Cláudia Abreu Manoella Mello / TV Globo

Rio - Com quase quatro décadas de carreira e papéis marcantes nas telinhas, Cláudia Abreu está de volta às novelas após nove anos. A atriz integra o elenco de "Dona de Mim", nova trama das sete - criada por Rosane Svartman- que estreia nesta segunda-feira (28), na TV Globo. Apesar desse longo período ausente da teledramaturgia, a artista explica que trabalhou bastante em outros formatos.
"Gosto muito de fazer novela, sempre fiz, entrei para a Globo com 16 anos. Mas quis fazer série, é uma época de ouro das séries, queria participar disso também. Fiz 'Desalma', fiz 'Sutura', fiz cinema. Produzi a série 'Valetins', depois escrevi o meu monólogo 'Virginia', que está há dois anos e meio viajando pelo Brasil e agora acabei de produzir uma nova peça, 'Os Mambembes', com a Julia Lemmertz, Deborah Evelyn, Paulo Betti", conta Cláudia. 
Em "Dona de Mim", Abreu interpreta Filipa, casada com Abel (Tony Ramos), por quem se apaixonou e casou rapidamente. A personagem tem oscilação de humor e se sente muito sozinha, mesmo cercada de gente na mansão Boaz. Na juventude, a mãe de Nina (Flora Camolese) achou que iria ser cantora e atriz, chegou a atuar no teatro, mas a carreira não foi adiante, o que acaba lhe causando muita frustração.
"Já sentia por essa viagem pelo Brasil com o teatro que as pessoas queriam me ver nas novelas. Aí eu pensei, está na hora de voltar. A Filipa é uma artista, uma pessoa intensa, mas ela não teve sucesso como atriz e cantora e também não teve sucesso como mãe porque ela estava sempre tentando ser atriz e não deu tanta atenção como deveria para a filha, que foi morar fora do Brasil. Então ela tem essa frustração e a filha do Abel, Sofia (Elis Cabral), também não se identifica tanto com ela", adianta a artista de 54 anos. 
"Ela tenta ser uma boa madrasta, mas é rejeitada, ela tem boa intenção, mas ela também é verdadeira, não infantiliza as coisas. Ela não é má, mas é uma pessoa com intensidade, tem momentos bons e ela não resiste a ser o que é", complementa.
Filipa acaba sendo invalidada e isso traz um desequilíbrio de humor nela, como momentos de euforia e depressão profunda. "Acho que isso foi uma das coisas mais interessantes de voltar a fazer novela, porque ela (personagem) também tem um problema de saúde mental. É muito interessante você prestar esse serviço para que quem está assistindo, se identifica com o problema, e vai procurar um diagnóstico", diz. "Novela tem um alcance tão grande, que você poder fazer também esse papel social é importante. Essa instabilidade emocional da Filipa aos poucos vai ser discutida na novela", destaca.
E já que o assunto é saúde mental, a atriz revelou ainda como cuida da dela no dia-a-dia, em um mundo com tantas informações em que doenças psicológicos são crescentes. "A gente tem que ter uma alegria de viver. A vida tem altos e baixos para todo mundo. Todos têm dificuldades. É mentira você dizer que está tudo lindo e maravilhoso, mas tudo é a maneira como você encara mesmo. Se você ficar para baixo, acho que não ajuda. A positividade te bota para frente", opina.  
Ela, então, lista: "Cuido da minha saúde mental com leitura, filmes, boas amizades, boas viagens, bom sono. Tem que se cuidar", aconselha.
Personagem tem mesmo nome de sua filha
A personagem tem o mesmo nome que sua filha Felipa, o que deixou a atriz ainda mais animada com a feliz coincidência. "Eu tenho uma filha Felipa (com e, diferente da personagem) e uma filha cantora. Quando soube que a Filipa da novela era cantora, vi que era o destino", brinca ela, se referindo também a herdeira Maria Maud, que é cantora. 
Além das meninas, a atriz também é mamãe de José Joaquim e Pedro Henrique, todos frutos do casamento com José Henrique Fonseca, de quem se separou em outubro de 2022, após 25 anos. "Me dedico muito a eles, é uma luta diária. Você acha que o mais difícil são eles pequenos, é difícil também, mas agora é a adolescência. Cada fase é um desafio grande, mas eu adoro ser mãe", diz Cláudia, que admite carregar a culpa da maternidade, mesmo sendo muito presente na vida deles. 
"Mas sei que eles têm bastante mãe na vida deles porque meu tempo livre é deles. Por mais que eu trabalhe muito, eles sabem que não só levo eles comigo, como agora que fui fazer peça em Fortaleza, e levei todos para o Beach Park. Podendo estar com eles o tempo todo, eu não tenho essa culpa de não me dedicar. Mas você sempre acha que pode mais, é da gente achar que sempre poderia fazer mais", admite.