Pesquisa mostra que rendimento dos mais ricos é 13,8 vezes maior que o dos mais pobres José Cruz / Agência Brasil
O dado de 2025 representa o quarto ano seguindo de alta no rendimento dos domicílios, segundo o levantamento divulgado nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro.
Veja o comportamento do rendimento médio mensal por pessoa nos últimos anos:
2020 - R$ 1.820
2021 - R$ 1.692
2022 - R$ 1.809
2023 - R$ 2.018
2024 - R$ 2.118
2025 - R$ 2.264 (recorde)
Distrito Federal - R$ 4.401
São Paulo - R$ 2.862
Rio Grande do Sul -R$ 2.772
Santa Catarina - R$ 2.752
Rio de Janeiro - R$ 2.732
Paraná - R$ 2.687
Trabalho e outras fontes
Ao detalhar os rendimentos que não decorrem do trabalho, o IBGE mostra que a maior parte corresponde à aposentadoria e pensão, com 16,4%. Programas sociais aparecem na sequência, com 3,5%; seguidos de aluguel e arrendamento (2,1%), outros (2%) e pensão alimentícia, doação e mesada de não morador (0,9%).
Nordeste
Renda individual
Em 2025, o Brasil tinha 212,7 milhões de pessoas, sendo 143 milhões com algum tipo de rendimento, o que representa 67,2% da população. É o maior nível já registrado, superando o recorde que pertencia a 2024 – 140 milhões e 66,3%, respectivamente.
A parcela de brasileiros com rendimento do trabalho alcançou 47,8% da população, e dos que receberam alguma outra fonte, 27,1%. As duas marcas são recorde. Nesse segundo grupo, aposentadoria e pensão previdenciária eram a fonte de rendimento mais comum, representando 13,8% da população, maior patamar da série histórica. Em 2012, 11,7% das pessoas recebiam dinheiro de aposentadorias e pensão.
O analista da pesquisa, Gustavo Fontes, atribui o crescimento dessa parcela a uma questão demográfica. “Isso reflete, sobretudo, o envelhecimento populacional.”
Os brasileiros que recebiam programa social do governo, como o Bolsa Família, eram 9,1% – levemente abaixo do ano anterior (9,2%), mas em nível superior ao observado no período pré-pandemia. Em 2019, 6,3% recebiam benefícios.
Recorde no rendimento
Quando se leva em conta todos os tipos de rendimentos – trabalho, aposentadorias, pensões, seguro-desemprego, bolsas de estudo, benefícios sociais, alugueis – a média mensal marca R$ 3.367, expansão de 5,4% em relação ao ano anterior.
Concentração de renda
No ano anterior, essa relação entre os mais pobres e os mais ricos estava em 13,2 vezes. Apesar do aumento, o índice de 2025 é o segundo menor de uma série histórica iniciada em 2012.
A pesquisa aponta que a diferença aumentou de 2024 para 2025 porque o rendimento dos 10% mais ricos subiu 8,7%, já descontada a inflação. Em contrapartida, a alta do grupo dos 40% mais pobres ficou em 4,7%.
No entanto, a observação mais ampliada mostra que, desde 2019, último ano antes da pandemia de covid-19, o grupo dos 40% mais pobres teve alta de 37,6% nos rendimentos. Já no grupo dos 10% mais abastados, o aumento foi de 11,9%. De acordo com o IBGE, o percentual foi “bastante abaixo” do crescimento registrado pelas demais classes.
Quando se observa apenas o comportamento do grupo dos 10% mais pobres, a expansão de 2019 a 2025 é de 78,7%. Nesse período, o rendimento mensal médio dessa fatia da população saltou de R$ 150 para R$ 268.
Gustavo Geaquinto Fontes aponta o mercado de trabalho e os programas sociais como responsáveis pela redução da diferença nos últimos seis anos. Apesar da redução, o IBGE afirma que “a desigualdade no país, ainda que tenha caído em relação aos anos que precederam a pandemia, permanece em níveis bastante acentuados”.
Enquanto os 40% mais pobres têm rendimento familiar médio mensal de R$ 663 por pessoa, no Sul, o valor chega a R$ 978, seguido do Centro-Oeste (R$ 846) e do Sudeste (R$ 842). Já Nordeste (R$ 449) e Norte (R$ 490) ficam abaixo da média.
Por unidade da Federação, o Distrito Federal surge como a região com maior diferença entre os ganhos dos 10% mais ricos e os 40% mais pobres. A relação é de 19,7 vezes.
Em seguida, aparecem Rio de Janeiro (16,4) e Rio Grande do Norte (16,3). O maior estado do país, São Paulo, apresenta relação de 11,9 vezes, sendo o 12º estado com menor disparidade.
As condições menos desiguais foram encontradas no Mato Grosso (9,1) e em Santa Catarina (8,4).
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