Nunes MarquesValter Campanato / Agência Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, deu 24 horas para que a Meta apresente um relatório técnico sobre o funcionamento do canal “Exército do Lula”. A determinação atende a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e busca verificar se houve atuação coordenada entre contas e eventual amplificação artificial de conteúdos.

A decisão está relacionada ao plano de conformidade firmado pela empresa com a Justiça Eleitoral, que prevê medidas para prevenir e reduzir riscos à integridade do processo eleitoral. Nunes Marques determinou que a Meta apresente informações sobre sincronização de atividades, replicação de mensagens, padrões de engajamento, alcance e compartilhamentos.

O relatório também deverá esclarecer se houve publicidade paga ou impulsionamento de publicações, além de detalhar a circulação de conteúdos, inclusive mensagens encaminhadas e materiais excluídos ou modificados. A empresa deverá informar quais providências adotou para cumprir o plano de conformidade e responder aos pedidos apresentados no processo.

O ministro quer ainda que a Meta explique os critérios técnicos usados para diferenciar uma mobilização legítima de um comportamento coordenado potencialmente irregular. Segundo a decisão, o objetivo é confrontar as medidas informadas à Justiça Eleitoral com o funcionamento do canal questionado.

A determinação também prevê uma manifestação do Google sobre a eventual amplificação coordenada de termos e hashtags relacionados ao caso entre os dias 18 e 20 de outubro de 2026, incluindo resultados em alta, sugestões de pesquisa e assuntos do momento.



Lula entra no canal e promete enviar orientações



A decisão ocorre no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a integrar o “Exército do Lula”. Os participantes receberam um vídeo do presidente em formato de selfie, no qual ele confirmou que participaria das atividades do grupo.

O deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pela administração do canal, anunciou a entrada de Lula e afirmou que o presidente poderia enviar “missões” diretamente aos integrantes.

Em um áudio encaminhado aos participantes, Janones relatou ter recebido uma ligação da primeira-dama, Rosangela Lula da Silva, a Janja. Segundo o deputado, Lula estava com o celular em mãos e queria começar a enviar orientações ao grupo.

Na sequência, Janones informou que havia incluído o presidente como administrador do canal. O contato teria sido salvo como “Marechal Lula da Silva”. Pouco depois, os participantes receberam uma mensagem com a palavra “cheguei”, acompanhada de um emoji de lula.

Em outro vídeo, o presidente convocou os integrantes para uma transmissão ao vivo com Janones, prevista para as 19h desta quinta-feira (22).

“Vocês viram que meu general está bravo, tá convocando todo mundo, e eu vou chegar exatamente às 19 horas. E eu quero todo o exército do Lula pronto, porque a batalha vai ser dura e nós vamos derrotar os adversários”, afirmou.

Até o momento, a campanha de Lula não havia confirmado se a mensagem foi publicada diretamente pelo presidente, usando o próprio celular.



Canal foi alvo de decisões divergentes no TSE



A disputa judicial começou após a campanha de Flávio Bolsonaro pedir a suspensão do canal, alegando a divulgação de informações falsas. Em 11 de outubro, Nunes Marques determinou que a ferramenta fosse suspensa. No mesmo dia, porém, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a ordem e permitiu que o canal voltasse a funcionar.

Uma análise técnica do TSE não identificou conteúdos falsos entre as publicações que estavam disponíveis e foram examinadas.

Em 13 de outubro, Nunes Marques condicionou o funcionamento do canal ao registro formal na Justiça Eleitoral. A campanha de Lula registrou o endereço eletrônico no tribunal, mas afirmou que a medida tinha como objetivo cumprir a determinação judicial e não significava assumir a administração da ferramenta.

Naquela noite, o canal voltou a sair do ar após uma nova decisão. Em 14 de outubro, Nunes Marques determinou que a Meta, responsável pelo WhatsApp, restabelecesse integralmente o serviço, inclusive permitindo novas publicações e a entrada de participantes. A ferramenta foi reativada.