Rio - Não no Maracanã, mas no Mané Garrincha, neste sábado, às 17h, em vez de amanhã, dia sagrado dos grandes jogos. Fora da final, o Brasil se despede da sua Copa das Copas, contra a Holanda, na amarga disputa pelo terceiro lugar. Em clima de fim de festa e com a ressaca explodindo na cabeça. Uma saideira que desce quadrada, com gosto de choca, para todos os brasileiros.
Nenhuma vitória, nem mesmo por 7 a 1, fará a torcida esquecer a humilhação diante da Alemanha, na semifinal. Uma derrota, por outro lado, jogaria gasolina no incêndio. Queimado na história de qualquer jeito, resta ao time comandado por Luiz Felipe Scolari brigar pelo prêmio de consolação.
Se a Copa termina fora da ordem que os brasileiros imaginavam, Felipão segue a mesma linha. Foi até o fim agarrado em suas convicções e, agora, quando quase tudo está perdido, parece que vai mexer na equipe. Isso se o treino de ontem for tomado como base. Mas há sempre a possibilidade de ele estar usando a imprensa para enganar o adversário. Tática que não deu muito certo da última vez.
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Os três volantes Luiz Gustavo, Paulinho e Ramires treinaram juntos a maior parte do tempo. Oscar e Willian completaram o meio-campo, e Jô substituiu Fred, barrado após ser bombardeado de críticas durante o Mundial. Esquema fechado, como se esperava contra a Alemanha.
Na semifinal, Felipão não reconheceu a inferioridade de seu time sem Neymar. Escalou Bernard, manteve o esquema tático e, de peito aberto, encarou de frente os alemães. Tomou um choque de realidade.
Vacinado, dá sinais de mudança de postura. Ontem, em campo reduzido,treinou ataque contra defesa. E os titulares só tentavam evitar que os reservas fizessem gol. Se não foi pegadinha, Felipão expôs a preocupação com o segundo melhor ataque da Copa — ao lado do da Colômbia —, liderado por Robben, candidato a craque do Mundial.
Jogadores ignoram carinho dos fãs na triste despedida
A julgar pelo comportamento da população de Teresópolis, talvez os jogadores sejam surpreendidos por uma torcida disposta a perdoar o maior vexame da história da Seleção. Ontem, porém, se os fãs dos astros brasileiros ofereceram carinho e apoio, a recíproca não foi verdadeira na despedida da Granja Comary.
Durante todo o treino, a exemplo do dia anterior, cerca de cem torcedores enfrentaram chuva e frio. Desta vez, o coro ‘Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor’ foi insuficiente para amolecer o amargurado coração dos comandados de Felipão. Sem autógrafos, fotos ou um simbólico aceno de tchau para os fiéis fãs, os jogadores subiram para o vestiário após a atividade.
Na saída do ônibus rumo ao aeroporto, os torcedores que fizeram plantão na entrada do CT ganharam o cumprimento dos jogadores como prêmio pelas horas de espera. Lá dentro, a água da chuva escorria como lágrimas nos molhados cartazes.
O olhar de todos era de decepção, que deve ter aumentando com a volta do ‘mister simpatia’ David Luiz. Ele prestigiou 15 pessoas presentes numa arquibancada vip montada pelos patrocinadores da Seleção. Felipão apareceu e ganhou outra carta. Quem será a dona Lúcia da vez?