Por pedro.logato

São Paulo - Integrante do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo (COL), Ronaldo se mostrou nesta sexta-feira solidário às manifestações que vêm ocorrendo Brasil afora desde o ano passado, mas disse que algumas obras realizadas pelo país, mesmo que inacabadas, já representam um legado deixado pela competição.

"Há cerca de um ano, na época dos protestos, os brasileiros começaram a imaginar a Copa como a salvação do país em termos de educação, saúde e segurança, mas depois começaram a perceber que não é assim", comentou o 'Fenômeno' durante o Fórum de Gestão Esportiva, em São Paulo. Desde a confirmação do país como sede da Copa, em 2007, algumas obras de infraestrutura foram iniciadas, mas poucas ficarão prontas a tempo. Ronaldo tentou ser otimista quanto a essa situação e considerou que o importante foi tirá-las do papel.

Ronaldo voltou a falar sobre a Copa do MundoEfe

"Tem algumas obras, como aeroportos e estradas, que não serão entregues a tempo para a Copa. É uma pena, mas, terminando quando quer que for, será um legado que ficará para a população, que merece a atenção dos políticos", opinou. Adotando um tom crítico que não lhe é comum, o maior artilheiro da história das Copas destacou a insatisfação dos brasileiros com os políticos de uma forma geral e lembrou que uma boa forma de expressar indignação é nas urnas neste ano.

"Sou completamente contra superfaturamento, mas não sou eu quem faz auditoria nem assino contrato. O que espero é que a população cobre cada vez mais. Estão chegando as eleições de outubro. Todo mundo está insatisfeito, e o que temos que fazer é exigir cada vez mais dos políticos. As manifestações foram uma demonstração de que o povo está de saco cheio", salientou. Ronaldo também garantiu não estar arrependido de ter assumido um cargo no COL e defendeu a Fifa das críticas recebidas por lucrar com o evento no Brasil.

"Falam que a Fifa está tendo lucro, mas qual é a empresa que não quer ter lucro? Todo mundo quer ganhar dinheiro. O que não pode é ter superfaturamento e desvio", argumentou Ronaldo, que lembrou que o orçamento público para o torneio está definido desde 2007 e que os investimentos para o Mundial "não foram retirados de setores como a saúde ou a educação".

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