Por pedro.logato


Ceará - Na reta final da Copa, Felipão voltou ao seu antigo estilo. Mais agressivo, o treinador partiu ontem para o ataque na véspera do duelo contra a Colômbia, no Castelão, e retomou a postura que vinha assumindo antes do Mundial, bancando de novo o favoritismo brasileiro na busca pelo hexa.
Depois da suada vitória nos pênaltis sobre o Chile, Felipão havia dito que estava sendo muito ‘cordial’ com os adversários e que retomaria a sua velha maneira de ser. A mudança veio logo e já foi sentida ontem. O comandante garantiu não ter se arrependido de ter chamado um grupo de jornalistas para uma conversa na segunda-feira, na Granja, e ironizou quem não foi convidado:

“Não tenho como descer para conversar com todo mundo. Tem alguns que são mais meus amigos, de quem gosto mais, e vou fazer isso, como fazia em 2002 no Japão e na Coreia. Sentava com sete, oito ou dez e conversava. Quem não foi convidado é porque, quem sabe, não goste tanto ou não queria conversar. Não pode existir ciúme de homem, pelo amor de Deus. É brabo!”.

Felipão mostrou agressividade em coletivaAndré Luiz Mello

E a reação não parou por aí: “Se tiver que ser pautado para escolher A ou B, não vou fazer. Eu vou fazer do meu jeito. Gostou, gostou. Não gostou, vai para o inferno.”

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O discurso otimista do início da Copa também foi retomado. Antes do duelo contra os chilenos, o treinador havia colocado o pé no freio ao adotar um pensamento mais cauteloso.

Mas agora reiterou a declaração de Parreira, logo no início da preparação, de que o novo campeão mundial estava chegando na Granja Comary. “Continua (com a mão na taça). Nós vamos para o quinto passo. São sete. As declarações foram espetaculares do Parreira e não poderia ser diferente.”

Da conversa com os jornalistas escolhidos por ele, também saiu a informação de que o treinador teria o desejo de trocar um dos 23 convocados. Mas, para ele, foi um mal entendido. “Não trocaria. Eu disse que, nesse momento da competição, eu poderia acrescentar um jogador com características para os jogos diferentes que nós teríamos daqui para frente. Se perguntarem, todos os técnicos gostariam de acrescentar e, para acrescentar, tem que tirar. Mas quando a gente fez a escolha, a gente morre abraçado com os 23”.

A presença da psicóloga Regina Brandão na Granja também virou assunto e o treinador, mais uma vez, partiu para o ataque. “Vocês estão errados nas interpretações. Parem de achar que só vai lá em determinada hora. É tudo organizado. Nós vamos passar, e ela vai lá de novo, no domingo ou na segunda. Está tudo planejado. E não ganha nada, nenhum centavo. Eu vejo que escrevem maldades e alguns colegas se aproveitam”, bradou, ao estilo do velho Felipão.

Rodrigo Paiva foi defendido por FelipãoDivulgação

Técnico isenta Rodrigo de culpa na briga com o Chile

Debaixo das ‘asas’ do paizão Felipão não cabem só os jogadores. O treinador também adotou Rodrigo Paiva e o isentou de culpa na confusão ocorrida no intervalo do jogo contra o Chile, que resultou na suspensão do diretor de comunicação da partida de sábado.

“Pelo que vi no vídeo, tem uma situação em que algumas pessoas entendem que o Rodrigo tenha motivado tudo, mas não foi. Ele participou e revidou, sim, às ofensas. Se vocês vissem, iriam ficar chateados com o que foi dito ao nosso Deni (massagista) e ao Paulo Paixão (preparador físico). O Rodrigo entrou para defende-los e depois houve uma confusão generalizada”, contou o técnico.

A Fifa mantém em sigilo as imagens do corredor que liga o campo do Mineirão aos vestiários, local onde a briga aconteceu. Através do vídeo, a entidade resolveu punir Rodrigo Paiva com suspensão de um jogo.

Até o momento, nenhum jogador ou membro da delegação chilena recebeu qualquer tipo de advertência ou punição por conta do incidente na partida pelas oitavas de final.

Reservas da defesa ainda não tiveram oportunidade

O técnico Luiz Felipe Scolari tem belo retrospecto em Copas do Mundo. São 13 vitórias em 18 jogos e uma característica de usar quase todos os jogadores que convoca. No entanto, nesse Mundial, Felipão ainda não deu oportunidade a toda sua defesa reserva formada por Maicon, Dante, Henrique e Maxwell, embora Daniel Alves e Marcelo estejam atuando muito abaixo de seu potencial neste Mundial.

Na seleção brasileira que conquistou o pentacampeonato de 2002, todos os 21 jogadores de linha receberam uma oportunidades, sendo que 15 deles começaram jogando alguma das sete partidas do Mundial. A exceção ficou com os goleiros Rogério Ceni e Dida, que não saíram do banco de reservas,
Com Portugal em 2006, novamente os 21 jogadores de linha tiveram uma oportunidade, sendo que 18 começaram como titular alguma vez na campanha que terminou com a honrosa quarta colocação.

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