A trágica morte do cão Orelha, o animal comunitário brutalmente espancado por adolescentes em Santa Catarina, não é apenas um caso isolado de crueldade animal; é o reflexo doloroso de uma falha profunda na base da nossa sociedade.
Como bem alerta a Dra. Andrea Vermont em suas reflexões, ninguém se forma sozinho dentro de uma família, e quando um jovem comete um ato de tamanha violência, o silêncio e a permissividade dos pais tornam-se cúmplices da tragédia. Educar exige coragem para sustentar limites e ética, pois o amor que não corrige acaba criando adultos sem empatia, que acreditam que o sofrimento alheio — seja de um animal ou de um ser humano — não tem consequências.
O caso do Orelha chocou o país porque expôs a face mais cruel da ausência de valores. Pais que acobertam erros ou negam a gravidade das ações de seus filhos não os estão protegendo, mas sim condenando-os a uma vida de irresponsabilidade emocional.
A violência contra um ser indefeso é, muitas vezes, o primeiro sinal de um caráter que não aprendeu o valor da vida. Como diz a Dra. Andrea, “não educar cobra um preço muito maior”, e neste caso, quem pagou com a vida foi um animal dócil que só conhecia o carinho da comunidade. Que essa dor nos sirva de lição: a verdadeira proteção aos filhos nasce do limite, do exemplo e da coragem de enfrentar a verdade, para que a crueldade não encontre mais espaço para crescer dentro de nossos lares.
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