Romário é o atual presidente do AmericaReprodução / America Football Club

Fala, Galera! Hoje quero falar sobre como estou vendo esse processo das SAFs no futebol brasileiro, as mudanças na nossa legislação e por que acredito ser uma ótima alternativa - não para todos os clubes, mas especialmente para aqueles que precisam de um choque de gestão e de novos investimentos.
Desde a época em que jogava, eu sempre fui um crítico da forma como os dirigentes conduziam o futebol brasileiro. Eram amadores, em sua maioria corruptos, e só queriam encher o bolso de grana, explorando a paixão nacional para ganhar status e enriquecer. Na CPI do Futebol que fizemos em 2015/2016, no Senado, isso ficou muito claro. Os bandidos foram expostos. Infelizmente, nem todos foram presos.
Felizmente, tenho observado algumas mudanças. Já vejo vários clubes com gestão equilibrada, profissional e comprometida com o equilíbrio financeiro. Alguns clubes conseguiram se acertar sem precisar mudar de modelo. Continuam como associações, cresceram suas receitas e estão bem assim. Já outros encontraram nas SAFs a saída para gerir suas dívidas, atrair investimentos e dar um choque de gestão interna.
É claro que criar uma SAF não é uma solução mágica, até porque isso não existe. O que define a qualidade de uma gestão não é apenas o modelo. Flamengo e Palmeiras são bons exemplos. Andam muito bem com as próprias pernas e hoje não necessitam de mudanças estruturais. Bato palmas pros dois! Há SAFs que inicialmente não deram certo, como a do Vasco. Outras podem quebrar; assim é a vida. As pessoas e os propósitos fazem a diferença, e sempre será assim. Mas, o modelo das SAFs apresenta alguns avanços importantes. Dá estabilidade para um planejamento de longo prazo, segurança jurídica para um investidor botar grana, cria condições para atrair bons profissionais do mercado e, principalmente, responsabiliza diretamente o dono por tudo aquilo que acontecer, pois é o dinheiro e o patrimônio pessoal dele que estão em jogo. Isso faz toda a diferença.
Eu nunca escondi que sempre apoiei o formato empresarial no futebol, e desde que o projeto das SAFs chegou ao Congresso, contou com o meu apoio. A lei original criou um regime tributário específico, pois nenhum clube mudaria de modelo para pagar muito mais imposto. Acho justo, para não criar disparidades. Agora, com as mudanças da reforma tributária e o veto presidencial, a coisa embolou, e as associações vão pagar mais do que as SAFs. O ideal é que tudo se equilibre, e que nenhum clube tenha vantagem sobre o outro nesse aspecto. Paridade de armas. O jogo se decide no campo.
Eu virei dirigente de um clube associativo, o meu Mecão, e sei que o futuro dele depende de profissionalização e investimentos. Virar uma SAF está nos planos; estamos estudando. Quero ver não apenas o America, mas o futebol brasileiro como um todo, bem gerido, com transparência e sem aquela cartolagem corrupta que tanto sugou e roubou. Tenho muita esperança e vou trabalhar muito para que essa bandidagem nunca mais volte para o nosso futebol!