Além disso, a peça aborda assuntos como fama, influência, consumismo e mercantilização da imagem, assuntos que sempre estiveram presentes na vida profissional do artista. "Acho que encontramos uma maneira de abordar (e criticar) esses e outros temas, de dentro e não de fora. E era esse desde o início nosso interesse, quando decidimos que faríamos um pseudodocumentário, tocar em temas importantes como esses, a partir de uma perspectiva de quem também é peça nessa". 
Diretor do espetáculo, Felipe Hirsch, que acumula mais de 100 prêmios e indicações na América Latina e já trabalhou com nomes como Fernanda Montenegro e Wagner Moura, reforça que a produção é rica em ideias. "Acho que tem muita coisa para deliciar o público que assiste. Então, espero que isso seja percebido e aproveitado".
Ele também não poupa elogios à Chay no monólogo. "Trabalhar com ele tem sido um enorme prazer e até uma grande surpresa. Ele me parece um ator muito preparado para estar no teatro. Sem experiência de teatro, mas com uma com uma preparação enorme, técnica, uma capacidade, uma sensibilidade muito incomuns. E isso realmente me deu muito prazer em assisti-lo durante os ensaios, o processo todo, a dedicação, mas para além disso, a capacidade mesmo técnica e sensível do trabalho dele. Acho que o Chay é um presente para o teatro brasileiro", opina. 
Marco na trajetória
Chay começou sua trajetória aos 18 anos, com presença marcante no elenco principal na novela "Rebelde", em 2011, da Record, e protagonizando novelas da Globo como "Império" (2014), "Novo Mundo" (2017), "Segundo Sol" (2018) e "Amor de Mãe" (2019), além de trabalhos no cinema. No entanto, mesmo experiente, ele ressaltou os desafios na transição entre as telas e os palcos.
"Há muitas diferenças, visíveis e não tão visíveis. Mas acho que a maior delas é com certeza o fato se essa minha primeira peça ser também um monólogo. Nunca experimentei um texto assim antes, e nunca passei tanto tempo em cena sem nenhum intervalo. Por essas e outras nem acho que posso considerar essa experiência como uma 'adaptação' do que fiz antes na TV ou no cinema. É algo completamente novo". 
Serviço: 
"Peça infantil — A vida e as opiniões do Cavalheiro Roobertchay"
Temporada: 15 de janeiro a 1º de março
Janeiro – Quinta a Sábado, às 20h30 | Domingo, às 19h30 (janeiro)
Local: Teatro Casa Grande
Endereço: Av. Afrânio de Melo Franco, 290/Loja A – Leblon
Ingresso: a partir de R$ 160