Flávio Bolsonaro participa de sabatina na TV GloboGlobo/ Manoella Mello
Redução de despesas públicas
Como alternativas, ele citou a redução de pelo menos dez dos 39 ministérios, o combate à corrupção, mudanças na gestão das estatais e a utilização de imóveis públicos e dívidas que a União tem a receber para obter recursos. Também mencionou a exploração de petróleo na Margem Equatorial.
“Tem de onde tirar, tem muito corte de despesas, em especial no combate à corrupção”, afirmou.
Ao falar sobre os imóveis públicos, Flávio disse que o patrimônio poderia ser reunido em um fundo e utilizado para gerar receitas. Também estimou que a securitização de valores devidos à União poderia ampliar a arrecadação. As cifras apresentadas pelo candidato foram questionadas pela entrevistadora, que lembrou que, segundo a própria Petrobras, a exploração na Margem Equatorial não deve começar antes de 2033.
Flávio também atribuiu o aumento dos juros e das despesas com a dívida pública à gestão de Lula. Ao longo da resposta, apresentou estimativas sobre o impacto das taxas de juros e as perdas das estatais, sem detalhar como todas as medidas citadas seriam convertidas em economia anual suficiente para alcançar o ajuste prometido.
Mudança de posição sobre escala 6x1
A mudança de posição de Flávio sobre o fim da escala de trabalho 6x1 também foi abordada. Lo Prete lembrou que ele havia criticado a proposta, classificado a medida como eleitoreira e, posteriormente, votado a favor da emenda que prevê a redução da jornada sem corte salarial.
O senador disse que sempre defendeu maior liberdade para o trabalhador organizar sua jornada e citou o caso de mães que precisam conciliar o emprego com os cuidados dos filhos. Segundo ele, a decisão de votar a favor ocorreu depois de ouvir trabalhadores durante viagens pelo país.
“Eu ouvi muitos trabalhadores e eu votei conforme o que eu ouvi nas ruas”, declarou.
Flávio afirmou que não pretende reverter a decisão do Congresso. “Todos os direitos trabalhistas estão garantidos”, disse. Também prometeu ampliar a oferta de creches e criar um sistema de vouchers para famílias que não encontrem vagas na rede pública.
O candidato acrescentou que pretende associar a redução da jornada a medidas de segurança pública e de recuperação do poder de compra. Ele afirmou que a folga adicional precisa vir acompanhada de condições para que os trabalhadores possam aproveitar o tempo livre com mais segurança e tranquilidade financeira.
Sem reeleição
“Eu só preciso de um mandato para começar a consertar o nosso país de verdade”, afirmou.
Lo Prete observou que a proposta mencionada não prevê, por si só, a extensão do mandato presidencial. O candidato respondeu que aceitará a duração definida pelo Congresso, mesmo que permaneça em quatro anos.
Ele também afirmou que a regra contra a reeleição deveria alcançar parentes até terceiro grau e disse que não apoiaria uma mudança que permitisse ao pai ou aos irmãos concorrerem à sua sucessão.
Crítica a ministros do STF e comentário sobre caso Master
Flávio defendeu a redução de privilégios nos três Poderes e direcionou críticas ao ministro Alexandre de Moraes. O senador acusou o magistrado de perseguir adversários políticos e de atuar em favor de Lula, mas não apresentou, na entrevista, comprovação para essas acusações.
Ao ser questionado sobre Kassio Nunes Marques, ministro indicado por Jair Bolsonaro, diante de informações sobre possíveis relações financeiras com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Flávio respondeu de forma geral que todos devem estar submetidos à lei.
“A lei vale para todo mundo”, afirmou. Ele defendeu que ministros do Supremo respondam caso cometam crimes de responsabilidade.
A entrevista também abordou o dinheiro solicitado por Flávio a Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Lo Prete perguntou sobre a diferença entre os R$ 134 milhões solicitados e os R$ 75 milhões atribuídos ao custo da produção em uma perícia mencionada na entrevista. A jornalista também questionou a transferência dos recursos para um fundo nos Estados Unidos e a falta de informações públicas sobre a destinação do dinheiro.
Flávio afirmou que o contrato não foi cumprido integralmente e que os recursos de Vorcaro, somados aos de outros investidores, permitiram concluir o filme. Ele classificou o financiamento como uma relação privada, sem contrapartida ligada ao seu mandato de senador.
Durante a resposta, o candidato fez acusações contra Lula e mencionou supostas irregularidades relacionadas a outro filme. Lo Prete interrompeu a discussão para afirmar que a entrevista estava baseada em fatos respaldados por investigações ou apurações jornalísticas e que aquelas alegações não tinham, naquele momento, base suficientemente estabelecida para serem tratadas como fatos.
Flávio nega que pai vá ocupar cargo no governo
O senador não confirmou que nomearia o pai para um posto no governo. Disse que Jair Bolsonaro nunca conversou com ele sobre a possibilidade de assumir um cargo e que poderia consultá-lo como ex-presidente.
“Eu tenho o privilégio de, a hora que eu precisar consultar um ex-presidente da República, eu tenho um dentro de casa de confiança”, afirmou.
Sobre o irmão Eduardo Bolsonaro, questionado a respeito da possibilidade de assumir o Ministério das Relações Exteriores, Flávio foi direto: “Ele não vai ser meu chanceler”. O candidato chamou o irmão de perseguido político e elogiou a atuação dele junto a lideranças conservadoras no exterior.
Forças Armadas contra o crime
O senador disse que pretende classificar o Comando Vermelho, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e milícias como organizações narcoterroristas. Também defendeu a atuação da Marinha no Porto de Santos e o emprego do Exército e da Força Aérea na região amazônica e nas fronteiras com a Bolívia.
Flávio afirmou ainda que o Brasil deveria integrar o chamado Escudo das Américas, com intercâmbio de informações e inteligência para combater o terrorismo na região da tríplice fronteira.
Punição aos envolvidos no 8 de janeiro
Flávio respondeu que as punições devem ocorrer de acordo com a lei e a gravidade dos crimes cometidos. “A depredação de patrimônio público, agredir um policial é inaceitável, não tem justificativa para isso”, declarou.
Em seguida, contestou a ideia de que todos os participantes dos atos tivessem envolvimento em uma tentativa de golpe e citou pessoas que, segundo ele, estavam no local sem participar diretamente dos ataques. O candidato voltou a classificar o processo contra o pai como uma farsa e afirmou que a história ainda demonstrará que houve uma tentativa de afastar Jair Bolsonaro da vida pública.
Flávio voltou a defender que facções criminosas e milícias sejam classificadas como organizações narcoterroristas. “Vão morrer presos na cadeia ou vão ser neutralizados pela polícia”, afirmou. Também prometeu investir em tecnologia e comprar mais de um milhão de câmeras com inteligência artificial, conectadas a equipamentos já existentes e a um cadastro de mandados de prisão. Segundo ele, o sistema permitiria localizar suspeitos em outros estados.
Ao ser questionado sobre o acesso a armas, o senador defendeu que cidadãos que cumpram os requisitos legais possam ter armamento para proteger a família e o patrimônio. Ele citou a queda de 17% na taxa de homicídios no primeiro ano do governo Jair Bolsonaro como argumento a favor de sua posição, mas não apresentou dados que demonstrassem uma relação direta entre a ampliação do acesso a armas e a redução dos homicídios.
Flávio disse que o Estatuto do Desarmamento precisa ser aprimorado, mas não detalhou se pretende revogá-lo. “O problema está nas armas na mão das pessoas erradas”, afirmou.
Prisão de aliados políticos no Rio
Questionado se as revelações o surpreenderam, Flávio respondeu que os investigados têm direito à defesa. “As pessoas têm o direito de se defenderem e provar a sua inocência, que é o que eu espero que todos eles façam”, disse. Em seguida, afirmou que não pretende proteger envolvidos em irregularidades.
“Se a pessoa cometeu algo de errado, ela vai ter que responder por isso”, declarou. O senador acrescentou que, em um eventual governo, pretende endurecer as punições para quem tiver envolvimento comprovado com organizações criminosas.
Flávio afirmou que pretende aproveitar experiências do Hospital Israelita Albert Einstein, que Lottenberg presidiu, para melhorar o atendimento público. “É para o SUS ter padrão Einstein”, declarou.
Entre as propostas, citou a ampliação da telemedicina, ferramentas digitais para localizar unidades de saúde com atendimento mais rápido e a criação de um prontuário eletrônico único, integrando informações das redes municipal, estadual, federal e privada. O candidato também disse que pretende usar vagas ociosas da rede particular para atender pacientes que aguardam procedimentos pelo sistema público.
Como exemplo, mencionou pessoas que esperam meses por uma cirurgia de catarata e que poderiam ser encaminhadas para uma vaga disponível na rede privada, com pagamento do governo federal. “Então, é assim que eu vou fazer o Brasil sem filas”, afirmou.
Promessas para economia e segurança
O candidato também afirmou que pretende se dedicar a ampliar a segurança nas ruas e pediu que eleitores indecisos ou que não compareceram ao primeiro turno votem nele. Durante a fala, voltou a criticar Lula e acusou o presidente de fazer promessas que não cumpriria. Flávio encerrou pedindo votos para sua candidatura, identificada pelo número 22, e afirmando que pretende promover uma mudança no país.




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