Por bernardo.argento

Rio - A Copa do Mundo de 2014 tem garantido aos torcedores jogos com bom nível de futebol e muitos gols. Fatores que podem ser creditados não só às grandes seleções, mas a alguns países de menor porte no cenário mundial que têm feito bonito na competição. Com jogadores talentosos, equipes como Argélia, Bélgica, Costa Rica, Estados Unidos e Colômbia, que mostraram qualidades nesta edição do torneio, podem inclusive sonhar com campanhas ainda melhores na próxima Copa, em 2018, na Rússia, caso consigam manter suas respectivas bases e o bom trabalho que fizeram até aqui suas comissões técnicas.

Argélia foi umas das grandes surpresas e deu trabalho neste MundialReuters

Argélia

Antes do início do Mundial, a seleção argelina era candidata a amargar a lanterna do grupo H, que compunha ao lado de Bélgica, Coreia do Sul e Rússia. Contudo, apostando na velocidade de seus homens de frente para o contra-ataque, quase empatou com os belgas, venceu bem a Coreia do Sul e foi buscar o empate diante dos russos, que garantiu a classificação às oitavas de final.

Destaque para os meias Feghouli e Brahimi, ambos de 24 anos, que atuam no futebol espanhol - Valencia e Granada, respectivamente. Além dos talentosos meio-campistas, outros jogadores reúnem idade para uma possível ida da Argélia à Copa de 2018: o goleiro Rais, melhor em campo diante da Alemanha, tem 28 anos; o zagueiro Halliche tem 27; o atacante Slimani, de bom porte físico e autor do gol da classificação contra a Rússia, 26, além do jovem meia Taider, de apenas 22 anos. Quem talvez não deva figurar na próxima edição da competição caso a seleção se classifique é o experiente defensor Bougherra, que fará 32 em outubro deste ano.

A famosa geração belga correspondeu as expectativas e chegou às quartasEfe

Bélgica

Sem disputar uma Copa do Mundo há 12 anos, a Bélgica chegou ao Brasil cercada de dúvidas quando à "ótima geração" de jogadores que possui atualmente. Porém, pelo menos até aqui, os belgas atingiram as quartas de final vencendo todos os jogos que disputaram no Mundial, e mostraram que seu elenco é, de fato, muito forte. E por mais que não cheguem até a semifinal, essa geração de atletas anima com vistas para 2018, já que é muito jovem e não deve perder muitos dos jogadores que compõem o grupo atual.

No gol, apesar dos 22 anos, Courtois demonstra muita personalidade e não deve perder a vaga entre os titulares tão cedo. O zagueiro e capitão Kompany, aos 28, deve jogar pelo menos mais uma Copa; o também zagueiro Vertonghen, mas que na seleção atua como lateral, tem 27 e pode ir até mais longe; Hazard e De Bruyne, ambos com 23, Witsel, com 25 e Lukaku, com 21, garantem o futuro da Bélgica do meio para frente. Somente o defensor Van Buyten, que já tem 36 anos e inclusive esteve na Copa de 2002, não deve disputar a competição novamente daqui a quatro anos.

Colômbia alcançou a classificação inédita para as quartas de finalMárcio Mercante

Colômbia

Assim como a Bélgica, a Colômbia vivia um longo período sem Copas do Mundo. Longe do torneio desde 1998, os sul-americanos retornaram à disputa para este ano, mas não apenas isso: estão apresentando o futebol mais bem jogado do Mundial. Com uma mistura de experiência e juventude, o técnico argentino José Pékerman não abdica do jogo ofensivo, possibilitado pelas boas alternativas que a seleção cria quanto tem a bola no ataque. James Rodríguez, o camisa 10, tem sido o melhor jogador do campeonato, além de liderar a artilharia com cinco gols. E tem somente 22 anos.

Outros jovens o acompanham na seleção: o goleiro Ospina tem 25 e poderá jogar mais de uma Copa se os colombianos se classificarem e, claro, se o arqueiro mantiver um bom nível. Reserva de Pékerman, o zagueiro Eder Balanta foi um dos destaques do River Plate campeão argentino em 2014 e tem apenas 21 anos, podendo substituir mais pra frente o experiente defensor Mario Yepes, que aos 38 dará adeus aos Mundiais. Carbonero, com 24, Cuadrado, com 26 e Jackson Martínez, com 27, são outros que poderão dar continuidade ao bom trabalho da Colômbia. Sem esquecer de Radamel Falcao García, que não veio ao Brasil por conta de uma lesão, mas terá 32 anos em 2018, na Rússia.

Estados Unidos conseguiu passar em um grupo difícil e chegou às oitavasCarlos Moraes

Estados Unidos

A seleção de futebol dos Estados Unidos tem se tornado cada vez mais competitiva. Para este Mundial, o técnico alemão Jürgen Klinsmann optou por deixar o maior astro do "soccer" norte-americano, Landon Donovan, fora da lista de convocados. A decisão faz parte de um processo de renovação da seleção, que reuniu experiência, mas lançou alguns jovens atletas que podem seguir competindo em alto nível em torneios importantes.

O goleiro Tim Howard, que já tem 35 anos, não deve mais disputar Copas do Mundo, mas já tem um substituto: Brad Guzan, goleiro de 29 anos do Aston Villa, da Inglaterra, reserva imediato de Howard na seleção. Michael Bradley, outro expoente da equipe, terá 31 anos no próximo Mundial, idade com a qual terá condições de continuar jogando com qualidade. Outros atletas como Julian Green, de apenas 19 anos, John Brooks e DeAndre Yedlin, ambos com 21 e Altidore, com 25, formam uma base interessante para a sequência do futebol dos Estados Unidos.

A grande zebra da Copa do Mundo tem nome: Costa Rica! Carlos Moraes

Costa Rica

A Costa Rica caiu simplesmente no grupo da morte da Copa do Mundo. Ao lado de Itália, Uruguai e Inglaterra, três seleções campeãs mundiais, era a equipe que, na teoria, daria pontos a todas as outras. Mas os costarriquenhos não só venceram italianos e ingleses, como garantiram uma vaga nas oitavas de final com a primeira colocação no grupo D. Nas oitavas, venceram a Grécia nos pênaltis e seguem fazendo história no Mundial do Brasil. Agora, buscarão mais uma façanha: a de eliminar a forte Holanda nas quartas. Façanha que passa pelo talento de alguns dos seus jogadores de frente.

O camisa 10 Bryan Ruiz tem sido o destaque da Costa Rica na Copa, juntamente com o atacante Joel Campbell. O meia, com passagens pelo futebol inglês e holandês, tem 28 anos e futebol de sobra para repetir as boas apresentações em mais uma edição do torneio. Já Campbell, que pertence ao Arsenal mas foi sempre emprestado pelo clube de Londres, tem só 22 anos e entra na briga para ser a revelação da competição. Outros atletas importantes podem sonhar com mais um Mundial no currículo, casos do goleiro Keylor Navas, cobiçado por grandes da Europa e que tem 27, o lateral-direito Gamboa, com 24, o zagueiro Giancarlo González, de 26, e até o meio-campista Christian Bolaños, que mesmo aos 30 anos de idade ainda mostra muita disposição física.

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