O candidato ao Governo do Rio, Eduardo Paes (PSD), junto com a Coligação "Juntos para Mudar, Coragem para Reconstruir", entrou com um pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para garantir que o segundo turno nas eleições no estado seja garantido. O pedido, enviado nesta terça-feira (6), acontece depois que o Ministério Público Eleitoral (MPE) se manifestou a favor do pedido de desistência e da manutenção do indeferimento da candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos). A Corte marcou o julgamento do caso para quinta-feira (8).
Se os votos direcionados ao ex-governador do Rio forem anulados de forma definitiva, a conta dos votos válidos muda. Nesse cenário, Douglas Ruas (PL), que terminou a apuração na liderança, ultrapassaria os 50% dos votos válidos necessários para vencer a eleição já no primeiro turno contra Paes. A situação ainda depende de uma decisão do TSE.
"A presente manifestação da Coligação busca a preservação da higidez do processo democrático e da vontade soberana manifestada pelo eleitorado fluminense no primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 [...]. A eleição para o cargo de governador do Rio envolve um dos maiores colégios eleitorais do país, de modo que a apuração e a destinação dos votos não podem ficar sujeitas à conveniência individual de qualquer dos candidatos", diz um trecho do pedido direcionado ao ministro Floriano de Azevedo Marques.
No documento, a Coligação menciona a desistência de Garotinho um dia depois da apuração dos votos. "A pretensão de desistir do recurso ordinário no dia imediatamente posterior à eleição, visando à anulação de seus próprios votos para alterar a base de cálculo da eleição e forçar a definição da disputa em primeiro turno, repercute de forma direta e lesiva sobre o direito da coletividade fluminense e sobre os demais participantes do processo eleitoral".
Paes chama Garotinho de 'laranja' nas eleições
Paes classificou como uma "manobra política" a desistência de Garotinho do recurso contra o indeferimento de sua candidatura. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira (5), o ex-prefeito da capital afirmou que a decisão teria sido articulada com Ruas.
"Hoje, um dia depois das eleições, o país recebe a notícia que o próprio Garotinho decidiu se declarar inelegível no TSE para os votos dele serem anulados e Douglas Ruas ser declarado vencedor. Ou seja, impedir que o segundo turno aconteça. Uma clara interferência no processo eleitoral. Estamos presenciando uma agressão sem precedentes à democracia", disse Paes em um trecho do vídeo.
Em outro momento, o ex-prefeito afirmou que, desde o início da campanha, tentou alertar sobre um suposto plano de Garotinho e Ruas para "tumultuar" as eleições. "Demorou, mas hoje finalmente está todo mundo sabendo da armação de Garotinho com Douglas Ruas para o candidato do PL vencer a eleição no 'tapetão'. Na minha campanha, a gente avisou desde o início que Garotinho era um candidato laranja. A Justiça disse que ele não poderia ir às urnas por causa dos crimes e condenações. O único objetivo dele era tumultuar a eleição, mas a Justiça deixou ele livre", disse.
Garotinho nega aliança com Ruas
Logo após o MPE se posicionar a favor da desistência do recurso, Garotinho abriu uma live em suas redes sociais, para comentar a decisão. Ele iniciou o vídeo agradecendo aos mais de 270 mil eleitores que votaram nele, mesmo sabendo que os votos poderiam não ser considerados válidos.
"Me sinto no dever, na obrigação de falar a verdade. Já agradeci aos 270 e tantos mil eleitores que, mesmo sabendo que os votos não poderiam valer, ainda assim votaram em mim. Acho um absurdo, depois de tudo o que aconteceu, Ruas ser governador. Mas não é o povo? O povo votou", disse. Em seguida, completou: "Cada povo tem o político que merece. Vocês não votaram? Agora aguentem as consequências".
Garotinho também rebateu as acusações de Eduardo Paes de que teria feito um acordo com Douglas Ruas para abrir mão do recurso em troca de uma vaga no governo. "Eu não tenho acordo com ninguém. Não lhe dou essa autorização para usar meu nome e ninguém está autorizado a fazer acordo em meu nome. Sou um político independente", afirmou.
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