Denúncias dominam o Sete de Setembro

Dilma reafirma esperar informações. Marina defende Campos, e Aécio pede que CPMI ouça Costa de novo

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio, São Paulo e Brasília - As revelações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa seguem reverberando no quadro político e marcaram o Sete de Setembro, Dia da Independência. Em Brasília, durante o desfile militar, a presidenta Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, voltou a dizer que não tomará medidas antes de ter acesso à integra do depoimento de Costa à Polícia Federal.

Ao comentar a situação do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, citado como um dos beneficiados de suposto esquema montado na Petrobras, disse que, ao ter os dados, tomará “todas medidas, inclusive se tiver que tomar medidas mais fortes”. A presidenta afirmou que não sabe em que contexto o nome do ministro foi envolvido.

A presidenta Dilma participou do desfile de Sete de Setembro. A candidata do PT reafirmou que vai esperar por informações para tomar medidasReuters

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, chamou de “boataria” as denúncias do ex-diretor da Petrobras. Para ele, as acusações têm caráter eleitoreiro. “Não posso tomar como denúncia contra a base aliada uma boataria de vazamento sobre procedimento que não sei qual é.

Só vamos falar depois que houver o inteiro teor das denúncias”, disse ao deixar o desfile de 7 de Setembro.
Carvalho disse que só após a confirmação das denúncias o governo apurará o caso. “As apurações serão feitas como sempre ocorreram”, afirmou. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ressaltou que o inquérito corre em sigilo. “É importante que se faça a investigação e se esclareça. O inquérito corre em sigilo. Portanto, não se pode fazer nenhuma valoração a respeito. A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público, está fazendo as apurações dentro daquilo que a lei determina”, disse Cardozo.

A candidata do PSB, Marina Silva, passou o dia em São Paulo e, em entrevista coletiva, reiterou a defesa do ex-companheiro de chapa Eduardo Campos, morto em agosto, e citado pelo ex-diretor da Petrobras. “Eduardo foi morto por fatalidade e não queremos uma morte por leviandade. Sou do lema que ‘conhecereis a verdade e ela vos libertará”, disse Marina, citando o Evangelho de João.

MARINA: ‘SEM MEDO’

Ela garantiu que o partido não tem medo das investigações. “O PT e o PSDB estão juntos numa campanha desleal, que afronta a inteligência da sociedade fazendo todo o tipo de difamação e calúnias...a verdade jamais atrapalhará campanha que se dispõe a ajudar a passar o Brasil a limpo.”

Em entrevista coletiva%2C Marina Silva defendeu Eduardo Campos%2C morto em acidente de avião em agosto Divulgação

O candidato do PSDB, Aécio Neves, participou de culto evangélico em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, e sugeriu que Paulo Roberto Costa volte a ser ouvido pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras. “Queremos que a CPMI possa voltar a intimar o senhor Paulo Roberto para que ele diga, de forma mais clara, além dos nomes já vazados para a imprensa, como funcionava esse esquema”. O tucano também vê no escândalo uma possibilidade de reverter as pesquisas e chegar ao segundo turno. “Vou lutar até o final”, garantiu Aécio.

Expectativa de uma nova convocação

A semana começa com expectativa pelas medidas que os integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras vão tomar. Alguns parlamentares defendem nova convocação de Paulo Roberto Costa. A revista Veja desta semana divulgou trechos dos depoimentos do ex-diretor da estatal à Polícia Federal.

Em São Gonçalo%2C Aécio Neves pediu que CMPI da Petrobras volte a intimar o ex-diretor da estatal Divulgação

Com objetivo de ser beneficiado pela delação premiada, Costa denunciou nomes de mais de 30 políticos, parlamentares, ministros e ex-governadores, que teriam recebido, para financiamento de campanha, dinheiro desviado da estatal.

Eles teriam recebido 3% de comissão sobre o valor de contratos da Petrobras durante a gestão de Paulo Roberto Costa, que está preso desde junho. Entre os citados estão o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves.

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