Guthierry Sotero fala sobre convite para integrar elenco de ’Três Graças’Divulgação/Jorge Bispo
Guthierry Sotero conta reação ao convite para 'Três Graças': 'Coisa de veterano'
Ator comenta estreia marcada por cena de luto e novos projetos na música
Rio - Convidado para integrar o elenco de "Três Graças", novela das 21h da TV Globo, Guthierry Sotero ainda digere a proporção do folhetim de Aguinaldo Silva em sua trajetória profissional. Cria do Complexo da Maré, na Zona Norte, o ator interpreta Júnior, que surge na trama enfrentando sequências fortes, como a morte do pai, Albano (Cosme dos Santos), e a injusta suspeita do roubo de uma gravura milionária. Depois de tanta dor, o personagem ganha novas camadas e ainda mais visibilidade na história.
O artista conta que não sabia nada sobre a trama até o contato do produtor de elenco Guilherme Gobbi. Testando há meses para uma série que aborda a Copa de 1970, ele acreditava que era mais um processo seletivo até que, meses depois, recebeu o convite.
"Eu fiquei meio confuso, igual o meme da Nazaré (Tedesco) porque ser convidado para mim era coisa de veterano ou só de pessoas já renomadas. Por mais que eu tenha uma trajetória bem sólida, ainda que há um pouco tempo, eu não me sentia no lugar de merecedor de ser convidado", confessa.
A chegada de Júnior na novela é marcada pela morte do pai, Albano, vítima do esquema de medicamentos falsificados da Fundação de Ferette (Murilo Benício). "Esse era um dos meus grandes medos porque no início a gente está com o personagem muito cru. Deu friozinho na barriga de como seria a recepção já que o arco começa a partir da perda. Com muito estudo e dedicação, consegui entregar um bom desempenho para que as pessoas pudessem acreditar nessa história e criassem empatia por ele".
Entre o luto e as injustiças, Júnior encontra afeto na proximidade com Maggye (Mell Muzzillo). O rapaz presta serviços de informática para a galeria de arte dos pais da estudante, João Rubens (Samuel de Assis) e Kasper (Miguel Falabella). "Como ela foi adotada, eu acho que sente muita empatia por ele, porque é isso, Maggye poderia ser uma órfã morando na comunidade, que não tem ninguém para abraçar num momento de tristeza. Ela se coloca nesse lugar de 'poderia ser eu'. Tem essa conexão, mas ele acha que é loucura e acaba sabotando essa relação", diz o ator.
Uma pedra no caminho do personagem é Lucélia (Daphne Bozaski), prima da estudante. Ela coloca uma gravura da galeria dos tios na mochila de Júnior para incriminar o rapaz. "A Daphne é uma fofa. Você olha a personagem fazendo essas maldades e pensa: 'ninguém vai acreditar'. Mas acho interessante para dar um tempero na relação do Júnior com a Maggye, é necessário para que a trama aconteça", comenta Guthierry.
Ser suspeito de roubo injustamente fez com que o personagem aceitasse participar do plano de Gerluce (Sophie Charlotte) da expropriação da estátua "Três Graças", que está na casa de Arminda (Grazi Massafera), junto com Joaquim (Marcos Palmeira), Viviane (Gabriela Loran) e Misael (Belo).
Para Sotero, a construção cuidadosa dos autores faz o público enxergar o ato como uma reação legítima. "Eles têm um porquê por trás e acredito que isso tem sido muito bem escrito. Cada um dos cinco tem motivo plausível, tentaram por meios legais e não foi possível. Ele perdeu o meu pai e o Misael perdeu a mulher. Então, eles precisam fazer alguma coisa. O plano imediato é justamente ter acesso aos remédios verdadeiros para poder ajudar as pessoas da comunidade".
A novela de Aguinaldo Silva trata de falsificação de remédios, crimes corporativos e desigualdade, assuntos que o artista aborda com muita responsabilidade. "Infelizmente, ter que amadurecer mais cedo me deu tranquilidade agora nesse trabalho. Tem sido muito importante fazer essa denúncia em obra aberta para a televisão e o Brasil inteiro ver que essas coisas acontecem. A novela também traz essa reflexão de como está a sociedade", analisa.
Guthierry também destaca o impacto de contracenar, logo nas primeiras cenas, com nomes como Marcos, Sophie e Dira Paes. "Às vezes eu olho para o lado e é muito louco. São coisas inimagináveis para quem cresceu na Maré, mas agora é real e sou colega de trabalho deles. Tem sido muito bom para o artista que sou hoje, de aprender a não me sabotar e entender que estou no mesmo lugar que eles", afirma.
Futuro em Andamento
Apesar da rotina intensa de gravações, Guthierry reafirma sua grande paixão: a música. Ele tem três faixas prontas, que pretende lançar ainda este ano, acompanhadas de clipes — caso consiga conciliar agendas com o produtor. "É algo que tenho a maior vontade assim, é o que amo e sinto que eu nasci para fazer. Não tenho conseguido conciliar justamente porque eu acho que preciso estudar muito na atuação para tentar equilibrar com o que sou na música".
O ator também faz parte de "Veronika", série do AfroReggae que chega ao Globoplay em 2026. O projeto marca uma virada na carreira do artista, que interpreta Rodrigo, um jovem explosivo que acaba se envolvendo com o crime. "Foi o primeiro personagem que me tirou do lugar do 'namoradinho' e 'fofinho', que estava fazendo nos últimos anos e eu precisava fazer alguma coisa que o mercado me visse de outra forma. Ele é um cara muito agressivo e conturbado, coisas distantes da minha realidade", adianta.
A produção, gravada no fim de 2022, chegou a ficar sem perspectiva de lançamento. "Outros projetos foram saindo e achei que ia virar lenda. Mas graças a Deus vai sair, eu não vejo a hora do público poder me ver nesse outro lugar, que ainda não viram. Esse foi o personagem mais vida louca que eu fiz até hoje", avalia.



