Vice de Marina defende causa gay

Beto Albuquerque teve campanha financiada por empresas do agronegócio

Por bferreira

Rio - Para o cargo de vice-presidente da evangélica Marina Silva um católico, que defende os direitos dos gays, é favorável ao aborto nos termos legais — a ex-senadora sugere um plebiscito sobre o tema — e é um crítico do uso da religião na política. Beto Albuquerque, 51 anos, considerado um progressista em matéria de comportamento, foi escolhido ontem para representar o PSB na chapa da ex-senadora. Recebeu, em Recife, a chancela da viúva de Eduardo Campos, que negou querer o cargo.

Marina é contra interrupção da gravidez e casamento religioso entre pessoas do mesmo sexoMurillo Constantino / Agência O Dia

A lista de possíveis constrangimentos não param, porém. Deputado federal desde 1998 sempre pelo PSB, ao qual é filiado há 28 anos, Albuquerque recebeu nas últimas duas campanhas doações de empresas do agronegócio: a Celulose Rio-grandense e a Klabin, gigantes produtoras de papel. Elas foram responsáveis por metade da arrecadação dele em 2010.

No Congresso, ele defendeu leis que atendiam a interesses do segmento, a que Marina e outros ambientalistas tanto criticam.

Para citar suas atuações, ele conseguiu financiamento do BNDES para armazenagem de grãos e trabalhou contra restrição de plantações em áreas de elevada altitude.

Durante o governo Lula, de quem Marina foi ministra do Meio Ambiente, o deputado gaúcho articulou a aprovação da medida provisória liberando o plantio da soja transgênica. A então ministra criticou a lei.

O seu anúncio oficial será hoje, às 15h, junto com a ex-senadora, em Brasília. Sua escolha está relacionada à tentativa de equilibrar a imagem de ‘radical’ de Marina, “dando o peso e contrapeso que tinha a aliança entre Eduardo e ela”, explicou um dirigente.

“Ele tem história dentro do partido e tem o respeito de Marina, por isso, foi escolhido. Agora, somos Marina e Beto”, afirmou o ex-coordenador da campanha de Campos,Maurício Rands, que, primo de Renata, tinha, até então, a preferência da família.

A decisão foi fechada ontem, em Recife, após consulta à viúva, num encontro no qual estavam presentes o próprio deputado, o presidente do PSB, Roberto Amaral, e o secretário-geral do partido, Carlos Siqueira.

Na missa, defesa da ‘herança’

Na noite de ontem, ainda em Recife, o presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, divulgou nota na qual informa que a viúva Renata Campos apoia a chapa liderada por Marina Silva, com o vice Beto Albuquerque.

Segundo a nota, Renata “entende que a melhor opção partidária na triste circunstância imposta pela tragédia, é para o PSB e para a coligação ‘Unidos pelo Brasil’ convidar os companheiros Marina Silva e Beto Albuquerque para liderar a nossa chapa presidencial”. Ainda de acordo com a nota, a viúva, “ainda comovida pelos apelos recebidos do partido e da população, comunica que declina do convite para integrar a chapa ocupando a vice”.

Mais cedo, na saída da missa de 7º dia da morte de Eduardo Campos, em Brasília, Marina disse que o momento é de preservar “a herança” deixada pelo ex-governador. Ela pregou ainda a união de todos os partidos da coligação.

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