IGP-M alto: inquilino deve renegociar aluguel e não mudar contratos, dizem especialistasDivulgação

Rio - A alta do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), tradicional indicador utilizado para determinar o percentual de reajuste dos aluguéis, vem preocupando inquilinos e proprietários. Após divulgação, nesta quinta-feira (29), de que o índice subiu 0,78% em julho e já acumula alta de 15,98% no ano, especialistas do mercado imobiliário recomendam que quem aluga um imóvel renegocie o valor pago.  
O vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-Rio), Claudio Hermolin, frisa que por conta da crise econômica que vivemos, a renegociação entre as partes é a melhor saída. "A gente falar em reajuste em um momento difícil da economia é, no mínimo, indecente. Por isso, como entidade de classe recomendamos uma negociação entre as partes", diz. 
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Hermolin também cita como cada lado foi afetado pela crise, com inquilinos desempregados ou com renda reduzida e proprietários muitas vezes dependendo do dinheiro do aluguel. "Essas situações tem que ser levadas em consideração na hora da negociação. Cada um dos lados tem a sua necessidade. Óbvio que o inquilino pode sair do imóvel, arcando com as multas em caso de rompimento antecipado do contrato. Ao mesmo tempo, o proprietário tem que tomar cuidado porque a reposição de um inquilino não é algo simples, fácil e rápido. Então, se ele endurecer na negociação e perder o inquilino, ele pode ficar alguns meses com o imóvel vazio, gerando custos. Então, numa negociação, se ambos tiverem bom senso, será um ganha-ganha", complementa. 
O Sindicato de Habitação de São Paulo (Secovi-SP) também reforça a importância da renegociação do valor do aluguel em um momento de alta do índice. "Se o imóvel é ocupado por um bom inquilino, que sempre cumpriu em dia suas obrigações contratuais, o proprietário vai preferir negociar a ter seu imóvel vazio e arcar com custos como condomínio e IPTU. E, ainda, ter de buscar um novo inquilino”, afirma Adriano Sartori, vice-presidente de Gestão Patrimonial e Locação do Secovi-SP.
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Entenda a alta do IGP-M
O IGP-M vem aumentando devido a influência da subida do dólar e das commodities, como o minério de ferro, por exemplo. Por outro lado, o mercado interno ainda sofre as consequências da pandemia, com aumento de desemprego e diminuição de renda. Ambas as situações faz a alta do índice ser difícil tanto para proprietário quanto inquilinos.
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Segundo especialistas, a Lei de Locações determina que o indexador do aluguel é definido entre as partes, mas o mercado imobiliário costuma usar o IGP-M, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O gerente de imóveis da administradora APSA, Jean Carvalho, explica que o mercado adotou o IGP-M por acreditar que o índice melhor demonstraria a variação de preços para este segmento e opina que uma mudança agora nesse critério não modificaria rapidamente o atual cenário.
"Mas nada impede que outros índices possam ser avaliados pelo mercado. Independente do índice/indexador utilizado, sempre haverá momentos de crise e sazonalidades que provocarão distorções. De forma natural, através de negociações, serão resolvidas. Em outras ocasiões já tivemos o IGP-M baixo demais também, até com índices negativos. E uma mudança de indicador nos contratos hoje só terá efeito prático daqui a 12 meses, quando o cenário econômico também será outro", alerta.
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