Sede do Rioprevidência, no Centro do RioDivulgação/Governo do Estado

O Conselho Fiscal do Rioprevidência reprovou as contas do fundo referentes ao exercício de 2025, após identificar inconsistências relacionadas aos investimentos mantidos no Banco Master, que entrou em liquidação extrajudicial no fim daquele ano. A decisão foi tomada por unanimidade e, segundo o próprio colegiado, é a primeira rejeição formal das contas anuais do órgão desde que há registros disponíveis.
LEIA MAIS: TSE decide anular votos do Garotinho

No parecer, os conselheiros apontam que o balanço financeiro não refletiu de forma adequada os impactos provocados pela deterioração dos ativos vinculados ao conglomerado financeiro. A avaliação é que, após a liquidação do banco, o Rioprevidência deveria ter revisto a expectativa de recuperação dos valores investidos e ajustado suas demonstrações contábeis para registrar as perdas esperadas.

O Conselho destacou que, ao longo de 2025, o fundo contabilizou receitas provenientes de aplicações no Banco Master. Somente no Plano Previdenciário, os rendimentos financeiros registrados ultrapassaram R$ 826 milhões. Para os conselheiros, o problema não está na contabilização dos ganhos enquanto os investimentos estavam ativos, mas na ausência de ajustes posteriores diante da mudança no cenário financeiro da instituição.

Na avaliação do colegiado, a falta dessa correção pode ter levado a uma apresentação mais favorável da situação patrimonial do fundo do que aquela que efetivamente poderia ser realizada.

Exposição bilionária



O parecer também chama atenção para o volume de recursos aplicados no conglomerado. De acordo com os dados analisados pelo Conselho Fiscal, a exposição do Rioprevidência ao grupo chegou a aproximadamente R$ 2,6 bilhões em julho de 2025.

O valor representava mais de um quarto de todos os recursos investidos pelo fundo naquele período. O documento destaca ainda que parte dessas operações ocorreu mesmo após alertas relacionados aos riscos financeiros das aplicações.

Além da questão envolvendo o Banco Master, os conselheiros apontaram divergências entre os resultados apresentados pela contabilidade do Rioprevidência e aqueles informados pela área responsável pelos investimentos. Segundo o parecer, as diferenças não foram devidamente esclarecidas durante a análise das contas.



Próximos passos


A reprovação das contas pelo Conselho Fiscal não implica, automaticamente, sanções ou mudanças imediatas na gestão do fundo. O parecer, no entanto, passa a integrar o processo de análise dos demonstrativos financeiros e pode servir de base para futuras avaliações de órgãos de controle e fiscalização.

Responsável pelo pagamento das aposentadorias e pensões dos servidores estaduais, o Rioprevidência administra um dos maiores fundos previdenciários do país e movimenta bilhões de reais em recursos públicos.