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Luiz Fernando Santos Reis: A infraestrutura nossa de cada dia

Segundo especialista, cada real investido em saneamento representa uma economia de R$ 5 em saúde

Por O Dia

Luiz Fernando: 61% de cargas transportadas por rodovias, o modal mais caro de todos
Luiz Fernando: 61% de cargas transportadas por rodovias, o modal mais caro de todos -

Infraestrutura: o que significa essa palavra tão mencionada e que é uma das alavancas para a retomada do desenvolvimento? Para começar, é importante lembrar que ela permeia toda a atividade que rege o ritmo do crescimento e da vida de nosso país. E a segunda conclusão imediata é que, apesar de tão vital, ela está completamente sucateada.

Temos um país com dimensões continentais, em sua maioria plano, com cerca de oito mil quilômetros de litoral, porém com uma logística de transporte completamente equivocada, e acima de tudo, deteriorada e ineficiente.

Nesse aspecto, uma das frases mais marcantes que ouvi sobre nossa logística é: "Somos eficientes até a porta da fábrica. Daí em diante, ou seja, até o destino final, perdemos toda a eficiência". Onde deveríamos ter uma matriz ferroviária e de navegação costeira temos 61% de cargas transportadas por rodovias, o modal mais caro de todos.

Esta ineficiência em nossa infraestrutura não ocorre só na logística de transportes. Se formos para o setor de saneamento básico, o drama talvez seja maior, 83% da água distribuída é tratada, mas isso não quer dizer a população atendida receba esse volume porque a quantidade de perdas na distribuição é absurda.

No que tange o esgotamento sanitário, os números são também impressionantes: apenas 52% do volume é tratado e 48%, lançado na natureza, provocando, além de um verdadeiro crime ambiental, uma gigantesca fonte produtora de doenças. É importante lembrar que cada real investido em saneamento representa uma economia de R$ 5 em saúde.

Outro segmento essencial na infraestrutura é o setor de energia, bem melhor avaliado do que os demais, apesar de ainda precisar de sérios ajustes. O desmanche provocado pelo governo da Presidente Dilma no setor elétrico fez com que, hoje, estejamos pagando tarifas altas e correndo riscos constantes de desabastecimentos. Já, no setor de óleo e gás, atingimos níveis de primeiro mundo em tecnologia, mas sofremos ainda de decisões políticas equivocadas que retardam nosso desenvolvimento.

Infraestrutura, entretanto, não se restringe a esses macros segmentos. Ela está presente em tudo que diz respeito a qualidade de vida da população tanto na grande metrópole até o menor povoado. Só para exemplificar: todos equipamentos urbanos que constituem as vias de circulação ou meios de transporte (ruas, túneis, pontes, viadutos, metrôs, veículos leves sobre trilhos) são equipamentos que formam o conjunto da infraestrutura das cidades, incluindo sistemas de drenagem de águas pluviais.

No entanto, é lamentável que, considerando a importância que essa tal de "infraestrutura" tenha para qualidade de vida da população e para o desenvolvimento do país, receba tão pouca atenção dos governos.

Luiz Fernando Santos Reis é presidente da Associação das Empresas de Engenharia do Rio (Aeerj)

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