Um lembrete carinhoso de que prevenção é liberdade e autocuidadoReprodução/Internet
E mesmo com tanta evolução nos testes e nos tratamentos, as ISTs ainda dão um trabalhão no Brasil. E aí entra um ponto super importante que a ginecologista e obstetra Dra. Elis Nogueira sempre destaca: o nosso bom e velho consultório. Ela lembra que “o consultório ginecológico é, muitas vezes, o primeiro espaço onde a mulher recebe orientações claras sobre prevenção e tem acesso à testagem regular. Informação responsável, oferecida de forma acolhedora, é fundamental para a proteção da saúde”. É exatamente isso — acolhimento, conversa aberta e cuidado de verdade.
Quando a IST nem dá sinal… mas pode causar um estrago
O Ministério da Saúde vive alertando que muitas ISTs quase não dão sintomas — ou apresentam coisinhas tão leves que a gente nem percebe. E aí vai passando adiante sem saber, o diagnóstico atrasa e os riscos aumentam.
A própria Dra. Elis reforça que “essas infecções podem trazer consequências importantes, como dificuldade para engravidar, problemas durante a gestação — incluindo parto prematuro e perda gestacional — além do risco de que a infecção seja passada da mãe para o bebê. Algumas ISTs também podem levar a doenças crônicas, diferentes tipos de câncer ou até colocar a vida em risco”.
É muita coisa envolvida, né? HIV/Aids, hepatites B e C, clamídia, gonorreia, HPV, sífilis… tudo isso pode ser transmitido em relações sem camisinha (vaginal, anal e até oral!), por contato com secreções, objetos cortantes, transfusão contaminada e até durante a gestação, parto ou amamentação. Por isso que prevenção e pré-natal certinho são essenciais.
Prevenção combinada: o combo que funciona mesmo
Hoje, o papo é sobre prevenção combinada — um conjunto de estratégias que se complementam. Não é só camisinha, não é só exame… é tudo junto. Tem testagem regular, PrEP, PEP, tratamento adequado quando alguma IST é identificada e vacinação, especialmente contra hepatite B e HPV.
E a Dra. Elis explica isso direitinho: “A prevenção combinada permite diferentes caminhos de proteção, considerando o contexto e as necessidades de cada pessoa. A orientação individualizada é essencial para que essas medidas funcionem de verdade”.
Ou seja: não existe fórmula única. Existe o que faz sentido pra você.
Gravidez pede ainda mais atenção
Durante a gestação, então, o cuidado dobra. A médica lembra que “no acompanhamento da gestante, protocolos bem estabelecidos garantem maior segurança para a mãe e para o bebê”.
Testar HIV, sífilis e hepatites no pré-natal não é opcional — é essencial. E quando esse acompanhamento é feito direitinho, com tratamento adequado, o risco de passar a infecção para o bebê cai muito.
E tem mais: chega de estigma
O Dezembro Vermelho também é sobre quebrar preconceito. Muita gente deixa de buscar teste e tratamento por medo do julgamento — e isso é um problemão. Como a Dra. Elis diz, “o preconceito é uma barreira real, que impede muitas pessoas de procurar testagem, tratamento ou acompanhamento contínuo. Cuidar com acolhimento e sem julgamentos é essencial para promover saúde e proteção”.
E é isso. Informação boa, acolhimento, sem tabus e com muito cuidado. Porque saúde íntima é sobre liberdade, segurança e bem-estar — e todo mundo merece isso.

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