Por pedro.logato
Rio - O ano é 1950. O Brasil, aos olhos dos estrangeiros, é uma terra inóspita, excêntrica, de floresta fechada e natureza praticamente inexplorada. Impossível um gringo não pensar em Carmen Miranda ao ouvir o nome do nosso país. Naquele ano, a Pequena Notável arrastava milhares de espectadores ao cinema para ver ‘Romance Carioca’, uma historinha água com açúcar sobre uma jovem que troca a terra do Tio Sam por uma aventura amorosa no Rio. Mas e o futebol? Ainda engatinhávamos...
Uruguai derrotou o Brasil no MaracanãReprodução Internet

Com uma população de 51,9 milhões, o Brasil tinha sua capital ainda no Rio de Janeiro, habitado por ‘apenas’ 2,3 milhões de pessoas, a cidade mais populosa do país. Nas ruas, o trânsito começava a ser motivo de preocupação para as autoridades, com uma frota de cerca de 180 mil veículos, em sua maioria Fords, Chevrolets e Simcas. Fusca? Só em novembro o modelo popular da Volkswagen chegava ao Brasil. E, mesmo assim, somente 30 unidades. O custo de vida era alto — inflação acumulada no ano de 9,2% — e ter carro era artigo de luxo, coisa de bacana.

Diversão mesmo era sintonizar o dial na Rádio Nacional para curtir Emilinha Borba, que bombava com ‘Paraíba’ e ‘Tomara que chova’. No Carnaval, a marchinha de maior sucesso foi ‘Nega Maluca’, composta por Fernando Lobo e Evaldo Rui, que ganhou fama na voz de Linda Batista. No Maracanã, a torcida delirava com os versos de ‘Touradas em Madri’, de Braguinha.
A música, que fez sucesso no Carnaval de 1942, foi entoada por 160 mil pessoas na vitória da Seleção sobre a Espanha por 6 a 1, último jogo antes da tragédia diante do Uruguai. O Maior do Mundo que, por sinal, passava a ser o mais novo cartão-postal da capital, levou dois anos e meio para ficar pronto, na gestão do prefeito Ângelo Mendes de Moraes. No dia do primeiro jogo da Copa, Brasil 4 x 0 México, ainda era possível ver alguns andaimes na arquibancada.
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Mas o país fervilhava também no cenário político. Em agosto, Getúlio Vargas, após um período de autoexílio em São Borja, resolveu candidatar-se à presidência da República. O jingle ‘Bota o retrato do velho’ foi a trilha sonora para uma lavada nas urnas: 48,7% dos eleitores elegeram Vargas em outubro. Sinal de mudanças.
O ano marcava o início de uma ligeira evolução econômica do país no cenário mundial. Cinco anos antes de Juscelino Kubitschek chegar à presidência, as empresas começavam a ver o Brasil com outros olhos. O poder aquisitivo subia lentamente e a TV ganhava os lares (ainda que pouquíssimos). São Paulo foi a primeira cidade do país a viver o mundo da telinha.
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Em setembro, foi fundada a TV Tupi, primeira emissora da América Latina. O futebol logo passou a ser tratado como um produto de muito potencial. Em outubro, a Tupi transmitiu o primeiro jogo ao vivo da nossa história, Corinthians x Ypiranga, pelo Campeonato Paulista. O futebol entrava definitivamente no nosso cotidiano.