Caiado disse que Flávio Bolsonaro 'já ganhou' a eleiçãoVittor Sales / Divulgação

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) evitou comentar se, caso eleito, indicará Ronaldo Caiado (PSD) como ministro. A declaração aconteceu durante um evento em Goiânia nesta terça-feira (6), após apoiadores gritarem "ministro" para Caiado. Ao receber apoio de Caiado, Flávio afirmou ter alinhamento com o ex-governador.

"Esse apoio que recebo agora é importante. É mais que política, é sentimental. Temos vários pontos convergentes. Esse rol de critérios programáticos, ele sabe que concordamos 115% do que está aqui", disse Flávio, após receber de Caiado um documento com propostas convergentes das duas campanhas.

O candidato do PL relembrou as desavenças passadas entre Caiado e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Sou testemunha de atritos de Caiado com Bolsonaro, mas também de união".

Flávio disse que vai se "inspirar muito na segurança pública de Goiás e São Paulo", voltou a defender o endurecimento penal e a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Nossa união mostra ao povo da nossa maturidade. Daqui para frente, Brasil está sob ameaça. Acabou para Lula", disse Flávio a Caiado. Flávio também sinalizou a Goiás: "Vou estender tapete verde e amarelo para trazer investimentos a Goiás".

'Apoio a Flávio Bolsonaro será 'integral e de corpo inteiro'

Caiado declarou seu apoio à candidatura presidencial de Flávio e afirmou que o endosso será de "corpo inteiro". "A mobilização para Flávio será em tempo integral ... Goiás dará maior votação a Flávio Bolsonaro", acrescentou o ex-governador goiano ao lado de Flávio.

Em seu discurso, Caiado afirmou que o "Zero Um" já "ganhou eleição" e repetiu acenos ao bolsonarismo, dizendo que, caso fosse eleito, daria indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso por tentativa de golpe de Estado. Caiado registrou 2,18% dos votos válidos, com 2,6 milhões de votos.

O candidato do PL também se definiu como o "empecilho para se evitar que o Brasil se torne uma Venezuela" e comemorou a eleição do Congresso: "Brasil já me deu Congresso mais à direita".

Evento em Goiânia contou com Tarcísio

O evento também contou com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a quem Flávio agradeceu por "iniciar um intercâmbio" de viagens pelo Brasil. Tarcísio elogiou o apoio de Caiado à candidatura presidencial de Flávio e afirmou que o ex-governador "tem um vida pública ilibada".

"Caiado, em 1989, já dava 'porrada' em Lula", disse Tarcísio, referindo-se ao pleito daquele ano, em que tanto Lula como Caiado disputaram. 

Tarcísio disse que Caiado ajudará Flávio a não apenas a ser eleito, mas a ser um "grande presidente". O governador repetiu seu apoio a Flávio: "Sofremos durante quatro anos com desmando de um governo incompetente. Nunca mais teremos PT. O Estado de São Paulo está com Flávio Bolsonaro", falou.

Fim da reeleição

Flávio reiterou o compromisso em acabar com a reeleição para o Executivo federal, defendida por ele em uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) protocolada em março. Aos jornalistas, o presidenciável também negou que seu pai possa disputar o Palácio do Planalto em 2030, conforme afirmou o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em entrevista à CNN Brasil nesta segunda-feira (5).

"Valdemar falou uma coisa, não sei de onde ele tirou isso. Acho que o Valdemar não leu a PEC. Na PEC, obviamente, eu me comprometo ali com o fim de reeleição para presidente da República. É o Congresso que vai definir qual vai ser a redação que vai ser dada a ela. Mas a tendência é discutir a questão do tempo do mandato, se isso vai ser replicado para governadores e prefeitos, ou seja Executivo", explicou.

Flávio disse que o texto terá um dispositivo proibindo que parentes até terceiro grau do presidente possam concorrer ao Planalto. Com isso, ele argumentou que o pai não poderá disputar as eleições de 2030 e também negou que Jair Bolsonaro participará de seu eventual governo.

"O presidente Bolsonaro nunca me pediu, nunca discutiu o espaço no governo, participar ou não. Eu sempre disse que ele vai ser eternamente o meu professor, é o meu conselheiro, para quem eu sempre vou perguntar alguma coisa", afirmou.

Por fim, o presidenciável reiterou que seu pai não pediu para concorrer novamente à Presidência. "Não tem conversa, ele nunca me pediu para fazer parte de governo, ele não tem possibilidade de disputar a próxima eleição presidencial."