Entre os palcos, a formação de novos atores e a fé que guia sua caminhada, Vânia de Brito abre o coração em entrevista exclusivaDivulgação

Olá, meninas!
Como uma boa nordestina, eu sempre me emociono ao encontrar mulheres que vieram de minha região, que transformam talento, coragem e sensibilidade em uma trajetória de sucesso. E é exatamente isso que vejo em Vânia de Brito.
Atriz, diretora, agente cultural, roteirista e formadora de talentos, ela construiu uma carreira admirável ao longo de décadas, deixando sua marca na televisão, no cinema e no teatro brasileiro. Com uma história inspiradora e uma dedicação apaixonada à arte, Vânia se tornou uma referência para muitas mulheres que sonham ocupar seu espaço no universo cultural.
Espetáculo estará em cartaz no Teatro dos 4, no Shopping da Gávea, a partir do dia 4 de junho - Divulgação
Espetáculo estará em cartaz no Teatro dos 4, no Shopping da Gávea, a partir do dia 4 de junhoDivulgação


Desde os anos 1980, Vânia vem colecionando trabalhos marcantes na televisão, participando de produções que conquistaram o público brasileiro. Entre elas estão novelas e séries de grande sucesso, como "Barriga de Aluguel", "Duas Caras", "Cinquentinha", "Velho Chico", "Supermax" e "Orgulho & Paixão", onde deu vida a personagens que ajudaram a construir sua reconhecida carreira. No cinema, também deixou sua marca ao integrar o elenco do fenômeno "Minha Mãe é Uma Peça", sucesso absoluto de público e crítica.

Mas sua contribuição para a cultura brasileira vai muito além dos palcos e das câmeras. Há quase duas décadas, Vânia está à frente da Barnabé Agenciados, uma das mais tradicionais agências de talentos do país, responsável por revelar e impulsionar carreiras de artistas que hoje ocupam lugar de destaque no cenário nacional, como Paulo Gustavo, Juliano Cazarré, Julio Andrade e Bruna Linzmeyer. Como roteirista, assinou projetos em coprodução internacional e também se destacou na adaptação de obras literárias para o teatro, sempre com um olhar sensível para as emoções humanas.
Entre os palcos, a formação de novos atores e a fé que guia sua caminhada, Vânia de Brito abre o coração em entrevista exclusiva - Divulgação
Entre os palcos, a formação de novos atores e a fé que guia sua caminhada, Vânia de Brito abre o coração em entrevista exclusivaDivulgação


Sua atuação também alcança a formação de novos artistas, compartilhando conhecimento e experiência acumulados ao longo de décadas de trabalho. Paralelamente, Vânia mantém um forte envolvimento com ações sociais e projetos ligados à fé, demonstrando que arte, propósito e compromisso com o próximo podem caminhar lado a lado.

Agora, a atriz volta aos palcos cariocas com o monólogo "Antes que Seja Tarde", espetáculo inspirado na obra do escritor Fabrício Carpinejar. Em cena, ela conduz o público por uma jornada emocionante sobre o amor, as perdas, os encontros e as urgências da vida, abordando sentimentos que atravessam gerações e despertam profundas reflexões. Com sua sensibilidade e maturidade artística, Vânia transforma cada apresentação em um encontro íntimo com a plateia, reafirmando o talento que a mantém como uma das grandes referências da cena cultural brasileira.
Vânia acompanhada de sua filha Manu e sua mãe, Dona Edite, de 94 anos - Divulgação
Vânia acompanhada de sua filha Manu e sua mãe, Dona Edite, de 94 anosDivulgação


Foi sobre essa trajetória inspiradora, seus projetos e os desafios de uma carreira construída com paixão e autenticidade que tivemos o prazer de conversar com Vânia de Brito.
Confira meu bate-papo maravilhoso com esse mulherão:
1 - "Antes que seja tarde" aborda uma questão muito delicada: a relação dos filhos com os pais idosos. O que mais te tocou nessa história quando você teve o primeiro contato com o livro de Fabrício Carpinejar?
Primeiro eu pensei nos meus irmãos. Desde os 80 anos da minha mãe eles já tinham dificuldade de aceitar a velhice dela. Ela sempre foi uma mulher ágil, divertida, curiosa, trabalhadora. Uma típica mulher nordestina, cheia de energia e coragem. E aí vendo minha mãe com algumas certas limitações já deixou eles meio preocupados, impacientes e negligentes. Então o livro me tocou nesse lugar porque eu estava vivendo essa problemática na minha família.
Então, se eu estou vivendo isso, tem milhões de pessoas que podem estar passando pela mesma coisa, e precisaria ler esse livro, ou ter algum contato com essa obra. Foi quando eu resolvi adaptar o texto, falar com o Fabrício Carpinejar e adaptar o texto "Cuide dos Pais Antes que Seja Tarde" para transformar em um monólogo, chamado "Antes que Seja Tarde", para que as pessoas pudessem reaver esse caminho do perdão, do cuidado, da resiliência, de honrar mesmo os nossos pais, que é honrar a velhice deles.

2 - Você já comentou que sua mãe tem 94 anos e que isso foi um dos motivos para voltar aos palcos com essa montagem. De que forma sua vivência pessoal influenciou sua atuação?
Pensar na idade da minha mãe me fez refletir sobre a minha idade. Quando eu comecei esse projeto em 2022, quando eu pensei a pensar em como eu poderia fazer, adaptar o texto, ler, ver a maneira que eu poderia levar para o palco, ser um monólogo, de que maneira seria, eu tive um "gap" na minha vida de 18 anos sem atuar, em teatro. Fiz alguns trabalhos no audiovisual. Comandei a minha agência, onde lancei muitos talentos, mas o fato de ver a urgência que é a vida, a urgência que é viver e fazer as coisas que amamos, isso me toca. E principalmente, eu como artista, nesse celeiro criativo, a urgência de voltar para o palco onde eu possa escolher um personagem, escolher o que falar, o que dizer, de que maneira eu quero tocar as pessoas.
Foi basicamente sobre isso, ver quantas coisas minha mãe abriu mão, aos 94 anos, quanta dedicação, quantas coisas os pais transformam a vida para cuidar dos filhos, abdica de tantos sonhos... então eu não queria abdicar do meu sonho de voltar para o palco, escolhendo um lindo texto que tocasse o coração das pessoas, no mundo tão cruel, tão desatento, tão descuidado que tá. Uma geração muito sem perspectiva, sem propósito de vida, com a urgência, onde a gente tem que comunicar com a alma, com o coração.
Então minha mãe me ajudou porque ela é e sempre será uma fonte de inspiração na minha Desde que eu era pequena, ela é uma mulher de luta que eu admiro

3 - Muitas pessoas acreditam que cuidam dos pais da melhor forma possível, mas a peça mostra que, às vezes, a negligência acontece de maneira silenciosa. O que você espera que o público leve para casa após assistir ao espetáculo?
A palavra eu acho que é transformação. O verbo é perdoar, é livrar-se de mágoas, de dores, não tem nenhuma família perfeita. Pai e mãe são seres humanos, com riscos de erros, acertos, mas com a vontade sempre de proteger seus filhos, colocá-los em primeiro lugar na vida. Então, eu acho que o filho só sente também essa transformação, talvez quando se tornam pais, sabe? A mensagem é: ainda dá tempo de você transformar o seu coração, de correr e abraçar a sua mãe e seu pai e dizer que você os ama, que você os perdoa, sabe?
Porque eles são seres humanos cheios de medos, de angústias, de desejos, de frustrações, de sonhos que não se realizaram, até em relação aos próprios filhos, expectativas não construídas. Então é sobre isso, é sobre o perdão, sobre o amor, é sobre o recomeçar de uma forma mais leve. É de pegar na mão desse pai, dessa mãe, é de fazer uma visita, é de ter que reconstruir laços.

4 - Como mulher madura e artista, quais foram os maiores aprendizados que a vida te trouxe sobre o tempo, os afetos e as relações familiares?
Que da vida não se leva nada. Pode ser até uma frase clichê, mas é fato que a vida é muito rápida, efêmera. Sobre os afetos, que a gente ama e desama e ama de novo, que até é uma parte da peça, entendeu? Temos que perdoar as pessoas que nos fizeram mal, que foram ríspidas, estúpidas, incompreensivas para determinado momento da nossa vida.
Siga em frente, com um coração leve, porque a maturidade nos traz isso, nos traz sabedoria, simplicidade. A elegância está na simplicidade, a gente vê o mundo, as coisas, as ações, né? É fazer caminhos, dar risada, às vezes, de uma coisa triste, rir, chorar também. Também a gente suportar as nossas fragilidades. Quando a gente ama, quando a gente desama... porque amar traz medos, inseguranças, incertezas, né? E não amar também.
Então, que me segura na verdade é a minha fé, porque ela está acima de tudo isso, está acima dos sentimentos humanos. Minha fé está em um lugar misterioso com Deus, com Cristo, com o que eu acredito ser sentimentos e uma fé superior, algo que eu creio, que eu sinto, mas que não está no campo humano, porque no campo humano nós erramos, vacilamos, magoamos. Então, sobre os afetos que a gente tem que continuar acreditando no amor, no ser humano, nas pessoas. Porque, caso contrário, a gente perde todo o sentido dessa vida que a gente vive nesse mundo. É sobre isso.

5 - Para você, o que significa ser um verdadeiro "mulherão"?
Ah, são tantas coisas! Ser um mulherão é me aprofundar nos meus propósitos e meus sonhos. Focar todos os dias neles, acordar como águia e mirar de cima. É sobre ser honesta e leal com minha palavra com meus sonhos, desejos e fé. É ser leal com o meu amor ao outro, ao meu trabalho.
Ser um mulherão também é cuidar-se fisicamente, fazer o que ama. Eu sou privilegiada, faço aquilo que amo! Gosto de escrever, de cantar, dar aula para quem amo, atuo pois é um prazer gigante. Eu sirvo ao altar de Deus porque é uma grande alegria. Me cuido fazendo ginástica e caminhadas. Ser um mulherão é isso: se manter de pé, mesmo com todas as fragilidades que temos!
Mas sempre tentando levar tudo com leveza e humor. Não se levar tão a sério, mas levar coisas que fazemos para a realização de nossos sonhos a sério! Isso é ser mulherão.