Entrevista com o Senador Romário, nesta quarta-feira (10).Érica Martin/Agência O Dia

"Vocês pegaram a melhor semana para falar com um americano, estou soltando fogos e faísca", disse Romário, orgulhoso presidente do America com o time na final da Copa Rio e de volta ao cenário nacional após 15 anos. Neste domingo (14), às 15h (de Brasília), o Mecão encara a Portuguesa, pelo jogo de ida da final da competição, no Giulite Coutinho, em busca do título que dá ao time campeão a escolha entre uma vaga na Série D do Brasileiro ou na Copa do Brasil, ambas do ano que vem - o vice fica com a opção que restar. O Baixinho, sem mistério, já revelou a sua preferência para o clube.

"Eu, como presidente, escolho a Série D. Conversei com o presidente da Portuguesa (Marcelo Barros), ele também quer. Então, vamos para o jogo e ver quem vai ser o melhor. E independente da Série D ou Copa do Brasil, o momento que o torcedor do America está vivendo é de grande euforia e eu faço parte disso. Estou muito, muito feliz com isso", destacou.

Em 2009, um ano após anunciar a aposentadoria do futebol, Romário voltou aos gramados para defender o America, já que havia prometido ao pai, Edevair, falecido no ano anterior, que defenderia a camisa branca e vermelha. Após 15 anos, o Baixinho retornou ao Mecão como presidente e fez algumas promessas para sua gestão: retornar à elite do Campeonato Carioca e colocar novamente o clube no cenário nacional.

"Estive no America como gestor, em 2010, e o coloquei para disputar a Série D. Graças a Deus, hoje estou aqui de novo e em uma competição nacional. Para mim, é muito orgulho. Ainda não consegui o acesso do clube na primeira divisão do Carioca, mas tem outra chance no final do ano que vem. Estou com a minha consciência tranquila, porque 50% da promessa já paguei (risos)", declarou o presidente, que reconhece a dificuldade de reconstruir o America.

"Eu não tinha nenhuma experiência de administração de clube. A gente encontrou um America deteriorado, o que fizeram foi uma vergonha. Em 2010, quando eu estava aqui, lembro que conversei com o presidente da época, e ele contou que existia uma dívida entre R$ 30 a 35 milhões. Hoje, é de quase R$ 100 milhões. É uma coisa absurda. A parte financeira, para mim, é um desafio muito grande. Dentro de campo, a parte técnica, sei que a gente consegue montar um time forte. Fiz uma equipe jurídica muito boa e a gente tem caminhado bem nesse aspecto", frisou.

O Baixinho está no segundo ano como mandatário e resta mais um. Sobre o que deseja para o futuro, nem precisou pensar: America na série A do Brasileirão e campeão, brincou. "Cara, tenho 59 anos e estou no futebol desde os 19. Se me perguntassem o que eu espero nos próximos cinco anos, seria esse título. Mas não é assim, sei das dificuldades. Hoje, mais do que nunca, tenho certeza absoluta que era muito mais fácil lá dentro (do campo) do que aqui fora. O America está se reinventando. E agradeço muito aos patrocinadores que vem nos acompanhando, principalmente a Superbet e a Fecomércio, que p..., acreditaram no nosso projeto", celebrou.

Regulamento do Carioca

Diferente das outras 26 federações do Brasil, que oferecem duas vagas à primeira divisão, o Carioca é o único que permite o acesso somente a um time. Contrário ao regulamento, Romário revelou que conversou com o presidente Rubens Lopes, da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj).

"Aqui tem essa diferença, é uma coisa bem atípica, né? Tive um papo com o Rubinho e ofereci uma possibilidade. Para o ano que vem já vai ter uma mudança, ou seja, o último colocado do ano anterior (da primeira divisão) vai cair direito e o primeiro colocado (da segunda) sobe. O penúltimo vai disputar com o segundo, e aí já temos chance de ganhar algo", explicou.

Reportagem da estagiária Beatriz Dias, sob supervisão de Leonardo Siqueira