CNC diz que resultados indicam relativa estabilização das condições financeiras das famíliasJoédson Alves/Agência Brasil
"Os resultados recentes indicam relativa acomodação das condições financeiras das famílias. Embora o endividamento mantenha trajetória de avanço, esse movimento não tem sido acompanhado por deterioração expressiva da inadimplência, que segue relativamente estável, assim como a parcela de famílias sem condições de quitar dívidas em atraso. Além disso, a perspectiva de recuo da inadimplência de longo prazo sugere um perfil de endividamento mais administrável no curto prazo", apontou o relatório da CNC.
A pesquisa considera como dívidas as contas a vencer nas modalidades cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa.
Inadimplência
Além disso, a fatia de famílias brasileiras afirmando que não terão condições de pagar suas dívidas em atraso, ou seja, que permanecerão inadimplentes, ficou estável em 12,3% em abril, mesma proporção vista em março. Em abril de 2025, essa proporção era de 12,4%.
Entre os inadimplentes, 49,5% relataram terem débitos vencidos há mais de 90 dias.
"O tempo médio de atraso estabilizou-se em 65,1 dias pelo terceiro mês seguido, refletindo melhora da renda média que ajuda na regularização financeira", apontou a CNC.
Endividamento sobe entre pobres e ricos
Na classe média baixa, com renda de três a cinco salários mínimos, a proporção de endividados avançou de 82,6% em março para 82,8% em abril. No grupo de cinco a dez salários mínimos, houve elevação de 79,2% para 80,1%. No grupo com renda acima de 10 salários mínimos mensais, essa fatia subiu de 69,9% para 70,8%.
Detalhamento da inadimplência
Na classe média baixa, com renda de três a cinco salários mínimos, a proporção de inadimplentes diminuiu de 28,7% para 28,0%. No grupo de cinco a dez salários mínimos, houve elevação de 22,1% para 22,7%. No grupo que recebe acima de 10 salários mínimos mensais, a fatia de inadimplentes subiu de 14,7% para 15%.
"O aumento das incertezas no cenário econômico global levou a uma recente revisão quanto ao ritmo de flexibilização da política monetária no Brasil. A percepção dominante atualmente é que, até o fim do ano, os juros caiam menos que o esperado anteriormente. Se confirmado esse cenário, os níveis de endividamento tendem a se manter em patamares elevados por mais tempo", ponderou o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, em nota.
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