Rio - A candidata à deputada estadual Janira Rocha expôs, em nota divulgada na noite desta quinta-feira, o descontentamento pela exclusão dela e de seu grupo político do horário eleitoral no rádio e na televisão. A decisão tomada pela direção estadual do Psol afasta da propaganda nos meios de comunicação além da candidatura da deputada, nomes como o líder da greve dos bombeiros deflagrada em 2011, cabo Benevenuto Daciolo, e o pastor evangélico Jeferson Barros. Ao contestar a decisão, Janira chamou os colegas do Psol de "burocratas partidários"
"O grupo majoritário da Direção Estadual do Psol decidiu ontem, 13 de agosto, me excluir dos programas de rádio e televisão do horário eleitoral gratuito. Caso único no Brasil de uma detentora do mandato que não terá acesso a propaganda eleitoral de TV e rádio por decisão de seu próprio partido. Isto ocorre porque pertenço, nos debates internos, à corrente minoritária aqui no Rio de Janeiro. Estes burocratas partidários excluíram, deliberadamente, do rádio e da TV todas as candidaturas ligadas ao nosso coletivo do Psol, em um caso de apropriação do tempo de TV e rádio para tentar eleger apenas candidatos ligados às correntes que integraram a chapa majoritária no Congresso Estadual do partido", diz a deputada em nota.
O segundo mandato da deputada é marcado por polêmicas. Em 2012, Janira apareceu em escutas autorizadas pela Justiça orientando o cabo Daciolo sobre os rumos da greve dos Bombeiros. No ano passado, ela foi acusada de obrigar funcionários de seu gabinete a devolver parte dos salários para ‘fazer política’. A prática, chamada de ‘cotização’, configura quebra de decoro parlamentar. Em gravações divulgadas por dois ex-funcionários de gabinete, ela declara que usou dinheiro do Sindisprev para a fundação do Psol no Rio. O conselho de ética do Psol abriu, em setembro, um procedimento para investigar a deputada. Dois meses depois, a direção estadual do partido determinou o afastamento de Janira e indicou sua expulsão.
Em julho deste ano, a Polícia Civil acusou a deputada de facilitar a fuga do Consulado do Uruguai de ativistas envolvidos em manifestações violentas. A professora Eloisa Samy era considerada foragida e procurou o consulado para pedir asilo político. Janira foi ao local à noite e saiu com a porfessora e mais um casal de manifestantes do prédio. "Entrei pela porta da frente do consulado e saí pela porta da frente. Faria de novo, dei apenas uma carona a três ativistas", alegou a deputada.
Pastor também é contestado
Integrante do grupo político de Janira, o pastor Jeferson Barros acendeu uma polêmica no Psol. Quadros importantes como os deputados federais Chico Alencar e Jean Wyllys, além do deputado estadual Marcelo Freixo, acusaram Jeferson Barros de ser homofóbico e ter ligação com o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, além de querer fazer do partido “trampolim para a formação de outro”, anunciado no ano passado pelo deputado Domingos Brazão, do PMDB.
O diretório nacional do Psol, no entanto, referendou a candidatura do pastor. A Executiva Nacional aprovou o nome de Barros. Em sessão realizada no último dia 12, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) decidiu pelo registro. "Se o diretório nacional aprovou, não há porque a candidatura ser impugnada", disse o desembargador Edson Aguiar Vasconcelos.
O Psol foi procurado pela reportagem do DIA. O partido, por meio da assessoria de imprensa, informou que não iria comentar publicamente uma decisão interna de seus dirigentes. A deputada Janira Rocha também foi procurada, mas até às 14h20 desta sexta-feira não retornou os contatos.
A nota da deputada estadual Janira Rocha na íntegra
O grupo majoritário da Direção Estadual do Psol decidiu ontem, 13 de agosto, me excluir dos programas de rádio e televisão do horário eleitoral gratuito. Caso único no Brasil de uma detentora do mandato que não terá acesso a propaganda eleitoral de TV e rádio por decisão de seu próprio partido. Isto ocorre porque pertenço, nos debates internos, à corrente minoritária aqui no Rio de Janeiro. Estes burocratas partidários excluíram, deliberadamente, do rádio e da TV todas as candidaturas ligadas ao nosso coletivo do Psol, em um caso de apropriação do tempo de TV e rádio para tentar eleger apenas candidatos ligados às correntes que integraram a chapa majoritária no Congresso Estadual do partido", diz a deputada em nota
Tal comportamento, estranho à democracia, é contraditório com o papel que o Psol desempenha na sociedade, onde a defesa da pluralidade e dos direitos das minorias sempre foram bandeiras do partido. A “democracia” que esse setores praticam dentro do Psol nada tem a ver com a democracia que pregam na sociedade.
Meu mandato se caracterizou por enfrentar os desmandos do governo Cabral e defende de maneira combativa os setores populares de nosso estado. Garis, bombeiros, operários do Comperj e da construção civil em geral, catadores de lixões, desalojados da tragédia da Região Serrana, servidores da saúde, são exemplos de setores que meu mandato sempre defenderá. Não tenho a estética da classe média carioca, que serve de base à maioria do Psol, e parece que isso é um crime para a burocracia partidária do Rio.
Vou contestar esta decisão nos fóruns partidários internos. Mas, independente disso, sigo minha campanha dialogando com todos aqueles que se veem representados pelo meu mandato, pelos que lutam por democracia e contra o Estado de Exceção. Mesmo sem TV ou rádio, conto com a força do voto popular para derrotar a direita que sempre combati, os interesses corporativos que sobrepõem à vida oprimindo os trabalhadores e a burocracia do meu partido".
Janira Rocha