Vanessa Gomes é portadora da rosáceaDivulgação

Rio - Caracterizada, principalmente, pela sensibilidade e vermelhidão da pele, a rosácea pode se manifestar de forma leve ou mais intensa, com diferentes graus de inflamação, e impacta significativamente a autoestima e o bem-estar emocional de quem convive com ela. Ainda pouco discutida, a condição afeta milhões de pessoas ao redor do mundo, inclusive figuras públicas como Carol Castro, Virgínia Fonseca, Astrid Fontenelle e a atriz americana Cameron Diaz, que já falaram abertamente sobre o diagnóstico.
Apesar das causas ainda não serem totalmente compreendidas, especialistas já identificaram alguns padrões. A rosácea é mais comum em mulheres adultas, de pele clara e com uma predisposição genética. "Envolve imunidade da pele, fatores ambientais e tem relação com os vasos sanguíneos. Mulheres representam cerca de 60% a 70% dos casos. A faixa etária mais comum para o início da doença é entre os 30 e os 50 anos", informa a dermatologista Tatiane Karraz, que atua há 14 anos na área.
O diagnóstico precoce é fundamental para o controle da condição. Entre os sinais mais comuns estão a vermelhidão persistente no rosto, vasos sanguíneos visíveis, sensação de queimação ou ardência, além de pápulas e pústulas semelhantes às da acne. A pele também pode se tornar seca, áspera ou apresentar descamação — o que, muitas vezes, leva à confusão com alergias ou outras condições dermatológicas. "Esses são sinais típicos da doença", detalha a especialista.
A rosácea costuma ter um comportamento cíclico, com períodos de melhora e piora. Substâncias presentes em cosméticos também podem desencadear reações adversas e agravar os sintomas. Uma vez identificada a doença, é essencial mudar a rotina. "Os gatilhos podem causar ou agravar a rosácea, são exposição ao sol, valor excessivo, estresse, bebidas alcoólicas (principalmente vinho tinto), alimentos apimentados, intensa atividade física principalmente no sol", orienta.
Para o controle do quadro, os tratamentos evoluíram nos últimos anos. "Hoje contamos com luz intensa pulsada e lasers vasculares, como o Nd:YAG, que são considerados padrão ouro. Também usamos medicações tópicas, como metronidazol, ácido azelaico, ivermectina, brimonidina e oximetazolina, que reduzem inflamação, lesões e vermelhidão", explica Tatiane. Em casos mais severos, antibióticos orais ou até isotretinoína podem ser indicados, sempre com acompanhamento médico.
A dermatologista também destaca os avanços mais recentes. "A grande novidade são os exossomas. Essas vesículas microscópicas liberadas por células-tronco podem modular inflamações, estimular a regeneração e reparar a barreira cutânea. No consultório, já observamos até 100% de melhora em alguns pacientes. É um recurso promissor, embora ainda esteja em fase de estudos e disponível em poucos lugares."
A influenciadora e produtora artística Vanessa Gomes descobriu que tinha rosácea em uma situação inesperada. "Fui parar na emergência achando que era uma crise alérgica. A médica plantonista falou em rosácea, e quando pesquisei, entrei em pânico. Vi imagens assustadoras e fiquei desesperada. Estava muito vermelha, inchada, com ardência. Chorei sem parar."
A experiência de Vanessa com a doença se transformou em uma missão pessoal. "Em 2017, quase não havia conteúdo acessível. Eu queria conversar com alguém que tivesse a doença, entender como vivia. Fui descobrindo meus gatilhos, testando produtos e, principalmente, aprendendo a aceitar. Passei por muitos constrangimentos, mas consegui controlar a rosácea e recuperei minha autoestima."