Rio - Cafu entrou em campo numa ‘furada’, durante a final da Copa de 1994, quando substituiu o lesionado Jorginho contra a Itália e ajudou o Brasil na conquista do tetra. Vestiu a camisa 2 no Mundial da França, em 1998, e sentiu a dor de ser vice-campeão após o show de bola de Zidane na decisão. Usou a braçadeira em 2002 e fez história com a Amarelinha, tornando-se o capitão do penta. Detalhe: sem derramar uma só lágrima. Por isso, estranha tanto chororô na atual seleção brasileira. Mesmo assim, ainda acredita no hexa.
O DIA: Como vê a polêmica sobre o emocional do grupo da seleção brasileira?
CAFU: É preocupante, estranho. Mas cada um tem a sua personalidade, sua individualidade e reage da forma que acha melhor. Fora de campo, uns rezam, outros põem a cabeça no chão, outros choram. O ideal é que exista autocontrole, mas nem sempre acontece.
O DIA: O que achou da postura do Thiago Silva como capitão diante do Chile?
CAFU: Ele é líder da Seleção. O grupo o conhece, o Felipão o conhece. É o capitão aceito pelos jogadores, que não condenaram sua atitude de se isolar na hora dos pênaltis. Ele deve ter o motivo dele para agir assim.
O DIA: Felipão acertou ao dar a braçadeira de capitão a Thiago Silva?
CAFU: Acertou. Ele foi capitão no Fluminense, no Milan, no PSG. Na Copa das Confederações, era o capitão perfeito. Não pode ter deixado de ser perfeito só por um jogo.
O DIA: Já passou por algo semelhante na Seleção?
CAFU: Não. Aprendi a lidar desde cedo com a pressão. Nasci no Jardim Irene (SP) e com 19 anos de idade já era pai.
O DIA: Como você, como capitão, agiria para lidar com a pressão de disputar uma Copa do Mundo em casa?
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CAFU: Não sou muito de chorar. Sou meio frio, minha personalidade é essa. Aprendi a controlar as emoções. Mas cada um age de forma diferente e temos que respeitar. Não podemos exigir que Thiago tenha atitudes como Cafu, Dunga, Carlos Alberto Torres, Mauro e Bellini.
O DIA: E como os jogadores precisam agir dentro de campo para suportar a pressão?
CAFU: Naturalmente. Eles estão sentindo a pressão de jogar uma Copa. Mas têm que superá-la jogando futebol, com consciência e entrega em campo.
O DIA: O problema da Seleção é só emocional ou a tática e a técnica têm peso?
CAFU: Tudo tem peso. Partes técnica, física e emocional. Se um desses fatores estiver desajustado, a equipe não rende. O Brasil precisa esquecer o choro após o hino e jogar futebol.
O DIA: Faltam treino e aperfeiçoamento técnico e tático?
CAFU: Na minha época, tinha mais treino. A tática precisa evoluir, mas pode ser melhorada agora. Felipão já percebeu isso.
O DIA: O que achou do fato de ele pedir ajuda à psicóloga da seleção e a jornalistas?
CAFU: Nunca pedi ajuda a jornalista e nunca precisei de psicólogo para vencer.
O DIA: A inexperiência pesa?
CAFU: Pesa. Hoje dou risada de quando vocês falavam que eu, Dunga, Romário e Roberto Carlos estávamos velhos para jogar um Mundial.
O DIA: Está gostando da Seleção? A credita no hexa?
CAFU: Estou, mas pode e vai melhorar. Acredito na Seleção, que nunca atuou mal em dois jogos seguidos de Copa. A tendência é crescer.
O DIA: O que espera do jogo contra a Colômbia?
CAFU: Eles virão para cima e isso vai facilitar as coisas para o Brasil. Vamos vencer por 2 a 1.
O DIA: Quem fará a final e será campeão?
CAFU: Brasil e Holanda. O Brasil será hexa, pois joga em casa, e a Holanda não tem um time melhor que o nosso.