Fernando Haddad afirmou que o gasto tributário caiu para pouco mais de 6% no governo LulaValter Campanato / Agência Brasil

São Paulo - O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, rebateu críticas feitas pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, sobre a carga tributária na gestão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As declarações ocorreram em um painel no J. Safra Macro Day, evento realizado pelo Banco Safra, em São Paulo, nesta segunda-feira, 30.

Na ocasião, Haddad disse que o governo reduziu o gasto tributário. "Nós tivemos apoio do Congresso pela primeira vez numa agenda de corte de gasto tributário. Nós chegamos ao cúmulo de ter 8% do PIB de gasto tributário. Nós devemos ter conseguido reduzir isso para um pouco mais de 6% do PIB", declarou.

O petista continuou: "Nós fizemos uma coisa muito ponderada. Nós pegamos cada incentivo fiscal, cada subvenção, e fomos julgando a conveniência de manter ou não aquilo, e fomos submetendo ao Congresso um a um desses projetos de lei para que o Congresso desse a última palavra".

Na sequência, o ex-ministro citou as declarações do presidente do PSD. "Hoje eu inclusive vi o Kassab falar que houve aumento de carga tributária, e eu queria corrigi-lo, porque na verdade o PSD ajudou muito. O PSD do Kassab votou em todos os projetos de corte de gasto tributário que não se justificava mais. Então, o Kassab foi parceiro, sem saber, talvez."

As declarações de Kassab ocorreram mais cedo, também no evento do Banco Safra, ao comentar sobre a confirmação do lançamento da candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, para a presidência da República pelo PSD.

"(Lula) Não fez nada nesses cinco mandatos para tentar trazer mais transparência, trazer o voto distrital, fazer a reforma administrativa", disse. "Ao contrário, porque, para ter recursos e investir na infraestrutura do País, não pode aumentar a carga tributária. Vocês sabem o que foi esse governo Lula e o aumento brutal da carga tributária", acrescentou.
Corte nos juros
Haddad, afirmou não ser sempre favorável à redução da taxa Selic e que chegou a apoiar o Banco Central em 2024 no aumento do patamar. 
"Eu apoiei o Banco Central no final de 2024 quando houve necessidade de subir a taxa de juros. Então, não sou sempre a favor de cair a taxa de juros. E outro dia eu disse que um dos problemas que o governo anterior viveu foi justamente colocar a taxa de juros em 2% e perder completamente o controle do câmbio e sobre a inflação", disse.

Na sequência, Haddad disse que desde o ano passado tem visto espaço para cortes na taxa de juros. "Lembrando que é um problema, tem um remédio, e você tem que calibrar a dose. Então, essa coisa de dosar é a arte do banqueiro central", declarou.

Durante o painel, o ministro disse que melhorou as contas públicas simultaneamente à preservação de direitos sociais e empregos, "sem prejudicar a base da pirâmide". Em seguida, afirmou que vê o Brasil próximo do equilíbrio fiscal.

"Acho que nós temos uma gordura de política monetária, 10% de juro real", afirmou o ex-ministro da Fazenda. "Mantendo o ritmo de reformas, fazendo os ajustes necessários, e eu sempre defendo que preservem a base da pirâmide, para não comprometer o crescimento, eu acho que a gente consegue avançar mais e, num segundo mandato nessa direção, a gente chegar a estabilizar a relação dívida-PIB, com crescimento robusto e um conjunto de reformas que melhoraram o ambiente de negócios", acrescentou.
Caiado
Haddad afirmou que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), "não é uma novidade" na arena política, ao comentar sobre a decisão do PSD de lançá-lo para a disputa pelo Palácio do Planalto. 

"A verdade é que tem dois blocos que têm líderes políticos com apelo popular muito forte", afirmou, em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "O espaço para uma alternativa existe? Sempre existirá espaço, porque nós vivemos num País que dá muita oportunidade para alternativas. Uma pessoa sem grande trajetória política, sem partido forte, consegue se colocar na arena política", continuou.

Na sequência, Haddad mencionou o influenciador e empresário Pablo Marçal, que foi candidato à prefeitura de São Paulo em 2024. "Já teve aqui em São Paulo. Uma pessoa que ninguém conhecia até outro dia quase ganhou para o segundo turno, o Pablo Marçal, para citar um exemplo. Mas acontece isso na política, e não é comum acontecer no mundo."

Em seguida, o ex-ministro comentou sobre a candidatura de Caiado "Não é uma novidade propriamente. É uma pessoa que disputou a eleição para presidente em 1989, o Caiado. Então, não dá para chamar ele de uma novidade. E eu acho que o discurso também não é novo. Mas haveria espaço. O Brasil é um País muito aberto", declarou.
Campanha
O ex-ministro da Fazenda disse que está reunindo pessoas nas diversas áreas para formar seu plano de governo e afirmou que irá apresentar um "projeto ousado" para São Paulo.

"Eu estou reunindo pessoas que eu acho altamente competentes nas diversas áreas. Eu tenho uma passagem pela educação, fui sete anos ministro da Educação, foi quatro anos prefeito de São Paulo, e essas questões, educação, saúde pública, urbanismo, são questões que me tocam diretamente. Eu conheço muita gente respeitável que já está sendo avisada e que vai ser convocada para ajudar", disse.

Em seguida, ele disse que terá "uma grande equipe" de plano de governo. Sobre a composição partidária da chapa, Haddad elencou: "Acredito que nós, espero estar com o PSB, que tem gente muito boa, com a Federação Rede-PSOL, que tem gente muito boa, muito comprometida. Hoje eu estive com o presidente (Carlos) Lupi, do PDT, que vai apoiar também a nossa candidatura e que tem quadros importantes aqui no Estado de São Paulo".

Haddad ainda sustentou que terá "técnicos de alta qualidade e lideranças de movimentos importantes", com o objetivo de "dar uma modernizada" na agenda de São Paulo. Ele elogiou o que os ministros dos Transportes, Renan Filho, e dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, fizeram a nível nacional na área de infraestrutura. "A gente viu muita coisa andar lá e um ritmo muito diferenciado. Eu acho que aqui está faltando ritmo, do ponto de vista de parceria".

Sobre a área da educação, Haddad defendeu que São Paulo "tem que liderar". "É o estado mais rico do País, é o que mais investe, mas não colhe os resultados em termos de qualidade. Essa coisa de militares irem para a sala de aula, eu acho que nós estamos trocando os pés pelas mãos".

"Eu acho que nós estamos com um problema de segurança que tem que ser resolvido pelas forças de segurança e um problema de educação que tem que ser resolvido pelos educadores", resumiu. "Nós estamos misturando estações aqui para agradar o público, mas vendendo uma fantasia, vendendo uma ilusão. Não estamos fazendo um trabalho como a gente deveria fazer".

Por fim, o pré-candidato disse que nesta segunda teve reunião com o coordenador do seu plano de governo e até julho irá apresentá-lo.
Tebet
Haddad elogiou a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB). Ele foi questionado sobre os candidatos ao Senado Federal por São Paulo.

"Eu fui muito feliz de trabalhar com a Simone lá na área econômica do governo federal. É uma pessoa que combinou muito ideias comigo, uma pessoa muito responsável, muito séria. Fiquei muito feliz com a vinda dela para São Paulo", disse.

"É uma pessoa que vai fazer muito bem para o debate em São Paulo Uma mulher competente, comprometida, transparente, leal. Ela tem todas as qualidades de uma grande política, de uma grande liderança", completou.

Sobre o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), Haddad afirmou que ele é "um belíssimo vice-presidente" e "fez um par bacana com o presidente Lula". "Nós construímos essa parceria que, na minha opinião, deu muito certo do ponto de vista simbólico, do ponto de vista de mostrar um caminho de agregar e não desagregar, de unir e não desunir no plano federal".

Ele disse que gostaria que isso se reproduzisse em São Paulo. "Se depender de mim, eu quero ampliar a aliança de 2022. Porque eu acho que, até para que esse espaço de novas caras na política surja, a gente precisa quebrar um pouquinho esses muros que foram artificialmente construídos, que estão separando os brasileiros. Então, eu estou fazendo gestão no sentido de ampliar o diálogo aqui em São Paulo, porque eu acredito que isso vai permitir que, do ponto de vista programático, a gente possa avançar mais".