O consumidor do Rio de Janeiro deve sentir um alívio no bolso nas próximas contas de gásDaniel Castelo Branco
Governo federal rejeita plano do Estado do Rio para Regime de Recuperação Fiscal
Nesta segunda-feira, 17, a decisão ocorreu após a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) se manifestarem de forma desfavorável
Brasília - O governo federal rejeitou o plano do Estado do Rio para o retorno ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Nesta segunda-feira, 17, a decisão ocorreu após a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) se manifestarem de forma desfavorável. O Conselho do Regime (CSRRF) chegou a dar parecer favorável, mas com ressalvas, por dois votos a um.
O Tesouro Nacional entendeu que o RRF encaminhado pelo governo do Rio não equilibraria as finanças do estado. Os principais pontos que se tornaram desfavoráveis levaram a conclusão de medidas cujos impactos possuem fluxos incertos e potencial de arrecadação possivelmente superestimados e concentração do ajuste no último exercício de vigência do RRF, em 2030, o que gera o estabelecimento de metas que não induzem a uma melhora gradual ao longo dos nove exercícios de vigência máxima do RRF.
Além disso, a secretaria também apontou alta fragilidade a variações mínimas em variáveis macroeconômicas, como o PIB e o preço de petróleo. "Dessa forma, entendemos que o Plano do Estado não é crível o suficiente para equilibrar suas contas públicas", explicou o Tesouro Nacional.
A carta é assinada pelo secretário especial do Tesouro e Orçamento substituto, Julio Alexandre Menezes da Silva, e o destinatário é o governador do Rio, Cláudio Castro.
O Tesouro alerta que a adesão do Rio ao novo RFF permitiria ao Estado suspender e reprogramar dívidas com a União no valor de mais de R$ 52,5 bilhões.
Entre setembro de 2017 e maio de 2021, o Rio de Janeiro já teve um alívio de R$ 92 bilhões em sua dívida, de acordo com dados do Tesouro Nacional.
No dia 25 de maio de 2021, o governo fluminense solicitou a adesão ao Novo RRF, que foi aprovada pelo Tesouro em 2 de junho. No dia 29 de dezembro do ano passado, o governo do Rio apresentou o plano para a Recuperação Fiscal, que estava sob análise do Ministério da Economia. O regime tem o objetivo de fornecer aos estados com grave desequilíbrio financeiro os instrumentos para o ajuste de suas contas.
Ao ter o plano de Recuperação Fiscal aceito, o estado ganha um alívio imediato no pagamento de dívidas com a União e demais credores. Em contrapartida, é necessário implementar medidas de ajuste fiscal. O estado precisa apostar em privatizações, outras medidas para aumentar a arrecadação e diminuir as despesas, além de proibir a adoção de medidas que acarretem a redução das receitas.
Assim, são vedados, por exemplo, os reajustes remuneratórios (com exceção da revisão geral anual), a contratação de novos servidores, a realização de concursos públicos e a concessão de benefícios fiscais. Essas vedações, no entanto, não são absolutas, visto que podem ser ressalvadas caso o estado as tenha incluído no PRF e a trajetória de equilíbrio permaneça. Inclusões e alterações do plano poderão ser feitas periodicamente.
O Estado do Rio de Janeiro poderá se manifestar a respeito da análise feita dentro de cinco dias. "Como o Estado do Rio de Janeiro está sob decisão liminar que suspende o pagamento da dívida administrada pela STN, não há, de forma automática, a necessidade de o Estado retomar o pagamento do serviço da dívida. Tal evento só ocorreria caso a liminar deixe de ter efeitos", afirmou o Tesouro Nacional.








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