Imóveis residenciais com valor venal de até R$ 85.260,00 são isentos da cobrança de IPTU Rafa Neddermeyer / Agência Brasil
No município do Rio, o cálculo do IPTU é baseado no chamado valor venal. Para obter esse número, segundo a Secretaria Municipal de Fazenda, são utilizados critérios como “o valor de referência do metro quadrado no logradouro, o tipo de construção — apartamento, casa, sala comercial ou loja —, a idade do imóvel e, em determinadas situações, sua localização dentro do terreno, como frente ou fundos”.
A pasta acrescenta que, em terrenos não edificados, fatores como as dimensões do lote, as restrições legais de aproveitamento, o relevo e as condições de drenagem entram na conta.
Por fim, sobre o valor venal, é aplicada uma alíquota correspondente à classificação do imóvel. A secretaria destaca, entretanto, que eventuais isenções e benefícios previstos em lei podem alterar o cálculo.
Em 2026, não estiveram sujeitos à cobrança do imposto os imóveis residenciais com valor venal de até R$ 85.260, os não residenciais de até R$ 37.207 e os terrenos de até R$ 57.358, além da isenção automática quando a soma do IPTU e da Taxa de Coleta de Lixo (TCL) não ultrapassa 30 Ufirs (equivalentes a R$ 149 neste ano).
Também há outras isenções e benefícios fiscais aplicáveis, por exemplo, a templos religiosos e imóveis históricos. A lista completa de casos elegíveis está disponível no Portal Carioca Digital.
O valor do IPTU pode ser contestado?
Ainda assim, o especialista aponta para possíveis casos em que os contribuintes observam que o valor venal do imóvel, estipulado pela administração municipal, está incorreto, o que resulta em uma cobrança de imposto maior.
“Em relação à base de cálculo, a controvérsia geralmente envolve a superestimação do valor venal dos imóveis pela prefeitura, desconsiderando o valor de mercado do imóvel, que pode estar menor do que o previsto pelo órgão público. Assim, o montante sobre o qual se calcula o imposto é virtualmente maior do que deveria ser”, afirma o professor.
O professor destaca que o questionamento deve ser baseado nos critérios adotados pela prefeitura. Ele ressalta, no entanto, que “o contribuinte sempre poderá procurar o Judiciário caso entenda que o Poder Público esteja calculando a mais o IPTU, fora dos parâmetros legais.”
Como ocorrem os aumentos no valor do IPTU?
Dona de uma casa de 200 metros quadrados na Taquara, Zona Sudoeste, a esteticista animal Elizabete Oliveira, de 54 anos, lembra dessa mudança. Ela conta que o imposto saltou de cerca de R$ 600 para aproximadamente R$ 800 e, no ano seguinte, para R$ 1 mil.
Elizabete considera que o valor do imposto é elevado, e argumenta que o bairro passa por uma desvalorização devido ao avanço da violência:
“A gente não tem retorno em serviços”, defende. “Eu acho meu IPTU caro, porque a minha casa não fica no centro da Taquara, ela é no interior de Jacarepaguá, numa estrada. Hoje existe um comércio, mas um tempo atrás não existia esse comércio todo. Não dá para comparar com o centro da Taquara, onde você desce e pega logo um ônibus.”
O valor pode variar de acordo com o bairro?
“Em geral, regiões como Ipanema, Leblon, Copacabana e Barra da Tijuca apresentam áreas com valores de referência mais elevados, o que tende a resultar em um IPTU maior para imóveis com características semelhantes”, detalha a pasta.
Contrapartida de serviços públicos
A jornalista Sheila Dunaevits, de 71 anos, avalia que os reajustes no tributo são “razoáveis” — neste ano, o valor do IPTU de seu apartamento de 92 metros quadrados no Andaraí, Zona Norte da capital, subiu de R$ 2.120 para R$ 2.250 (parcelado em dez meses). No entanto, ela critica a falta de conservação e defende mais investimentos na região.
“As ruas são totalmente depredadas”, revela Sheila, que enumera problemas como a baixa qualidade da pavimentação, a falta de manutenção em uma praça e os riscos das calçadas. A jornalista, que caminha com o auxílio de uma bengala, relata que já sofreu diversas quedas na rua e chegou a quebrar um dedo.
A jornalista afirma que o impacto financeiro do pagamento do IPTU é baixo, mas julga que as ações realizadas pela prefeitura não fazem jus à tributação: “de jeito nenhum”.
Sheila comenta que as reclamações sobre as condições da região não são recentes. Ela lembra do caso de uma enchente ocorrida há anos. “Perto do apartamento, choveu uma vez e eu fiquei quatro horas dentro de uma farmácia, porque a água ia até quase a minha cintura. Você via até rato na água”, conta.
* Reportagem do estagiário Victor Louro, sob supervisão de Marlucio Luna


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