'Sem segurança pública, não entra médico nem professor', diz Pezão

Candidato reforça promessa de mais UPPs e diz que União cobra mais juros dos estados do que agiota

Por thiago.antunes

Rio - Respondendo às críticas feitas contra as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs),de que falta o complemento social, o governador Luiz Fernando Pezão,candidato à reeleição pelo PMDB, afirmou ontem que vai manter as unidades e que “sem segurança nas favelas, não entra médico nem professor. Então minha prioridade é a Segurança Pública”, afirmou.

O candidato participou do segundo dia da série Encontros do Comércio com Candidatos,evento promovido pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio RJ) em parceria com o Senac RJ e com apoio do DIA.

Entrevista com o governador e candidato Luiz Fernando PezãoMaíra Coelho / Agência O Dia

“Tem gente que criou a vistoria e agora promete acabar com ela.Tem gente que criou o pedágio da RJ-122 e agora quer acabar. Em eleições os candidatos prometem tudo”, ironizou referindo-se ao seu adversário Anthony Garotinho, do PR.

Preocupado com a saúde financeira do Rio, Pezão lamentou que a reforma tributária ainda não tenha sido feita e disse que a relação dívida-receita do estado hoje é melhor do que a de 2006, herdada do governo Rosinha Garotinho. E apontou os juros como o grande problema do Estado do Rio de Janeiro. “O que a União cobra nem agiota teria coragem de cobrar”, desabafou.A seguir, os principais pontos abordados no encontro:

Carga tributária

O Brasil não tem mais tempo a perder com a reforma tributária e é lamentável que tenha passado mais um governo sem que ela tenha saído. Sempre que posso reduzo a tributação. Mas é difícil falar com o secretário de Fazenda e convencê-lo-lo de que reduzir tributos fará aumentar a arrecadação. A gente tem que fazer o dever de casa no Congresso Nacional.

Candidato à reeleição%2C Luiz Fernando Pezão falou para empresários na Fecomércio Maíra Coelho / Agência O Dia

Dívida pública

Todo empréstimo que pegamos depende de aval do Tesouro Nacional e do Ministério da Fazenda. Nossa dívida em relação à capacidade de endividamento é melhor do que a de 2006 (no governo Rosinha Garotinho). Era 2,2% a relação dívida-receita. Hoje,está em 1,5%. O que está acabando com os estados é a correção da dívida. O que a União cobra nem agiota teria coragem de cobrar. Vamos pagar este ano quase R$ 7 bilhões de juros. Não dá para pagar juros deste tamanho. É um absurdo.

IPVA

Não vai ter aumento do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores). Aqueles que prometem a redução do imposto deviam conversar com os prefeitos, já que 50% do imposto vai para os municípios. Tem gente que criou a vistoria no Detran e agora promete acabar com a vistoria. Tem gente que criou o pedágio da RJ-122 (rodovia que liga Guapimirim a Cachoeiras de Macacu) e agora quer acabar com o pedágio. Eleição é uma beleza, se promete de tudo.Eu não vou ser irresponsável de prometer o que não vou poder cumprir. Mas estou enfiando o chicote no Detran para melhorar o atendimento ao público. Mas é um processo. O Detran nunca tinha feito um concurso público durante todos esses anos.O primeiro fomos nós que fizemos.

Segurança Pública

Não são todos os candidatos que prometem manter as UPPs. Tem uns que falam que é de “lata” e que vão criar o Batalhão Social. Já outros, que não está bom. Nós vamos continuar com a política de UPP. Foi ela que nos permitiu os números conquistados no Rio. Só não temos mais policiais na prateleira e, para isso, criamos um projeto para aumentar (o contingente) e chegarmos a 60 mil homens. Para além das UPPs, estou em negociação para criar batalhões da PM em Nova Iguaçu,em Itaguaí, em Rio Bonito, Saquarema e Araruama.Tem muito candidato que diz que tem que entrar o social, coisa que o (José Mariano) Beltrame sempre disse. Mas, sem segurança, não entra médico nem professor. A Segurança Pública é minha prioridade.

Legado

Eu não tenho dúvida de que o melhor legado que vamos deixar é o bom relacionamento que criamos com o governo federal. As brigas com o estado acabaram. Estávamos entre os últimos em recursos da União e, hoje, lideramos. Se tiver de sentar com a Marina, o Aécio, eu sento. Tudo para defender os interesses do estado.

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