Romário assinou seu primeiro contrato profissional com o Vasco em 1985Reprodução
Fala, Galera! Hoje vamos falar sobre a evolução dos contratos no futebol brasileiro e mundial ao longo dos últimos 40 anos, desde os anos 1980, quando comecei a jogar, até os dias atuais.
Assinei o meu primeiro contrato profissional com o Vasco em 1985. Era tudo mais simples: quando não era apenas de boca, rolava um pedaço de papel datilografado contendo as partes, o prazo, o salário e as assinaturas. Não existia um departamento organizado de recursos humanos, nem processos definidos ou direitos e obrigações bem estabelecidos. O saudoso Eurico acertava com a gente e depois era só jogar – e rezar para receber em dia.
Não existia, naquela época, contrato de cessão de direitos de imagem, normas de comportamento ou qualquer outra coisa acessória. Quando fui jogar na Europa, já tinha mais coisas definidas e a administração interna era mais organizada, mas nem chegava perto da dimensão empresarial que é hoje. Ainda tinha o passe, que vinculava o jogador ao clube e restringia as opções e propostas que a gente recebia.
O mundo era outro. Não rolava a grana imensa que gira hoje na TV, nas mídias e na publicidade. O futebol virou um grande negócio, e o profissionalismo se impôs. Não havia regra nem dia e hora estipulados para entrevista, eu podia jogar meu futevôlei nas folgas, falar o que queria e ser eu mesmo. Hoje não vejo mais isso nos grandes jogadores, quase todos sob contratos bastante rigorosos e detalhados no que tange às atividades e atitudes fora de campo, definindo até o que podem fazer ou falar. Tem contrato por aí que controla até as horas de sono do cara e as saídas para a noite. Não iria funcionar comigo.
Por um lado, eu entendo essas mudanças. Os jogadores hoje em dia estão bem mais expostos do que estavam na minha época. Todo mundo é vigiado atualmente pelas câmeras dos celulares, pelas redes sociais e pela informação instantânea. Isso acaba definindo modelos e padrões de comportamento e as grandes marcas patrocinadoras, em troca do caminhão de dinheiro que investem, querem moldar os seus garotos-propaganda dentro de seus planos comerciais.
E é isso! Quanto mais grana, mais responsabilidade. Quem paga acaba tendo o direito de definir algumas regras. Cabe ao jogador negociar bem cada contrato, e muitos têm uma equipe de especialistas para fazer bem essa negociação. O que eu acho importante é não perder a essência de cada um. Não virar um robozinho que só sorri para a câmera e repete aquilo que todo mundo quer ouvir.
Não é à toa que na minha época tinha um monte de jogador, como eu, que sabia impor a sua personalidade, ser exatamente quem era e não criar um personagem para vender coisa. Maradona, Sócrates, Cantona, meu freguês Renato Gaúcho e tantos outros dizíamos o que pensávamos, e vivíamos a vida dentro e fora de campo sem disfarces ou regras muito rígidas.
Enfim, galera, saúdo o profissionalismo e as novas cifras em nosso futebol, mas espero que o jogo da bola e seus protagonistas jamais percam a sua essência!

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.