O calor pode parecer inofensivo, mas muda tudo dentro da sua nécessaireReprodução/Freepik
O problema é que muito produto que a gente usa todo dia não foi feito pra aguentar sol direto, altas temperaturas e esse sobe-e-desce térmico típico do verão. E quem faz esse alerta é o farmacêutico homeopata Jamar Tejada:
“O erro mais comum é achar que cosmético é resistente como um acessório. Na prática, muitos produtos não foram formulados para suportar altas temperaturas, luz solar direta ou variações térmicas intensas”.
Quando esquenta demais, a composição do cosmético pode mudar, a eficácia vai embora e, em alguns casos, o risco nem é só estético. Produtos alterados podem causar reações na pele e até favorecer infecções, principalmente quando passam perto dos olhos, da boca ou em uma pele já sensibilizada pelo sol.
E aí começam os dramas da nécessaire de verão…
O protetor solar, por exemplo, que deveria ser nosso maior aliado, também sofre com o calor. Mesmo sendo feito pra usar no sol, ele não foi pensado pra ficar torrando dentro do carro ou largado na areia. Como explica Jamar:
“Quando armazenado em carros fechados ou sob sol direto, o filtro perde estabilidade e deixa de proteger como deveria”.
Ou seja: você acha que está protegida, mas não está — e isso aumenta o risco de queimaduras e danos acumulativos na pele.
Maquiagens líquidas e cremosas também sofrem bastante. Bases, corretivos, BB creams e até máscara de cílios podem “talhar”, separar ou virar um ambiente perfeito pra micro-organismos. Resultado? Irritação, acne e até infecções nos olhos.
Se você ama cosméticos naturais, veganos ou artesanais, atenção redobrada. Por terem menos conservantes, eles são ainda mais sensíveis ao calor. E o alerta é direto:
“Eles oxidam mais rápido e podem estragar em poucas horas sob calor intenso”.
Perfumes e óleos essenciais também não escapam. O calor muda o cheiro, altera a estrutura e pode comprometer até o efeito terapêutico. Sem falar que, segundo Jamar,
“Além disso, perfumes aquecidos podem causar manchas na pele quando aplicados, principalmente em áreas expostas ao sol”.
E aqueles dermocosméticos mais potentes, com vitamina C, retinol, ácidos ou probióticos? Esses perdem potência fácil quando ficam expostos ao calor e à luz. O efeito prometido vai embora e o risco de irritação aumenta.
Mas calma, nem tudo precisa sair da nécessaire no verão. Alguns produtos costumam resistir melhor, desde que bem guardados: protetores solares em bastão, pós compactos ou soltos, lenços matificantes, sabonetes sólidos e hidratantes corporais mais simples, sem ativos sensíveis.
Agora, se tem lugares que a nécessaire não deveria nem passar perto, são esses: dentro do carro, na areia da praia, ao lado da piscina, em mochilas expostas ao sol ou em banheiros muito quentes e sem ventilação.
E a dica prática do especialista é ótima:
“O ideal é manter a nécessaire em locais frescos, à sombra e, sempre que possível, usar bolsas térmicas, embalagens opacas ou envolver os produtos em uma toalha dentro da bolsa para reduzir a variação de temperatura”.
Outro detalhe que muita gente ignora no verão é a validade após a abertura, aquele símbolo do potinho na embalagem. O calor acelera tudo — inclusive a deterioração. Como explica Jamar:
“O calor pode acelerar o processo de deterioração, fazendo com que o cosmético estrague antes do prazo informado pelo fabricante”.
E se o produto mudou de cor, de cheiro, de textura ou começou a arder e coçar, não tem discussão: é lixo.
“Se o produto mudou, descarte. Cosmético vencido ou alterado pode causar dermatites, alergias e infecções”.
Pra praia e piscina, o segredo é simples: leve só o essencial, em embalagens pequenas, e nunca deixe a nécessaire no sol.
Porque, como o próprio Jamar resume lindamente:
“Menos produtos, mais cuidado. No verão, a regra é proteger não só a pele, mas também tudo o que você usa nela”.

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