Reputação de Nelson Tanure se formou com a aquisição de empresas falidas ou endividadasReprodução / Youtube

Alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, nesta quarta-feira (14), Nelson Tanure ficou conhecido por investir em empresas com dificuldades financeiras, mirando grandes lucros no momento de alta no mercado. O empresário é investigado no esquema de fraudes financeiras do Banco Master e teve o celular apreendido no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro, quando embarcaria em um voo para Curitiba, no Paraná. Ele entregou o aparelho e documentos e foi liberado.
Nelson Tanure, de 74 anos, nasceu em Salvador, na Bahia, e se formou em Administração de Empresas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ele também estudou por dois anos no Institut des Hautes Etudes de Développement Economique et Social - entidade da Universidade Paris I (Panthéon-Sorbonne), focada em estudos de desenvolvimento econômico e social - e na Harvard Business School, onde participou de um programa de educação executiva. 
A reputação dele se formou com a aquisição de empresas falidas ou endividadas, que tenta recuperar por meio de restruturação financeira e novos investimentos. Na década de 1980, fez seu primeiro grande negócio com a Sequip, uma empresa de engenharia voltada para a indústria de petróleo. Em seguida, investiu no setor naval, ao adquirir o estaleiro Verolme, de Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio, e que estava em concordata.
Em 2000, o empresário ampliou a atuação para o setor de comunicação, comprando o Jornal do Brasil e arrendando a Gazeta Mercantil. Uma das suas maiores operações de sucesso foi a aquisição da Intelig por R$ 10 milhões e a posterior revenda para a TIM, por cerca de R$ 650 milhões.
Atualmente, é investidor da Light; Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE); Alliança; Ligga Telecom; Sercomtel; Horizons Telecom; Gafisa; Prio (Antiga PetroRio); TIM Brasil; Docas Investimentos S.A; e Serviços de Engenharia e Equipamentos (Sequip).
Tanure ainda tem ações do Grupo Pão de Açúcar e já foi investidor da Intelig Telecom e Oi, em um dos maiores processos de recuperação judicial do país, quando a empresa enfrentava R$ 64,5 bilhões em dívidas. 
Alvo da PF
O empresário aparece com frequência nos noticiários econômicos por envolvimento em disputas societárias, processos de recuperação judicial e debates sobre governança corporativa. Em 2025, ele passou a ser alvo da Polícia Federal (PF) em uma investigação instaurada pelo Ministério Público Federal (MPF), que apurava se ele exercia, de fato, o controle do Banco Master, apesar de não figurar oficialmente como proprietário.
De acordo com os investigadores, o empresário teria recorrido a um conjunto de empresas, fundos e estruturas financeiras para influenciar a instituição sem aval do Banco Central. Na ocasião, Tanure negou manter participação societária ou qualquer poder de comando sobre o banco.
Banco Master
Em novembro do ano passado, a primeira fase da operação prendeu Daniel Vorcaro, dono do Master, quando ele tentava fugir do país em um avião particular para a Europa. Dias depois, ele foi solto pela Justiça. No mesmo dia, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do banco após concluir que a instituição não tinha condições de honrar seus compromissos financeiros. A decretação da falência tem sido alvo de polêmica entre o BC e o Tribunal de Contas da União (TCU). 
Ainda na ocasião, o presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo por decisão judicial. Funcionário de carreira da Caixa Econômica Federal, ele foi indicado para a Presidência do BRB no início do governo de Ibaneis Rocha (MDB) e com o aval do Centrão. O diretor-executivo de finanças e controladoria do BRB, Dario Oswaldo Garcia Junior, também acabou afastado. 

O BRB estava em processo de compra de parte do Banco Master, operação que foi rejeitada pelo Banco Central. A PF apura suspeitas de crimes na operação de venda do Master para o BRB. Segundo as investigações, o primeiro criou carteiras de crédito falsas e as vendeu para o banco público, sem garantias para o negócio.